“Lá vai o tempo, como um farrapo jogado à toa”, diz a poeta Henriqueta Lisboa

TRIBUNA DA INTERNET | Na poesia de Henriqueta Lisboa, os olhos ...

Henriqueta Lisboa, mestre da poesia

Paulo Peres
Poemas & Canções

 

A poeta mineira Henriqueta Lisboa (1901-1985) era uma intelectual de renome, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Foi  professora de Literatura e  traduziu obras de Dante Alighieri e Gabriela Mistral. Neste poema, ela sustenta que “O Tempo é Um Fio”, e com bastante fragilidade.

O TEMPO É UM FIO
Henriqueta Lisboa

O tempo é um fio
bastante frágil
Um fio fino
que à toa escapa.

O tempo é um fio.
Tecei! Tecei!
Rendas de bilro
com gentileza.

Com mais empenho
franças espessas.
Malhas e redes
com mais astúcia.

O tempo é um fio
que vale muito.

Franças espessas
carregam frutos.
Malhas e redes
apanham peixes.

O tempo é um fio
por entre os dedos.
Escapa o fio,
perdeu-se o tempo.

Lá vai o tempo
como um farrapo
jogado à toa.

Mas ainda é tempo!

Soltai os potros
aos quatro ventos,
mandai os servos
de um pólo a outro,
vencei escarpas,
voltai com o tempo
que já se foi!…

4 thoughts on ““Lá vai o tempo, como um farrapo jogado à toa”, diz a poeta Henriqueta Lisboa

  1. A álgebra é a matemática da vida:

    1x – 1y = “N” (a definir, a ponderar)

         para x = riqueza + beleza + poder…

         para y = pobreza + feiúra + opressão…

    *  A aritmética é a matemática da morte:

        1 – 1 = 0 (o fim, sem barganha, sem recurso).

  2. O importante na equação 1 – 1 = 0, na conotação acima, é o infinitésimo: antes do zero. Nele resta a esperança de tudo – a vida!; depois dele, a realidade do nada.
    Inspirado pela profundidade do momento, enquanto a gente respira, repito uns versinhos singelos sobre alguns importantes porquês:

    Por quê?

    Por que ter, se a morte tudo tira e iguala,
    Por que nascer, se eterno é o não-ser,
    Por que rezar, se Deus sempre se cala,
    Por que crer, só por ouvir dizer?

    Por que a discórdia, se a palavra esclarece,
    Por que a vingança, se o perdão concilia,
    Por que a vaidade, se ao fim tudo fenece,
    Por que o ódio, se ele nada sacia?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *