Lambança no festival de contradições

Carlos Chagas 

À medida em que o tempo passa, mais se avolumam as contradições do governo dos Estados Unidos diante da operação que eliminou Osama Bin Laden. Depois de informarem que o abominável criminoso defendeu-se de  armas na mão  e por isso foi morto em combate, a Casa Branca volta atrás e confessa que Bin Laden estava desarmado. Viu-se,  então, assassinado, em vez de ser preso e levado a julgamento.

Confirmou um dos chefes da CIA a prática de torturas em presos políticos, inclusive  a simulação de afogamento. Até filmes já haviam sido mostrados sobre o horror verificado na prisão de Guantanamo,  mas, agora, é o próprio governo  que reconhece a barbárie.

As Nações Unidas exigem a divulgação de fotos do cadáver de Bin Laden, mas a Casa Branca hesita porque as imagens mostrarão  ter sido ele  desfigurado com vários tiros.

Desmentida também foi a primeira  versão, de que o terrorista havia usado sua mulher como escudo. Aliás, ela não morreu, mas levou um tiro na perna, ironicamente quando se encontrava no andar de baixo, não no aposento de Bin Laden.

Saber o que foi feito com o cadáver é outra dúvida. A versão oficial é de que foi jogado no mar, depois de cumpridos os rituais fúnebres  islâmicos, mas imagens não foram divulgadas  a respeito.

Também permanece um mistério  o teste de DNA,  para provar a identidade do morto: onde aconteceu? Em que laboratório? Utilizando que parte de seu corpo?

Por último, de quem partiu a ordem para executar Bin Laden, à revelia da Constituição americana,  sem prendê-lo nem submetê-lo a julgamento? De tudo, emerge uma conclusão: caíram as máscaras. 
 
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BRASIL ANDA PARA A FRENTE 
 
Getúlio Vargas quebrou a perna duas vezes. A primeira, quando na rodovia Rio-Petrópolis, sofreu um atentado. Uma pedra rolou sobre o carro que o conduzia, matando um ajudante de ordens. A outra, já em seu governo constitucional, aconteceu quando escorregou no banheiro. Ninguém soube  de nada.

Também no exercício do poder, Juscelino Kubitschek sofreu um enfarte, convalescendo dez dias sem despachar, sob a total ignorância do país. João Goulart desmaiou, em viagem ao México, por problemas cardíacos, mas a causa não foi revelada. Costa e Silva sofreu um derrame cerebral,  que o Gabinete Militar, por três dias, tentou simular como gripe. João Figueiredo foi para os Estados Unidos para colocar pontes-safena no coração mas a informação era de que se  submeteria a exames de rotina. Durante duas semanas inventou-se que Tancredo Neves tivera uma crise de apendicite, depois diverticulite, em seguida um tumor benigno, quando na verdade o câncer já se havia espalhado pelo  seu organismo.

A moda era esconder as doenças dos presidentes, como se eles fossem super-homens imunes ao que atinge todos os mortais. Pois quando o câncer linfático foi detectado em  Dilma Rousseff, a imprensa viu-se  logo informada,  acompanhando  seu tratamento.  Agora, já empossada, uma gripe transformou-se em pneumonia, podendo todo mundo saber de sua passagem por um hospital em São Paulo, de seu retorno a Brasília e dos cuidados que ainda agora recebe.  Realmente, avançamos.   

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 BRIGA DE FOICE EM QUARTO ESCURO
 
Está longe de arrefecer a crise no PT. Ficamos sabendo, agora, que para impedir a eleição de  Humberto Costa para presidente do partido, o ex-deputado José Dirceu ameaçou candidatar-se. Dispondo de maioria no Diretório Nacional, seria eleito, numa obvia contestação ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff, comprometidos com o senador por Pernambuco. Para evitar o desgaste que seria a ascensão de Dirceu junto com a reintegração de Delúbio Soares, a solução foi  manter Rui Falcão, interino,  na presidência do partido.

O antecessor e a sucessora engoliram, mas não querem conversa com a ala paulista do partido,  responsável por toda a trapalhada. Se não acontecer antes, o próximo round envolverá  a escolha do candidato ou candidata à prefeitura de São Paulo, nas eleições do  ano que vem.  Se insistirem em  Marta Suplicy, assistiremos muitos companheiros pedindo inscrição no PSD de Gilberto Kassab. 
 
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O ERRO DE FAVORECER AS IMPORTAÇÕES.
 
Tanto faz o motivo, se é para compensar os estados de perdas de investimentos federais ou de quedas na arrecadação do ICMS, mas não poderia ser pior a compensação defendida pela equipe econômica. Estão os gestores da política econômica prometendo reduzir ou até extinguir impostos de produtos de importação. Argumentam que muitos governadores gostariam de oferecer mais vantagens a empresas estrangeiras dispostas a se instalar no Brasil. Assim,  fábricas multinacionais,  muitas delas sucata pura, poderiam  entrar de graça  em alguns estados. Ótimo para a Nordeste, por exemplo, mas péssimo para a economia nacional.

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