Lambança sexta-feira, correção sábado e domingo

Carlos Chagas

É  sempre bom evitar precipitações. Foi melhor  esperar sábado e domingo para  só hoje comentar   as declarações do ministro Antônio Palocci  à Rede Globo, prestadas na noite de sexta-feira. Porque a  impressão que ficou da parte editada e apresentada no   Jornal Nacional foi a pior possível. Deixaram mal o entrevistado e, mais grave,  um excelente repórter,  Julio Mosquera. A gente fica  pensando se não houve sabotagem da turma do Rio, enciumada por perder a oportunidade de mostrar   o entrevistador   mais importante do que o entrevistado.   Omitiram o colega de Brasília e tornaram inaudíveis suas perguntas, baixando o áudio quando ele perguntava. Concederam-lhe  apenas   duas vezes imagens de dois segundos cada uma, sem abertura nem encerramento. 

O mais grave, porém, foi a seleção das respostas do chefe  da  Casa Civil, apresentadas de forma  desconexa  e incompleta, porque editar e  comprimir em quatorze  minutos uma entrevista que durou trinta não é  para qualquer um. Principalmente quando há má vontade.

Foi tão lamentável a apresentação de Palocci na sexta-feira que a própria Rede Globo obrigou-se a transmitir a entrevista por  duas vezes,   no sábado, e outra ontem, aí então na íntegra, através do canal de notícias Globonews. Claro que a audiência não terá sido igual, mas, pelo menos, corrigiu-se parte da lambança.

Pode-se  concluir que Palocci não se saiu tão  mal,  mesmo deixando de  responder as questões mais cruciais, como a lista dos  clientes de sua empresa de consultoria. Demonstrou respeito ao Congresso e ao Ministério Público.  Em suma, deu a versão dele, sem empecilhos, ainda que pareça difícil concordar com sua argumentação.  Salvou-se também o repórter, que ia sendo sacrificado em nome da canibalesca competição que  assola nossas telinhas.

Importa menos saber se o indigitado e milionário ministro vai livrar-se da demissão. Provavelmente, não. Mas pelo menos conseguiu ser visto, no fim de semana, falando ordenadamente, coisa com coisa, que os encarregados da edição  não lhe permitiram na sexta-feira.

Razão, mesmo, tinha o saudoso vice-presidente da República, José Alencar, recentemente falecido. Entrevistas, para ele, só ao vivo, na hora, para evitar  surpresas.

Por certo que nem a Rede Globo,  nem Palocci, ou sequer a presidência da República, concordarão com estes comentários, se por milagre deles tiverem conhecimento, mas como estrilar ainda é permitido, fica o registro.

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PT EM PÉ DE GUERRA

A crise no PT é mais profunda do que os companheiros tentam fazer crer. Adiantam pouco os esforços da presidente Dilma em aproximar-se deles, porque mesmo sem terem coragem de apresentar-lhe listas de reivindicações, ela deve saber muito bem que a crise em torno do ministro Antônio Palocci só aumentou a dimensão das goelas abertas.

O novo presidente Rui Falcão continua repetindo que a hora é do PT e que o apoio ao governo situa-se na razão direta da participação na máquina administrativa e em suas decisões.  Se os petistas nem se mexeram  para  defender o chefe da  Casa Civil, imagine-se quando a foice chegar perto do pescoço de ministros de outros partidos. E parece estar se aproximando.

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