Lamentar a morte de Lázaro Barbosa é desconhecer a realidade do mundo em que vivemos

Documento policial registra que Lázaro Barbosa foi morto por Vicente Limongi Netto

O mundo é cruel. A realidade assusta. Costuma pregar peças. Sem trégua. Não tenho lugar no coração nem na alma para nutrir pena e consideração a assassinos e estupradores. Graças a Deus a avassaladora pandemia não amoleceu meus neurônios nem abalou meu equilíbrio e isenção.

A hora é de lutar por soluções, leis e mecanismos jurídicos que tragam tranquilidade para a população. Caso contrário, seres desprezíveis como Lazaro Barbosa continuarão soltos e impunes, infernizando a vida de famílias e homens de bem.

LÁZARO BARBOSA – Nessa linha, acabei lendo, perplexo, no Correio Braziliense e alhures, incisivas opiniões lamentando a morte de Lázaro Barbosa. Respeito, mas discordo enfaticamente. A meu ver, ao contrário daqueles que não admitem a forma como chegou ao fim a vida imunda e covarde de Lázaro, julgo perfeitamente natural o desfecho da caçada ao monstro que alguns insistem em chamar de ser humano.

Pimenta nos olhos dos outros é colírio e refresco. Aplaudo os policiais que finalmente deram um basta no assassino. A alegria que mostraram foi compreensiva. Pelo teor de algumas opiniões contrárias, seria melhor que os policiais chorassem e respondessem com flores os tiros disparados por Lazaro.

OPINIÃO ACERTADA – Ilustro meu raciocínio com a opinião do Diretor do Instituto Luiz Gama, pós-doutor pela Universidade de Coimbra em Democracia e Direitos Humanos, Camilo Onoda Caldas (Correio Braziliense – Eixo Capital- 30/6), sobre Lazaro Barbosa, indagado se seria melhor prendê-lo com vida:

“Se ele resistiu à prisão e atacou os policiais, o confronto pode ter sido necessário e a morte, portanto, é uma consequência”, salientou o cientista político.

Espero que a lucidez vença a hipocrisia e a demagogia, evitando que partidos políticos e entidades não apelem ao Vaticano para canonizar Lázaro Barbosa.

MAIS ENERGIA – O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, precisa ser menos benevolente e mais enérgico na condução dos trabalhos. Logo e urgente.  Sob pena de enfraquecer e desmoralizar a CPI e a si próprio. Aziz precisa manter o foco principal da comissão. Investigar e apurar a má gestão do governo na aquisição de vacinas. Deve cortar a palavra de quem deseja tumultuar e atrasar os trabalhos da CPI. 

Graves denúncias de irregularidades e corrupções já foram checadas e constatadas pelos senadores, fazendo com que a maioria da população continue acreditando nos resultados finais da CPI.

Nesse sentido, alguém precisa informar a Omar Aziz as características de ações e atitudes do ex-presidente do Senado, o baiano Antônio Carlos Magalhães.

ORDEM NA CASA – Com o famoso ACM, insolentes e demagogos não se criavam nas sessões plenárias, nas comissões técnicas ou comissões de inquérito, como ocorre hoje com a bolorenta, desprezível e bazofeira tropa sem choque de Bolsonaro, na CPI da Covid. São serviçais sem compostura. 

Com ACM no comando, ninguém não atropelava a fala do senador que estivesse falando. Em plenário ou nas comissões técnicas,o ex-governador e ex-ministro  não permitia o ingresso de  ex-parlamentares, deputados ou senadores que não fossem membros das comissões.

Muito menos discursar para dizer asneiras, como o arrogante senador rei das rachadinhas, Flávio Bolsonaro. Que ainda tem o descaramento de levar deputados serviçais para o plenário da CPI. Acorda, Omar.

13 thoughts on “Lamentar a morte de Lázaro Barbosa é desconhecer a realidade do mundo em que vivemos

  1. Prezado Vicente,

    Abordaste um tema complexo, difícil, onde se misturam a realidade com a projeção do que seria correto ou conforme o pensamento de muitos.

    A morte de Lázaro, em confronto com a polícia que resultou na sua morte, precisa ser analisada diferentemente se o assassino fosse uma pessoa dotada de suas plenas faculdades mentais.
    Não era.

    Laudos psicológicos atestam que era perturbado, ansioso, tinha muitas preocupações sexuais, impulsivo, e sem medir as consequências de seus atos.
    Possuía uma longa carreira de crimes. Matou muitas pessoas pelo simples prazer de matar com sinais evidentes de brutalidade sádica, demonstrando seu poder de decisão e sobre a vida de suas vítimas.

    Eu diria que Lázaro seria uma pessoa sem recuperação, por mais que ficasse preso e recebesse tratamento psicológico, também inexistente nos presídios brasileiros.
    Morreu ou foi morto porque intimamente deveria ser a sua vontade.

    Enfim, criticar a polícia pelo episódio de final trágico trata-se de um exagero, e os argumentos trazidos à tona são destituídos da realidade que mencionei acima pois, caso Lázaro fosse preso, ele tentaria escapar e dar sequência à sua lista de assassinatos.

    Vou mais longe, Limongi, se me permitires:
    De certa forma, Lázaro demonstrou à sociedade a falência do regime carcerário.
    Prender criminosos em pocilgas, em lugares semelhantes às masmorras, prisões medievais, precisa ter um fim.

    Não se sustenta a explicação – que Bolsonaro adora pronunciar -, que o preso que se dane, que sofra, que padeça jogado numa cadeia putrefata, imunda, em contato com centenas de outros detentos, onde muitos deles estão doentes e seus males contagiosos.
    Isso é tortura, e não punição com a perda de liberdade tão somente.

    O sistema exige mudanças, e radicais.
    Ou isso ou teremos muitos outros Lázaro com a mesma trajetória de horrores para comentar ou não, caso estivermos numa lista futura de assassinatos cometidos por pessoas sem recuperação porque doentes mentais, inclusive.

  2. No Brasil inteiro, “troca de tiros” foi um eufemismo inventado para legitimar: Execução Sumária ou Extrajudicial. Como se não bastassem os políticos e os pastores, para empestarem a sociedade de embustes.
    Em quase todas as caçadas policiais, as viaturas já saem com armas de numerações raspadas e trouxinhas de drogas. Na gíria policial, essa forja dá-se o nome de “vela”. Quando o corpo do executado tomba, de pronto, os agentes plantam, no “presunto”, as armas e os pacotinhos; defunto não fala, somente os céus serão testemunhas!
    -Onde, no Estado Democrático de Direito, estar-lhe garantido o poder de pena de morte e/ou de instrumento de vingança?
    Tentar solucionar uma mazela, violando a legislação vigente, apenas para aplacar os ânimos da comoção popular, isso constitui o avesso do princípio da Isonomia. Autoriza os déspotas ou quem for da sua camarilha criar um Enclave ou um Tribunal de Exceção dentro de um Estado Legalista.
    Se cada cidadão, desprovido de autoridade ou de poder de fogo, passar a incentivar ilicitudes: o que serão dos direitos e garantias do próprio incentivador? Ou ele é do tipo que exije uma Justiça draconiana, se a punição for noutra pessoa? Paradoxalmente, quando chegar a vez dele ser o réu, aí o egoísta cobra do Judiciário seu direito de ampla defesa e tantos quantos que o seu advogado puder sofismar; ou até mesmo relaxar: “Ah, deixa isso pra lá, estamos no Brasil, coisas mais graves acontecem e fica tudo assim mesmo!”
    Eliminar um delinquente é o caminho mais curto para o governo “sanar” um problema sob palmas da população atormentada. No fundo mais profundo, ele, o governo, está autoconfessando-se incompetente para gerir o problema que pariu o infrator: o remédio seria a segurança pública, cuja doutrina normativa não prevê pena de morte como solução. Aqui, soma-se até a responsabilidade de Vossa Excelência, o eleitorado, na escolha dos seus representantes: legisladores e/ou administradores.
    Enfim: a tendência de toda transgressão é se verticalizar e banalizar-se. Hoje executa-se quem roubou uma granja; amanhã, quem roubou um frango e depois quem roubou um ovo………..seguindo esta decrescência. A LEGALIDADE acima de tudo, se ela não contempla todos os nossos anseios de tutelados pelo Estado, a culpa também é nossa!

    PS: talvez se esse tal Lázaro Barbosa estivesse portando um malote cheio de dinheiro, as buscas a ele, não demorariam 6 horas.

    • Perfeito o teu comentário, Paulo III.
      Adequado e correto para uma sociedade estruturada, com bases sociais bem menos injustas que esta nossa.

      No entanto, vivemos rodeados de exceções, onde são essas anomalias que viraram leis e as leis se transformaram em anomalias.

      Observa:
      Todo o santo dia temos gente morta e de maneira executada, encomendada ou em confronto com a polícia ou com facções ou por desavenças pessoais.

      Caso o policial participa de uma busca na captura de um criminoso, ainda mais do porte de Lázaro, ele sabe que poderá morrer.
      Logo, dificilmente, para eu não dizer impossível, o aspecto político-religioso-filosófico-social entra em cena.
      Trata-se de matar ou morrer!

      Se Lázaro tivesse consciência do que fez, um mínimo de discernimento, ele se entregaria à polícia para poupar a sua vida.
      Ele decidiu levar as suas ações até o limite, consciente ou inconscientemente.
      O epílogo não poderia ter sido outro.

      Quanto à polícia não matar quem rouba milhões de reais do povo, eis uma boa pergunta.
      Nesse caso, a justificativa é exatamente a preocupação que mencionaste, de estarmos vivendo numa democracia onde, SUPOSTAMENTE, as leis devem ser obedecidas!

      Até porque esses ladrões têm poderosos advogados que, diante de qualquer irregularidade, soltam o criminoso e pedem a prisão do policial ou responderá um processo que não vai se livrar tão cedo!

      Agora, o procedimento policial para com o zé povinho é um; para com o cidadão é outro diferente, pois o “pé de chinelo” não merece maiores considerações, e será um a menos incomodando.
      E, pelo fato, que essas pessoas de alta periculosidade não merecem maiores atenções, que não seja morrer em confronto com policiais.

      A relação entre as classes menos favorecidas, também está o policial militar, o soldado, cabo e sargento, que residem perto de bandidos porque seus salários são aviltantes, e sabem muito bem com quem estão lidando!
      Se derem chances, o bandido os mata sem piedade!

      Logo, Lázaro entra para os anais da polícia como um caso resolvido.
      Se foi morto, o episódio foi em decorrência da sua resistência, e de se evitar baixas entre os policiais que foram capturá-lo.

      Bom fim de semana.

      • O problema, nesses casos, é provar o ato de resistência. Já fui ativista da Anistia Internacional, deparave-me com muitos desses episódios, onde testemunhas eram coagidas e ameaçadas para confirmar a versão policial; todo um cenário era montado.
        O Brasil é grande e cheio de contrastes: rico em nuances, inclusive, na dinâmica do crime.

        • Perfeito Sr. Paulo
          Isso é consequência de um Sistema Judiciário e Presidiário podres, falidos e corruptos.
          Se o Lazarento praticou crimes em 2007, como dois homícidios, jamais poderia estar nas ruas praticando mais e mais crimes.
          Um juiz de excelência tem todas as condições para achar alguma brecha na Lei para deter esse “monstro-humano” para sempre.
          Mas, nem todos se dá a esse trabalho….

          Parabéns pelo texto.
          abraços
          Aqui dá Terra da Garoa….

  3. Acho que Lázaro deveria ser morto, sim. Afinal de contas era daqueles criminosos reincidentes e incorrigíveis, que continuavam a cometer crimes hediondos, embora as chances recebidas. Esse negócio de regimes progressivos para tipos como esses, necessita ser corrigido.

    Mas há algumas lacunas que precisam ser esclarecidas, Quem o auxiliava? Quem eram aqueles que o pagavam para cometer crimes, assustar a população rural, para, desse modo, ao impor o terror, conseguir comprar terras mais baratas?

    Um caseiro e outros denunciaram esse esquema macabro. Vamos ver se as investigações continuam e chegam aos mandantes.

    • Quando é eliminado um pluri-homicida, com a mortualha de Lázaro, post mortem, crimes que ocorreram, em localidades circunjacentes, não raro, são lançados no lombo do executado. Essa transferência de culpa sobre alguém, doravante, para sempre indefeso, é muita utilizada, inclusive, para descarregar delitos perpetrados pela própria polícia. Não estou afirmando que isso vai acontecer com a ausência do baiano, Lázaro, em Goiás; mas são ardis, os quais já acompanhei de perto, quando ativista da Anistia Internacional, período em que construí muitos inimigos perigosos.
      Alfim, todo problema, só parece fácil a quem está de fora!

  4. Penso muito sobre o número cada vez maior de crimes em todo o Brasil.
    Na quase totalidade são reincidentes. Assassinos já conhecidos.
    Creio que a solução seria criar um segundo Código de Processo Penal para criminosos reincidentes.
    Do jeito que está só vai piorar

  5. PC Farias
    Adriano da Nóbrega
    Lázaro Barbosa…

    Três mortos.
    Três sabujos de gente poderosa.
    Suas mortes não facilitarão elucidar os nomes das pessoas e dos esquemas criminosos a que serviram – e que continuam intocados.

    Outros
    PC Farias
    Adriano da Nóbrega
    Lázaro Barbosa
    continuarão surgindo e barbarizando enquanto quem opera os cordéis continuam nas sombras até morrerem de velhice.

  6. Bom dia , leitores (as):

    Senhor Vicente Limongi Netto , acontece que as leis Brasileiras são ” ELABORADAS , MODIFICADAS E MERCANTILIZADAS ” , pelos membros do Congresso Nacional visam tão somente ” LEGITIMAR ” os mais diferentes crimes praticados por eles e seus congêneres das mais diferentes estirpes , com o agravante de que os juízes / desembargadores / ministros-juízes dos tribunais superiores e do supremo tribunal federal ás interpretam e aplicam as leis á seu bel prazer e até mesmo ousam legislar invadindo a prerrogativa do poder legislativo , com a conivência dos mesmos , numa verdadeira reciprocidade CRIMINOSA ” , como se não bastasse ” julgam e condenam ” suas vítimas , sem nenhuma previsão e embasamento legal .

  7. Omar Aziz é um exemplo de “lisura”. Acusado de pedofilia, conseguiu escapar; acusado de roubar 260 milhões, isso mesmo milhões, safou-se. O corrupto degenerado é mais “liso” que sabão.

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