Lava Jato enfim chegou à cereja do bolo das empreiteiras

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/char01082010.gifIgor Gielow
Folha

Uma das perguntas que mais incomodava integrantes da cúpula da Polícia Federal desde 2014 era: “E quando vocês vão pegar a Odebrecht?”. A história pode ser contada no pretérito, já que a maior empreiteira do país caiu na rede da Operação Lava Jato.

Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez, foram presos na sexta-feira (19) no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.

O questionamento envolvendo a Odebrecht era malicioso, uma vez que havia inquérito aberto para apurar especificamente o papel da empreiteira, mas também era legítimo –todas as outras grandes construtoras do país ou foram investigadas ou tiveram executivos graúdos presos em algum momento da operação.

Seja como for, agora a PF poderá comprovar ou não suas suspeitas de que a Odebrecht, pelo tamanho e importância, tinha um esquema sofisticado e próprio de ação. A empresa nega tudo.

ALVO PRINCIPAL

Do ponto da polícia, chegou-se à “cereja do bolo” da operação. A PF nunca escondeu que seu alvo principal na Lava Jato não eram os políticos que naturalmente seriam atingidos, mas sim as empreiteiras.

“Estamos atrás dos empregadores, não dos empregados”, brincava já no fim do ano passado um envolvido na apuração, citando o conhecido papel central das empreiteiras como financiadores das campanhas políticas.

Neste sentido, o ciclo se completa com as prisões de hoje, que também atingem a poderosíssima Andrade Gutierrez.

MAIS EMOÇÕES

Apesar do discurso de que “políticos só interessam aos políticos e aos jornalistas”, a PF sabe que está isolada agora. O executivo da Andrade preso é muito próximo do PSDB, e a direção do órgão se prepara uma temporada de críticas sem o apoio político que vinha recebendo da oposição.

Isso, na opinião de delegados, pode se demonstrar em grande pressão sobre o Judiciário e o surgimento de denúncias contra envolvidos na investigação, visando formar um caso contra os procedimentos da Lava Jato.

Por outro lado, mesmo no governo e no PT há uma sensação de inevitabilidade nos desdobramentos agora, ameaçando uma avalanche sobre a classe política. Os próximos meses prometem mais emoções.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGE agora? Quem vai pagar as viagens de Lula e as atividades do Instituto Lula? (C.N.)

10 thoughts on “Lava Jato enfim chegou à cereja do bolo das empreiteiras

  1. Que pena! O mundo não mais se iluminara, porque o príncipe da vigarice deixará de abrir a boca.
    Os milhões de ouvintes, deixarão de ouvir as bravas palavras do reformador . O mundo ficará mais pobre e triste sem as palestras do oráculo de São Bernardo. É lamentável, só porque um juiz resolveu fazer
    justiça, o mundo todo é prejudicado.
    Mas tudo isto é passageiro. Ainda veremos o bravo bravateiro , a bravatear como no passado, mas isto se a
    rebordosa não o pegar.
    Ave lula, os que vão em cana , te saúdam.

  2. E agora? Quem vai pagar as viagens de Lula e as atividades do Instituto Lula? (C.N.)
    Sr. Newton, se não tem empreiteiras tem a Víuva para socorrer os políticos.

  3. Enfim, a “cereja do bolo” caiu nas malhas da Justiça. Já estava ficando muito estranho, as maiores empreiteiras terem seus executivos presos fruto da Operação Lava Jato e a maior de todas, a cereja do bolo, aquela que navegava em mar calmo, apesar de ser a que mais contratos possuía ou possui com a maior empresa brasileira. O mundo empresarial, notadamente dos envolvidos no superfaturamento, no cartel das obras, no pagamento de propinas a diretores, gerentes, superintendentes e para campanhas políticas, a candidatos e a Partidos, estavam incomodados com a situação. Os advogados dessas empresas já estavam arquitetando uma estratégia envolvendo o instituto da isonomia. Por que, os nossos executivos estão presos e os da cereja do bolo continuam livres, leves e soltos?

    Ou instaure-se a moralidade ou locupletam-se todos.

    A mesma prática envolvendo as empreiteiras acontecia também com Roberto Jeferson, o delator (ele não gosta de ser tratado como delator) do Mensalão. Todos soltos pelo STF, em regime domiciliar e ele, o único preso num presídio de Niterói, após delicada cirurgia e se recuperando. Genoíno a muito tempo estava na sua sacrossanta casa de Brasília, muito justo afinal, porque tinha cardiopatia grave, mas e Roberto Jeferson!

    Costumo sempre acreditar, que pode demorar, mas um dia e uma hora a justiça, enfim prevalece sobre todas as coisas. E se assim não fosse, todos nós seríamos corruptos, pois a corrupção seria regra geral e não um desvio ético de poucos cidadãos, sujeitos as penas da Lei.

    Falando em empresários ricos e poderosos e também sobre autoridades especiais acima de qualquer suspeita, a história demonstra, que um dia a arrogância, a empáfia e a ideia de que o reinado será eterno, de um dia para o outro desmorona todo o seu poder, por maior que ele tenha sido. Beijam o chão da fábrica ou passam a dormir em presídios. Não se deve ter pena desses cidadãos da elite brasileira ou deveremos ter pena também dos milhões de presos pobres sem direito a nada, doentes nas prisões, com pneumonia, aids, sarna, câncer entre outras mazelas. As vezes alguém experimenta o fundo do poço, para exercitar a humildade antes perdida. No fundo e na forma, somos fracos diante do poder do criador e fortes na luta pela sobrevivência e para buscar a felicidade sem sinais exteriores de riqueza.

  4. É interessante que os jornalistas amestrados mencionam a preocupação do PSDB, mas não apontam o porquê desse incômodo. Estou curiosa para saber se devo torcer para o juiz Moro pegar algum tucano.

  5. O “Deus” Brahma” …
    “A Polícia Federal prende os donos e executivos das maiores empreiteiras brasileiras, Odebrecht e Andrade Gutierrez, e com isso atinge o topo da cadeia de comando do esquema de corrupção da Petrobras e está a um passo do ex-presidente Lula, segundo reportagem da revista Veja deste fim de semana.

    Mensagens interceptadas pela Polícia Federal entre executivos da construtora OAS, e que constam do processo contra a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, descrevem com detalhes o esquema de lobby e indício de tráfico de influência do ex-presidente Lula em países da África e da América Latina. A 14ª fase da Operação Lava Jato foi deflagrada nesta sexta-feira, resultando na prisão dos executivos Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo.

    A troca de mensagens ocorreu em 2013 entre Léo Pinheiro e Cezar Uzeda, presidente e diretor da área internacional da OAS, respectivamente. Nos textos, Lula leva o apelido “carinhoso” de Brahma e é citado nos termos de uma aproximação com o embaixador de Moçambique no Brasil, Murade Isaac Miguigy Murargy.

    O facilitador do encontro, segundo as mensagens, é o ex-ministro Franklin Martins. Diz Pinheiro: “Tem o Brahma no meio. Quem marcou (o encontro) foi a Mônica, mulher de Franklin (Martins). Segundo ela, seria uma aproximação para 2014. Ele deve coordenar. Disse-me também que os dois (Odebrecht e AG) estão em pé de guerra. Vou confirmar sua ida. Nesse mesmo horário vou estar com Aécio (Neves)”, escreveu o ex-presidente da empreiteira, preso em novembro do ano passado, e que foi liberado após um pedido de habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    A mulher de Franklin Martins, Monica, também enviou mensagem a Pinheiro detalhando o perfil do embaixador. “Diz ao Cesar (Uzeda) que estarei com ele. Me encontre na porta da Embaixada. Ele vai falar sobre campanha política e novos projetos. Ele que colocou a Suzano e a Andrade lá no governo. Era o chefe de gabinete do presidente (de Moçambique)”, explica.

    A troca de mensagens mostra que uma viagem ao Chile, onde Lula palestrou em novembro de 2013, bancada pela OAS, foi ideia do próprio ex-presidente. Na tarde do dia 12 de novembro, Léo Pinheiro questiona Cezar Uzeda sobre as obras da OAS no Chile, afirmando que “o Brahma está procurando saber”. Quando o executivo responde listando as obras, a réplica de Pinheiro, às 22h do mesmo dia, detalha a ideia do ex-presidente. “O Brahma quer fazer a Palestra dia 24/25 ou 26/11 em Santiago. Seria uma mesa redonda com 20 a 30 pessoas. Quem poderíamos convidar e onde?”, diz Pinheiro.

    Segundo o diretor da área internacional, os convites estavam condicionados às eleições presidenciais, em que a vencedora terminou sendo a socialista Michele Bachelet. “Os convidados dependerão do resultado das eleições de domingo próximo. O Chile é um país mais sofisticado. Talvez um almoço com participação de empresários, políticos com orientação mais à esquerda e intelectuais. Submeteríamos os convidados à crítica prévia dele (Lula)”, diz Uzeda.

    Em outra conversa, os empresários definem que a OAS bancará a viagem de avião, mas temem se é conveniente que a viagem seja na mesma aeronave que a do ex-presidente. “Leo, colocamos o avião à disposição de Lula pra sair amanhã ao meio dia. Seria bom você checar com Paulo Okamoto se é conveniente irmos no mesmo avião. Caso contrário, vamos na quarta feira”, afirma o diretor da área internacional.

    Em relação ao mesmo evento, os executivos conversam sobre as diferenças entre Dilma e Lula em relação à agenda internacional. “A agenda nem de longe produz os efeitos das anteriores do governo Brahma. No entanto, acho que ajuda a lubrificar as relações. A senhora não leva jeito, discurso fraco, confuso e desarticulado, falta carisma”

    O mesmo modelo de visita, patrocinada pela OAS, ocorreu em janeiro de 2014, no Uruguai. Diz Uzeda: “Leo, o formato segue o modelo exato do que foi feito no Chile: pela manhã, grupo seleto de empresários uruguaios ou que atuam por lá. O tema passará sempre por alguma derivada da integração regional. Importante saber se ele gostaria de algum retoque ou mudança na organização. Quanto aos nossos interesses no Uruguai, na pauta está o porto de águas profundas em La Paloma (Odebrecht propôs uma PPP) e um gasoduto para levar gás ao Brasil”.

    Os executivos também citam contato do então ministro Fernando Pimentel para ajudar nas negociações na Argentina, sobre a construção de uma usina hidrelétrica. “(Julio) De Vido (ministro do Planejamento da Argentina) nos ligou preocupado porque o tema das UHE NK não estaria na pauta da reuniao da Camex (Câmara de Comércio Exterior ligada ao Ministério do Desenvolvimento, pilotado por Pimentel) da próxima terça e a data limite para apresentação pelas empresas brasileiras da carta do BNDES é dia 21/02 , data em que ele abrirá os envelopes de preço. Se não apresentamos a carta em 21/02 , seremos desclassificados e ficaremos mal na Argentina. A Odebrecht não está muito preocupada com isso. Ou acha que perde para nós no preço, ou ja está satisfeita por que ganhou do BNDES um financiamento para outra obra de 1,5 bilhão de dólares na Argentina”, diz, Léo Pinheiro.

    No mesmo diálogo, o executivo da OAS relata gestões de Pimentel para interceder pela Vale na Argentina. “FP vai para Argentina amanhã, domingo, resolver problema da Vale com o ministro De Vido. O governo da Argentina ameaçou a Vale: ‘ou investe no país ou libera a mina de potássio do rio Colorado para a China explorar e sai do país’. Mais uma rateada de Murilinho (Murilo Ferreira, presidente da Vale), e o governo brasileiro se move em peso pra resolver”, diz Pinheiro”.

  6. A ousadia desse cidadão(lula), já está extrapolando.
    Ele está furioso com o governo, criticando a inércia deste em ralação a operação Lava Jato.
    QUESTIONA COM TODA AQUELA ARROGÂNCIA QUE LHE É PECULIAR, COMO É QUE O JUIZ MORO AINDA ESTÁ NO COMANDO DESTA OPERAÇÃO?
    Como se diz no popular, pooode, é mole…….

    Numa democracia de verdade, já que a nossa é “meia sola”, essa figura seria literalmente colocada no seu devido lugar, mas…..

  7. Destes acontecimentos para frente – podem anotar – vão retirar o juiz Moro do caso . Como? … não sei !!! A pressão vai ser grande e Lula pressionará seus desejos e apreensões com os seus na suprema corte. Não passa de 15 dias o príncipe dos empreiteiros em cana.

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