Lava-Jato manda prender empresários do esquema Cabral que fraudaram Into

Federais fazem busca na cobertura de Sergio Cortes

Chico Otavio e Daniel Biasetto
O Globo

Um ano e dois meses depois de desbaratar um esquema de corrupção na saúde pública do Rio na operação Fatura Exposta, que levou empresários e o ex-secretário de saúde do estado à prisão, a força-tarefa da Lava-Jato volta às ruas nesta quarta-feira para prender o empresário Miguel Iskin, seu sócio Gustavo Estellita e outras 20 pessoas, além da busca e apreensão em 44 endereços no Rio, São Paulo, Paraíba, Minas Gerais e no Distrito Federal. Também foi decretado o bloqueio de bens dos investigados no valor de R$ 1,2 bilhão na operação denominada Ressonância. Um dos mandados de busca e apreensão está sendo cumprido no apartamento do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes, na Lagoa, zona sul do Rio, que deve também depor à Polícia Federal.

A operação mira agora empresas envolvidas no esquema de cartelização e desvio de dinheiro no fornecimento de próteses e equipamentos médicos por meio de fraudes em licitações no chamado “clube do pregão internacional” liderado por Iskin.

HAVIA UM CARTEL – Foi identificado um cartel de fornecedores que atuou entre os anos de 1996 e 2017 no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Há mandado de prisão também contra o atual diretor-geral do Into, André Loyelo, e contra dois executivos da Philips do Brasil, uma das 37 empresas envolvidas no esquema e acusadas dos crimes de formação de cartel, corrupção, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As investigações destacam ainda a atuação de Jair Vinnicius Ramos da Veiga, conhecido como Coronel Veiga, responsável por controlar de fato as licitações no Into e na Secretaria Estadual de Saúde. Ele também será preso.

Depois da etapa de investigação feita no ano passado, que culminou na prisão do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes, de Iskin e de seu operador Estellita, o Ministério Público Federal (MPF) precisou da ajuda do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Conselho de Controle de Atividades Financeirasa (Coaf) para auditar contratos e importações feitas por órgãos federais, entre eles o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).

OSCAR ISKIN – O núcleo operacional da organização criminosa era formado por funcionários de confiança da empresa Oscar Iskin. De acordo com o MPF, eles eram responsáveis por fazer a ligação entre o setor público (núcleo administrativo-político) e os empresários cartelizados (núcleo econômico) para direcionar as demandas públicas (insumos médicos a serem adquiridos e cotação de preços fraudadas) e as contratações, mediante a desclassificação ilícita de concorrentes que não faziam parte do cartel.

O esquema de corrupção pagava propinas milionárias, as quais eram custeadas com base na arrecadação de valores com as empresas beneficiárias das licitações, seja por meio de pagamento de ‘comissões’ no exterior (correspondentes a cerca de 40% dos contratos), seja por meio do recolhimento no Brasil de valores entre 10% e 13% dos contratos firmados pelas empresas do cartel.

LICITAÇÕES – As fraudes nas licitações se deram por meio de inserção de cláusulas restritivas da competitividade para beneficiar as empresas de Miguel Iskin. Quando outras empresas começaram a também preencher os requisitos arbitrários impostos nas licitações, no final de 2004, a organização criminosa, de acordo com os investigadores, passou a se valer de pregões internacionais com o objetivo de “proteger” as empresas de Iskin no esquema diante da concorrência. O ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e seu braço direito Cesar Romero deram então marcha a um plano de lançar um “pregão internacional” para cotar os equipamentos que seriam adquiridos pelo Into.

De acordo com o MPF, as empresas que faziam parte da licitação eram todas trazidas ao Brasil por Iskin, de maneira que elas se arranjavam entre si para dar “cobertura” a outra, fraudando a licitação e privilegiando a vitória de uma determinada “concorrente”. A investigação, baseada na colaboração de Romero aos procuradores, sustenta ainda que as participantes desse “clube do pregão internacional” se revezavam para que cada uma ganhasse na sua vez.

LAVAGEM – Para o recebimento dos valores, Miguel Iskin montou uma rede complexa de lavagem de dinheiro, utilizando-se de offshores em diversos países e empresas no Brasil. O esquema funcionava de maneira similar na Secretaria de Saúde, onde se identificou fraude em contratos com a empresa Maquet e a adesão a atas de registro de preço do Into nas quais também foram encontradas irregularidades.

Além da delação premiada de Romero, a investigação da Fatura Exposta se valeu também de papéis manuscritos e e-mails coletados na casa de Luiz Carlos Bezerra, apontado como operador financeiro de Cabral junto a empreiteiras e preso com o ex-governador na operação Calicute, em novembro do ano retrasado.

Chamou a atenção dos procuradores do MPF o fato de Bezerra não seguir, como outros integrantes do esquema, protocolos rígidos de segurança. Os investigadores não tiveram dificuldade para ter acesso a planilhas que mostravam inclusive pagamento a Sérgio Cabral.

XERIFE – O MPF sustenta que a organização costumava usar criptografia, mas Bezerra era quem fazia anotações de toda a contabilidade. E também mandava e-mails para si mesmo com planilhas. Miguel Iskin era identificado como “xerife”. E, a partir dessas anotações, foram identificados pelo menos R$ 16,4 milhões destinados a Cabral neste esquema.

Como revelou O Globo no dia da operação Fatura Exposta, a fraude, aplicada nas regras de importação, permitiu que uma máfia formada por empresários e gestores públicos desviasse, por pelo menos 12 anos (2003-2014), de 40% a 60% de um total de R$ 500 milhões gastos pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio (SES) e pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) em compras internacionais de equipamentos médicos de alta complexidade, como macas elétricas, monitores transcutâneos, aparelhos cirúrgicos e unidade móveis de saúde.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sérgio Cortes foi beneficiado por decisão de Gilmar Mendes, e no dia seguinte saiu à rua e acompanhou a mulher a um shopping. Deveria ser preso de novo. Ficaria até agosto na prisão, pelo menos, enquanto Gilmar curte o recesso judiciário e não retoma a libertação em série dos ladrões de recursos públicos. (C.N.)    

19 thoughts on “Lava-Jato manda prender empresários do esquema Cabral que fraudaram Into

  1. No Estado do RJ, foi criada uma gigantesca quadrilha criminosa chefiada pelo Sérgio Cabral, e com o aval de Lula e Dilma.

    Todo mundo sabe disso! E todos os contribuintes de impostos no Brasil estão pagando a bilionária conta dos gigantescos roubos realizados.

    No entanto o Estado do RJ continua sendo governado por um cúmplice do Cabral. E tudo fica por isso mesmo!

    Viva a Copa do Mundo!

    • Ah, se em vez de sabiás a cantar e tantos passarinhos a gorgear nas árvores da minha terra, houvesse homens bem intencionados; se houvesse bravos soldados e não covardes de farda, até que voltaria pra lá!

      • Caro Sapo, assino, Gonçalves Dias, hoje, não poderia fazer sua canção. O sinistro Gilmar Mente, terá que acertar sua malignidade no Tribunal que faz Justiça, a Divina, na Consciência, pós túmulo, com o Ranger de dentes, Gilmar é o ser mais nojento do momento.

  2. ora,
    besteira, tolice,
    para que tanta admiração?

    logo, logo,
    com um pôkim do que foi afanado, a gangue toda
    compra doses e mais doses
    de gilmarcilina, via sedal,
    e estará tudo solto!
    e antes desse tal Bezerra virar touro!

  3. Os empresários são os menos culpados: eles não prestaram juramento, não ingressaram por concurso público, não receberam nomeação para cargo de confiança, nem foram sufragados pelo eleitorado. Empreendedores têm cérebros de judeus; dinheiro para eles é sangue no olhar do vampiro.
    O Agente Público sim, esse deve levar um cacete sem dó!

      • Preceito? Na contramão! Ressaltar aquilo que condena alguém à desvantagem; isso pode ser qualificado como depreciação. Seria o mesmo que outrem destacar meus olhos verdes, com o intuito de me denegrir.

      • Que tal o Bibi, mais conhecido como Benjamin Netanyahu?! Esse deve ser odiado até pela propria progenitora!
        E esse Itzhak Perlman de que falas toca na bateria de alguma escola de samba? Senão, não é dos meus!

  4. Deveriam ir atrás do dinheiro desviado. Todo mundo satisfeito com as prisões, mas esquecem da grana que deveria retornar aos cofres públicos. Onde está a grana? Cabral está preso, mas o estado do Rio de Janeiro não recuperou um décimo milionésimo dos recursos desviados. Esse dinheiro desapareceu? Desviaram recursos públicos para jogar o dinheiro fora? Bom, a grana está em algum lugar, então está na hora de recuperar. Não apenas frações irrisórias, mas tudo. Entregar cabeças não é suficiente.

    • Na verdade, quando forem descobertos os seus crimes, irá se exilar em Portugal, mas devido à migração de brasileiros para lá, vai ser escorraçadona porrada por brasileiros em pleno Portugal.

    • Caro Roberto, Justiça no STF, que está stf, com maioria de sinistros, que estupram a justiça, torna a justiça , justiça de merda, a proteger ladrões hediondos do cofre público.
      Um STF desse quilate, sua obra é maligna, que infelicita 220 milhões.

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