Leia aqui um dos artigos mais desumanos escritos nos últimos tempos

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Abandonar o idoso pode ser a “busca da felicidade”?

Carlos Newton

Faz tempo que não sai um artigo tão desumano na grande mídia. Foi publicado na Folha de S. Paulo, no último dia 3. Achei o título tão absurdo que tentei ler o artigo e me surpreendi, porque só está acessível a assinantes do jornal, o que significa o alto prestígio do colunista. Como sou assinante, entrei com a senha e tive acesso a essa preciosidade.

Luiz Felipe Pondé se diz filósofo, escritor e ensaísta, pós-doutorado em Epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, discute temas como comportamento, religião, ciência. Escreve às segundas-feiras na Folha. De família judaica, diz ser ateu e acreditar em vários deuses. Está chegando aos 60 anos, é casado e tem dois filhos, Noam e Dafna.

Pelo conteúdo de seu artigo, Pondé aconselha que os filhos abandonem os pais idosos em abrigos (que ele prefere chamar de “casa de repouso”), sob a justificativa de que os mais jovens têm direito de serem felizes. A tese é grotesca, egoísta e ignóbil. Por uma questão de piedade, espera-se que os filhos de Pondé não procedam assim em relação a ele, quando chegar a hora.

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DEIXAR OS PAIS NA CASA DE REPOUSO É UM “DIREITO DO CIDADÃO” QUE QUER SER FELIZ

Luiz Felipe Pondé
Folha

Acho a autoajuda e o politicamente correto duas formas de mau-caratismo. Minha crítica máxima aos dois nasce da minha certeza (tenho poucas) de que o sofrimento é fonte inexorável do amadurecimento, coisa rara em épocas retardadas como a nossa. O projeto contemporâneo é chegar aos 60 anos com cabeça de 15. Logo, retardo mental como projeto de vida. Uma conquista contra a inteligência.

Um dos temas prediletos do mau-caratismo é a chamada “terceira idade”. Um mercado, claro, devido à longevidade da espécie nos últimos anos. Já se tratou a velhice como “melhor idade” também. Uma ofensa à experiência humana real.

AMBIVALÊNCIA – A longevidade estendida é um dos casos mais claros da famosa ambivalência descrita por Zygmunt Bauman (1925-2017). Um bem evidente por um lado, um drama humano gigantesco por outro, sem solução, como toda ambivalência que se preze. O mais sábio dos meus amigos costuma dizer que uma das versões do inferno no futuro será a impossibilidade de morrer. Você vai querer morrer e não conseguirá.

Sem fazer referência necessariamente a toda gama de pessoas que vegetam por aí em leitos aparelhados com tecnologia de “primeira linha” para a humanidade vegetativa, a longevidade puramente fisiológica, muitas vezes acompanhada pela perda de funções cognitivas essenciais, atormentará o humano daqui para a frente.

LONGEVIDADE – A maravilhosa peça “O Pai”, de Florian Zeller, com direção de Léo Stefanini, cujo elenco é encabeçado por Fulvio Stefanini (brilhante como o pai da peça, vencedor do Prêmio Shell de melhor ator em 2016), em cartaz no teatro Fernando Torres, em São Paulo, é essencial para pensarmos o tema da longevidade para além do marketing da longevidade.

Este é caracterizado por um discurso, como (quase) sempre no marketing, de facilitação da realidade em nome de um otimismo besta.

O impacto dos avanços tecnológicos, científicos e médicos criaram uma sobrevida na espécie humana jamais imaginada. Vivemos mais, mas somos cada vez mais solitários. Muito metabolismo para uma alma cada vez mais dissociada de si mesma. A peça tem, entre outras qualidades, a capacidade de levar você para dentro dessa alma idosa longeva e solitária, graças ao texto, às interpretações e à direção.

SURTO DE HISTERIA – A solidão é uma epidemia contemporânea, em meio ao maior surto de histeria já enfrentado pela humanidade. Solidão e histeria, juntas, formam uma mistura explosiva em termos epidemiológicos.

Os avanços sociais e políticos, passo a passo com os avanços técnicos citados acima, produzem uma sociabilidade cada vez mais egoísta — o egoísmo é a grande revolução moral moderna. As pessoas emancipadas tendem ao egoísmo como forma de autonomia.

Inteligentinhos não entendem isso muito bem porque são as maiores vítimas do marketing de comportamento que se pode imaginar. Emancipados pensam em si mesmos, antes de tudo, como consumidores do direito ao egoísmo.

OS IDOSOS SOFREM – Sempre soubemos que os idosos sofrem na mão dos filhos homens e de suas mulheres, que quase nunca suportam seus sogros, que insistem em ficar vivos. As filhas, que quase sempre suportaram o ônus da lida com os pais, agora se libertam e também querem vida própria (claro que existem exceções ao descrito acima, que filhos, filhas, genros e noras ofendidinhos não fiquem nervosos em demasia).

As filhas também têm o direito de cuidar de si mesmas, é evidente. Deixar os pais na casa de repouso é um “direito de todo cidadão” que quer ser feliz sem ter que viver cuidando de pais que nunca morrem. Por isso que o mercado gerontológico só cresce.

SEM SOLUÇÃO – Além disso, a crescente queda na natalidade, que caracteriza os mesmos países de crescente população longeva, só tende a agravar o quadro. Baixa natalidade e alta longevidade são ambas frutos da mesma riqueza instalada na sociedade: alta tecnologia e direitos sociais são manifestações diretas dessa riqueza. Filhos únicos serão idosos longevos solitários, dependentes de serviços que ocupam o vazio deixado pelas famílias.

Qual a solução pra isso? Não há. Um mundo de velhos solitários é o futuro de um mundo de ricos autônomos e amedrontados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É um dos artigos mais desumanos já escritos. Talvez Pondé tenha abandonado os pais ou sogros num asilo e agora esteja querendo se livrar da culpa, aliviar o peso da consciência. Ou talvez seja apenas egoísta e insensível, querendo tirar uma onda de moderninho. De toda forma, demonstra sua colossal falta de caráter. Os filhos jamais serão felizes se abandonarem os pais ou parentes em abrigos (ou “casas de repouso”, como amacia Pondé). Só podem proceder assim se forem insensíveis e tiverem uma pedra no lugar do coração. Da mesma forma como nossos pais cuidaram de nós quando nascemos e éramos crianças, temos de cuidar deles na chamada segunda infância. Na teoria do autodenominado filósofo Pondé, os pais de crianças deficientes e com graves problemas também “têm direito” de abandoná-las em “casas de repouso” para que eles (os pais) possam ser felizes. Chamar isso de “felicidade” parece ser um bocado de exagero. É inacreditável que a Folha dê algum prestigio a esse tipo de “articulista”. (C.N.)

58 thoughts on “Leia aqui um dos artigos mais desumanos escritos nos últimos tempos

  1. 1) Concordo CN, lembrei do Pensador Sidarta Gautama, o Buda, que já no século VI antes de Cristo, declarava:

    2) “Se vc não tem nenhum Deus para reverenciar, cuide de seus pais. Agradeça a eles sempre”.

    • Essas palavras bonitas não saem nunca do papel.A realidade que vivemos é bem essa que o Pondé escreveu.Eu concordo com ele sim.É melhor colocar no asilo doque fingir que esta cuidando dos pais,sugando todo o pouco dinheiro do velhinho,deixando o pobrezinho morrer de fome,largado numa cama sem cuidados.Agora quem quizer cuidar porque se sente grato,melhor ainda.Eu vejo na midia todo dia filho judiando dos pais.É preferivel colocar no asilo.Essa é a realidade nua e crua que vivemos.

      • eu respeito a opnião de todos,se quizerem respeite a minha.somos imperfeitos.cometemos erros o tempo todo.A gente tem livre arbítrio. Ninguem é obrigado a nada.Sera maravilhoso saber que todos os filhos sentem gratidao pelos pais.Eu acredito em Jeova Deus que nos últimos dias os filhos nao respeitariam mais os pais.Por isso que eu concordo com o Pondé,que ao invés judia,bater,roubar,torturar,humilhar e usufruir todo dinheiro ,é pteferivel colocar no asilo e ser feliz.

  2. As vezes pessoas que se acham a fina flor da intelectualidade, não imaginam o papel grotesco que fazem , caindo no ridículo. O texto de Pondé foi raso e tosco, haja vista a multiplicidade de casos que teriam que ser analisados em profundidade. O que me chamou atenção foi o medo subliminar ao chegar a condição de, um dia , vir a ser colocado num asilo. e aí seus familiares poderem ser felizes…

  3. Endosso os comentários do Moderador e da Isis. Na melhor das hipóteses, esse judeu, com todo respeito, já está caduco para a idade que diz ter…

  4. Vivemos tempos em que matar seres no ventre já é permissível; também, tempos em que avançam teses que demonstram ser a pedofilia um processo natural do ser humano; tempos, ainda, em que se discute, e muitas vezes talvez se pratica no recôndito de ambientes pouco acessíveis, a eutanásia a doentes terminais; tempos em que fetos abandonados são encontrados amiúde nas lixeiras e nas ruas; e, agora, tempos em que se discute livremente o abandono de idosos. Há muitos outros “tempos de absurdos”, mas, paro por aqui. Estou perdido, amarrado firmemente aos princípios comportamentais e psicossociais que moldaram meu caráter e minha personalidade, num ambiente dito “moderno”, mas, certamente, cruel. Muito cruel! Resta-me a dúvida sobre o que move a pena de escritor como esse, dito bem formado, propondo tese desse tipo. Talvez fosse conveniente um olhar sobre sua vida pessoal para identificar eventuais atitudes desse tipo, absolutamente questionáveis.

    • eu acredito em Jeová Deus.Laem tito diz que nos ultimos dias a gente viveria tempos dificeis com as pessoas: os filhos nao tespeitariam mais os pais,seriam ingratos.O que eu entendi do Pondé é que ao inves de judiá(quem judia dos pais é porque tambem ta infeliz),é melhor colocá los no asilo e ser feliz.Essa é a realidade de hje: a maioria dos filhos querem apenas o dinheiro dos pais.A minoria tem essa gratidao e falar em asilo é uma ofensa.Para muitos velhinhos que sofrem nas maos dos filho o asilo pode ser o melhor lugar.

  5. Carlos Newton, não perco meu tempo com essas figuras menores que a “mídia” incensa e se diz superiores ao ser humano normal que somos todos nós, pobres mortais ! No final de 2016, perdí minha Amada Mãe com 96 anos, morando comigo na minha casa junto com minha Esposa e meus filhos, após a perda da minha irmã solteira que morava com ela em 2013 ! Bravamente e com muita fé, em meio as dificuldades de ser um Aposentado, cuidei dela como se cuida de um cristal, frágil e com saudade da filha mais velha que se foi antes dela. Essa dor da saudade ainda carrego nesses 6 meses de perda, como até hoje sinto saudades de meu Pai que foi antes, lá se vão 33 anos. Se hoje me fosse dado essa oportunidade de cuidar de meus Pais na velhice o fazia com o mesmo Ardor e Amor, pois Amor nunca se acaba e principalmente por aqueles que deram suas vidas para nos ter e nos criar. Esses “falsos profetas” desse presente sem futuro, chamam isso de “falta de foco, falta de competitividade” e por aí vai ! É triste ler essas asneiras e não se sentir com dor na alma humana, dessas que dão um medo de nosso futuro como seres humanos. Na semana passada já vimos na mídia, japoneses vivendo com “bonecas infláveis” e simulando que aquilo era Família. Não vai faltar “palestrante boquirroto” nesse país para nos mandar criar um app. que tenha um ser humano mulher ou homem e se relacionar no mundo internético, inodoro e sem sentido forma ou conteúdo e dizer que é o “relacionamento do futuro” , talvez os apelide de “startup do amor” já que essa palavra é a mais usada quando querem falar em desenvolvimento, claro que associada a palavra “inovação” . Meu saudoso e Amado Pai me dizia lá na década de 80 do século passado que o homem estava “involuindo” , proféticas palavras daquele homem que até em sua ausência física me ensina a sobreviver na minha velhice ! E o Amor por onde o esconderam ???? Minha Mãe se foi com 96 anos, meu Pai se estivesse vivo estaria com 100 anos, nunca jamais os iria abandonar em abrigos quando eu fui criado no lar de amor construído pelos dois, agora era a hora da gratidão e reconhecimento, o retorno do menino que foi carregado nos braços deles os carregar em seus braços, o nome disso é AMOR, PLENAMENTE !

  6. Pondé, na condição de descendente de judeus, age repudiando a tradição de seus pais e antepassados, ao desprezar os idosos dessa forma, principalmente os pais!

    Texto maldoso, cruel, frio, calculista, o pretenso filósofo deixa de lado a característica fundamental do ser humano, a humanidade, a consideração, o respeito por aqueles que lhe deram a vida!

    E como se abandonar os genitores porque velhos e precisam de maiores cuidados fosse sinônimo de se encontrar a felicidade!

    O tal “filósofo”, que derrapa nas palavras vergonhosamente, então mal intencionado ou um legítimo animal IRRACIONAL, ainda esquece o Estatuto do Idoso, que colocaria na CADEIA o filho mal agradecido, o impiedoso, e desalmado indivíduo!

    Ainda por cima o triste e idiota “filósofo” dá maus conselhos, pois desconsidera um conjunto de leis que justamente existe para proteger os idosos de seres como este carrasco, este algoz de seus pais, este verdugo de familiares que estão velhos!

    E logo descendente de judeus, um dos povos que mais enaltece e respeita os velhos, renegando a sua origem e educação!

    Que exemplo mais infeliz de agradecer aos pais a formação que alega ter, de doutor em Epistemologia(?!), exatamente a teoria – repito -, TEORIA do conhecimento, ou seja, o “filósofo” não passa de um teórico ser humano, um indivíduo sem formação ainda porque sem sentimentos, uma pedra que precisaria ser polida.

    Artigo deprimente, deplorável, que diminui o ser humano, reduz a pessoa, transforma-a em uma coisa, um objeto que, enquanto novo e produzindo, ótimo, velho e improdutivo, deixa morrer em um asilo ou abandona-os em qualquer canto da cidade.

    Pondé deveria se utilizar do sistema de Hitler, muito mais prático:
    Sugerir aos filhos que pensam como ele ou comungam de sua ideia, trancafiar os pais em um depósito, fechar hermeticamente as portas e janelas, e matá-los com gás, simples!

    Que indivíduo mais desgraçado, legitimamente desgraçado, um pústula, uma chaga humana ambulante!

    Que o diabo o carregue, pois este o malfadado “filósofo” vai conhecer, haja vista alegar que não acredita em Deus, mas as forças do mal irão recebê-lo quando deixar este mundo – e tomara que em seguida!

      • Nelson,

        Programo esta viagem com muito cuidado não deixando detalhes de lado, pois a ideia é conhecer pessoalmente os meus amigos e colegas deste blog incomparável pessoalmente, e discutirmos maneiras e formas de ampliá-lo e deixá-lo cada vez mais forte, mais representativo, mais importante, haja vista o meu desejo de colaborar, de prestar a minha ajuda para o crescimento deste espaço democrático.

        E não vou para ir e voltar no mesmo dia, mas sair na quarta e retornar na quinta, depois de almoçar e jantar com o pessoal, após muito tempo de conversa, risadas, casos, e situações vividas como testemunha de episódios que fizeram história.

        E rever a Cidade Maravilhosa, que não a visito há 22 anos!

        Um forte abraço, Nelson.
        Saúde e paz.

  7. Caro Newton,
    Permita-me discordar de você. O Pondé coloca o malfadado “direito” entre aspas exatamente oara criticar o que os filhos modernos, segundo ele, estão pensando. Em nenhum momento do artigo ele concorda com essa posição. Ele apenas expõe, e critica,q o que ele percebe que está acontecendo à sua volta. Basta olhar a penúltima frase do artigo.
    Acho, Carlos, que o seu grande coração fez com que você se revoltasse (justificadamente) com a primeira impressão do artigo e não deixou que você chegasse ao seu verdadeiro intuito.
    Um abraço do
    Mano

    • Caríssimo Wilson,

      Ou sou mesmo um mentecapto – seguidamente me questiono a respeito – ou, então o “filósofo” escreveu um texto ambíguo!

      Ou não soube transmitir o seu recado para os simples mortais, apenas para pessoas de nível intelectual de exceção, que é o teu caso e sou testemunha!

      A começar que foste o único que escreveu interpretando o artigo diferente dos comentários postados, e isso é interessante, haja vista eu voltar a ler e reler a postagem que deixou o Newton e a mim indignados!

      Acho que faltou capacidade para o Pondé ter sido claro, de escrever sobre uma realidade onde usou de expressões e exemplos que foram contraditórios e confusos, em consequência as respostas parecidas à minha, enquanto tu escreves concordando com a forma como o filósofo deixou patente.

      Na condição de um admirador e grande amizade que tenho por ti, além do respeito e reverência, agradeço a chande de debater esta questão, pois a unanimidade com relação ao repúdio deste artigo será bem-vinda à elucidação do texto, que, dado a gravidade do tema, precisa mesmo ser esmiuçado, fragmentado, sob pena de estarmos literalmente tratando seres humanos e nossos pais e parentes como descartáveis, copos de plástico, uma vez usados para sorvemos bebidas, jogados fora imediatamente, atirados no lixo!

      Um fortíssimo abraço, meu caro Mano.
      Muita saúde e paz, e obrigado, com sinceridade, pela mostragem do outro lado, daquele que concorda com o autor e alerta quanto aos comentários que podem ter sido escritos inicialmente conforme a emoção de uma primeira leitura sem maiores atenções!

    • Não, amigo Wilson Baptista Filho, pode discordar à vontade. Mas o fato é que Pondé não quis ser irônico e errou na dose. Ele realmente está defendendo a ideia de que os filhos devem abandonar os pais. Caso contrário, não teria usado como exemplo a peça “O Pai”, do jovem dramaturgo francês Florian Zeller, que trata da relação de uma filha com o pai que tem demência senil.

      Foi o que me deu certeza de que não se trata de uma ironia mal interpretada, conforme você sugere.

      Abs.

      CN

      • Sem dúvida alguma, Newton. Este é o mesmo pensamento meu ao ler o texto, claro e objetivo de per si, e bem situado no contexto do pensar daquele escriba. Se é que pensa.

    • Wilson
      Conhecendo o estilo do Pondé e com as “aspas” a chamar a atenção , também fiz a leitura pelo lado da crítica feita aos filhos/filhas e as famílias que depositam seus idosos para poderem “viver melhor”.
      Tenho comentado aqui e ali que, as próximas gerações devem fazer seguro-asilo (ou o nome que vier a ser). Com companheiras e filhos espalhados em “famílias” multi-facetas, será difícil até de se encontrarem.
      Vamos em frente.
      Abraço e saúde.
      Fallavena

    • Da leitura do texto de Pondé entendi a análise fria de conceitos que se espalham em nossa sociedade atual. A crítica contundente da TI me fêz pensar que não havia lido com a devida atenção. Uma segunda leitura reforçou minha interpretação. Fico feliz d e saber que outros leitores entenderam como eu.

      • Para quem costuma ler ou escutar as palestras de Pondé, fica clara a ironia e a crítica ácida aos modernos “valores” de busca da felicidade. O uso das haspas no texto, ao meu ver, só reforçam essa idéia.

    • Olá, boa noite. Esta é a primeira vez que entro neste blog, então, peço licença para comentar. Concordo com o Wilson. Sou uma leitora que acompanha o Pondé há alguns anos, muitas vezes lamentando o que ele diz. Exemplo disso é a opinião dele sobre mulheres, em geral, e particularmente a respeito das feministas. Acredito que muita gente que ficou chocada ao ler este post, concordar área enfática mente sobre algumas opiniões dele sobre esquerda, Dilma e Lula, Olavo de Carvalho, comunistas. Eu leio. Tudo. E tento entender o ponto de vista desse homem tão complexo. Neste texto específico, concordo com o leitor William, e vejo mais como uma crítica/constatação do Pondé ao que já se desenha na sociedade, que um manifesto de apoio. Apesar que acredito que ele apoie a ideia. Mas não tem certeza. E não tem coragem de ser sincero sobre o tema – deixar os idosos aonde lhes cabe, nessa sociedade na qual tudo é descartável -, coragem que não lhe falta ao atacar as mulheres que questionam o patriarcado. De uma forma geral, ele só constata para onde caminhamos, como bom pessimista (e neste caso específico, para meu desgosto, concordo com ele). Sou mãe. Tenho apenas um filho. Tenho 45 anos. Meu filho tem oito. Vivemos em uma cidade gigante, sem família ou laços afetivos. Fruto das minhas escolhas, mas também da modernidade. Não deixo, ao passar dos anos, de me preocupar com o peso que me tornarei, em 40 anos, para o meu filho. E penso em algumas tradições indígenas em que os idosos se afastavam das suas tribos para não atrapalhar o grupo. Tudo é cultura. No Ocidente, ser velho é um pecado. Como para nós, casa de repouso é um pecado. Não há respostas fáceis para isso. Existem idosos que talvez estivessem mais felizes em asilos do que com suas famílias. Existem velhos, como eu, e talvez o Pondé, que prefiram não se tornar um estorvo para os filhos (e vice-versa). Existem pessoas que amam cuidar dos seus idosos, sem com isso se tornarem escravos da culpa. Existem pessoas que nunca tiveram filhos, nunca tiveram parceiros, não têm mais ninguém para ficar ou cuidar delas. Existem todos os modelos e formas no mundo. Só acho que conforme envelhecemos, e isto é um fato, devemos pensar na sociedade que construimos. No mau caratismo do marketing, como o Pondé bem aponta, que faz com que os velhos e jovens não tenham mais nenhuma noção ética. Uma noção que não tenha nada a ver com religião, moralismo, costumes. Esse judeu, ao menos para mim, falou neste tema específico algo bem pertinente. Pena que ao apontar os males da histeria moderna, tenha tido medo de enfrentá-la.

  8. Caríssimos amigos e amigas Tribunários (as)
    Acho que estou ficando muito idoso, lendo errado e sem raciocínio.
    Li o artigo e, mesmo reconhecendo a tristeza nele contido, entendo espelhar a verdade!
    Não vejo que Pondé queira assim. Entendo que, apenas e tão somente comentou o que já acontece. Gostarmos do que hoje já é uma realidade para milhares de idosos/famílias.
    Claro que tem filhos/filhas que jamais abandonaram seus pais. Mas estão, cada vez mais, se tornando raros.
    Se isto fosse algo fantasioso, pergunto:
    – quando foi que tivemos tantos “depósitos” de crianças, desde os primeiros meses de idade? Hoje, prefeituras e estados são cobrados por mais “creches” para depositarem os filhos!
    – quando foi que tivemos tanas clínicas, asilos, casas de saúde e, mais recentemente, condomínios de idosos solitários e abandonados ou que, por escolha própria, se afastaram de suas famílias?
    Uma coisa é o que defendemos nós, os mais idosos, que presamos nossos pais ainda vivos. As gerações seguintes demonstram poucas preocupações com cônjuges, filhos, netos e tudo mais!
    Alguma duvida que a família, como conhecemos e construímos, está em fase final de desmanche, de desmonte? Nem o sobrenome está sendo “usado e cruzado” para garantir as origens!
    A menos que, como disse no início, esteja eu “fora da casinha”, fiz uma leitura muito diferente do texto acima. Mas sempre com o devido e justo respeito as opiniões em contrário.
    Pondé é extremamente sarcástico. O texto, pelo menos para mim, também o é nas no sentido de chamar a atenção para a realidade de hoje e do futuro próximo.
    Abraço e saúde a todos.
    Fallavena

    • Desculpe, amigo Fallavena, mas o filósofo Pondé realmente está defendendo a ideia de que os filhos devem abandonar os pais. Seu texto é contraditório e confuso, concordo, mas ele usou o exemplo da peça “O Pai”, do jovem dramaturgo francês Florian Zeller, que trata da relação de uma filha com o pai que tem demência senil, para mostrar que abandonar o pai noa silo significará a “felicidade” da filha.

      Foi essa citação da peça que me deu certeza de que não se trata de uma ironia mal interpretada, conforme você sugere.

      Abs.

      CN

      • O que mais entristece, além da “leitura” pessoal defendida como a “correta”, é ver diversos leitores mencionarem ” judeu” em tom depreciativo. Já chegamos a isso?

        • Prezada Anna Maria Marques,

          Ao longo do tempo que frequento a TI tenho sido um incentivador obcecado pela participação feminina neste blog.

          Assim, encontro-me à vontade para te pedir que deverias apontar quem usou pejorativamente a palavra “judeu”, de modo que não se instale neste espaço democrático qualquer tipo de preconceito, pois repudiáveis.

          Eu fiz uso dessa origem no meu primeiro comentário quando escrevi que Pondé era descendente de judeus, e não fui em nenhum aspecto, inclusive até de opiniões que teriam de má vontade para comigo neste particular, ofensivo ou depreciativo, pelo contrário, enfatizei o seu berço pelas qualidades do povo judeu, principalmente no que diz respeito à forma como tratam seus idosos.

          Desta forma, este meu comentário em relação ao que escreveste, pois generalizaste, e achei que eu deveria esclarecer a minha posição, haja vista eu já ter tido uma severa encrenca no passado, neste mesmo espaço, com uma besta que se apresentava simpática ao nazismo!!!

          Mais a mais não vejo qualquer problema quando mencionamos a nacionalidade de quem que seja, se americana, francesa, alemã, inglesa, italiana, brasileira … por que judeu seria ofensivo?!

          Se é assim, temos de nos posicionarmos contra a definição que os judeus nos dão de gentios, que designa quem não é israelita por um lado, e idólatra ou pagão pelo outro!

          E está feita posta na mesa uma encrenca desnecessária, viu?!

          Reafirmo que, Pondé, descendente de JUDEUS … conforme escrevi acima não foi depreciativo, mas salientando uma das características desse povo que o filósofo afrontou, ignorou, razão pela qual eu ter frisado a sua origem.

          Shalom, Anna.

    • Bom, estou diante de dois grandes amigos que escreveram diferente da maioria dos comentários postados!

      E dois amigos muito inteligentes, de grandes conhecimentos sobre a natureza humana, experientes, e formados academicamente!

      Preciso considerar seus textos.

      Mas entendi que o “filósofo” não foi claro, deixou a desejar sobre aquilo que as suas palavras seriam como recomendação, recado ou sugestão.

      Posso ter entendido errado, consequentemente, mas relendo o artigo e cada vez mais debruçado sobre as entrelinhas, acho que Pondé foi absolutamente infeliz na essência do seu registro, e mesmo considerando que dois amigos e muitíssimos mais inteligentes que eu tenham concordado entre si, continuo abraçando o que escrevi a respeito, então penso diferente de ambos, mas evitando eu de dizer que estão errados na suas interpretações porque errado seria eu em escrever desta forma, mas aplaudindo o contraditório, o debate, e a posição firme de Wilson e Fallavena, que devo respeitar e acatar, apesar de discordar.

      Abraço a ambos, forte e fraterno.
      Saúde e paz, para todos nós, pois tenho certeza absoluta que nossos filhos jamais nos abandonariam em asilos ou casas de repouso ou tenham lá o nome que tiverem, pois nós os sustentamos, educamos e formamos com amor, carinho, afeto, consideração, e sempre estivemos ao lado deles, nas horas ruins e maravilhosas, e ainda hoje cumprimos com as nossas obrigações de pais, alguns já avós, como os meus dois amigos e eu também, portanto, a velhice nos aguarda de braços abertos, sorriso largo, e abraço aconchegante.

    • Fallavena, assino o teu texto também. O grande problema é a negação que as pessoas têm aos problemas, quando se fala de família.

  9. O texto do Pondé faz uma crítica ao egoísmo. Tanto que ele coloca entre aspas “o direito de todo cidadão”. Ele faz uma análise perfeita sobre a solidão dos idosos, que hoje graças à tecnologia vivem além do razoável. Que implica na “falta de tempo” dos jovens, que querem “ser felizes”, e egoisticamente abandonam os pais,sogros,tios etc.

    Desculpas, mas creio que a interpretação do texto foi equivocada.

    Outra coisa, com todo o respeito, ainda que o texto do Pondé fosse realmente em defesa de colocar os idosos num asilo, autoritário pensar que a Folha não deveria aceitar textos desse tipo, e a liberdade de expressão, é só para quando concordamos com os escritos?

    • Desculpe, Olga Belem, mas insisto que o filósofo Pondé, num texto confuso, realmente defendeu a ideia de que os filhos devem abandonar os pais, porque usou o exemplo da peça “O Pai”, do jovem dramaturgo francês Florian Zeller, que trata da relação de uma filha com o pai que tem demência senil. Foi essa citação da peça que me deu certeza de que não se trata de uma ironia mal interpretada, conforme você sugere. Se a “ironia” do Pondé ficou sujeita a dúvidas, é melhor que ele próprio se explique.

      Quanto ao direito de expressão desse tipo de opinião teratológica, minha ironia não chega a tanto… Sei que muita gente interna os parentes (pais, filhos, cônjuges etc) em asilos. Mas isso só deve ser feito em último caso, quando os pacientes já não reconhecem os parentes e realmente necessitam de cuidados especiais

      Abs.

      CN

  10. Prezado Carlos Newton,
    Com todo o respeito, ouso divergir do seu entendimento.
    Ao contrário do que o caro mediador entendeu, o filósofo Luiz Felipe Pondé não está defendendo a ideia de que os filhos devam abandonar os seus pais.
    No texto o seu articulista nos faz crer que o ato dos filhos que abandonam os seus progenitores em casas de repousos seria um ato egoísta.

    • Pode divergir à vontade, amigo Belem. Apenas acho que não cabem brincadeiras nem ironias nesse tipo de assunto. Se Pondé o fez (ironias e brincadeiras), minha crítica é ainda mais válida. É assunto humanitário, que requer seriedade, especialmente de quem se diz especialista em Epistemologia. Brincadeira tem hora, como se dizia antigamente.

      Forte abraço,

      CN

  11. Há alternativas. Ou levar o idoso, enquanto trabalha para uma casa que cuida de idosos, e a noite buscá-lo para sua casa, ou contratar um cuidador(a) de idosos. Há casas de idosos que é melhor do que casa de sua família, onde os parentes não têm paciência.
    O ideal seria que cada um se preparasse para envelhecer sem dar trabalho aos filhos – infelizmente uso “dar trabalho”, aceitar o que vier. Conheci uma senhora que estava internada numa “casa de repouso”; nenhum parente ia visitá-la. O neto aparecia lá para pagar a mensalidade, mas nem ia ver a avó. Também conheço uma senhora que tem 6 filhos. Nenhum quer ficar com a mãe, pois entendem que cada um deve viver sua vida. Por outro lado, minha sogra ficou viúva e os 3 filhos brigavam para ficar com ela, quando chegaram a um acordo: ela passaria uma temporada em casa de cada um.
    Li no Google sobre um marido apressadíssimo para chegar à clínica onde estava sua mulher. Então o colega pergunta, para que tanta pressa se ela não te conhece mais. Ele responde: – ela não sabe quem eu sou, mas eu sei quem é ela.

    • Estou com Carlos Newton, referindo-me ao artigo. Por que ele usou como exemplo a peça “O Pai”, de Florian Zeller? uma filha que trata o pai como tendo uma doença senil?

  12. Acho que o CN está trabalhando muito. Estafa à vista.

    Chamar o texto do Pondé de teratológico é no mínimo um escárnio, vindo de um comunista, que são a própria encarnação da contradição.

    Como muitos aqui, e o Sr. Wilson Baptista Junior teve a honra de ser o primeiro, recebendo logo o auxilio precioso do Sr. Fallavena, seguidos pela Sra. Olga e Sr. Belém ( serão parentes?) , não interpretei o texto da mesma maneira que os comunistas de plantão, que adoram se fazer de vítimas. Em especial, sentem prazer em se fazer de vítimas da burguesia.

    Também discordo da interpretação que a Tribuna fez do texto de Pondé.

    Não é uma apologia, mas sim uma crítica ao tratamento que dispensamos aos nossos idosos.

    Não tenho procuração para defender o texto do Pondé, nem ele precisa disto.
    Porém o texto não é ambíguo.
    Pelo contrário, é de uma clareza solar. Basta ler sem preconceitos.

    Mas talvez estejamos diante de mais uma campanha difamatória promovida por esquerdistas contra todos aqueles que apontam seus defeitos.

    • Antonio Henrique
      Não por ser mais um dos “Antonios da TI, permita-me um pequeno adendo. Não vejo pelo lado comunista. Já disse outras vezes e reitero, muitos de nós fomos – e eu também quando jovem. O comunismo trouxe novas ideias, algumas que poderiam ter dado resultado. Os agentes e pretensos seguidores, assim como acontece com a democracia em nosso país, se adonaram do poder e das causas. Lembro-me do amigo Jorge Valle de Araujo quando dizia: “Eles prometem mundos e fundos e depois nos entregam os fundos imundos!”.
      Nosso chefe CN é um espiritualista de valor. Teve suas razões para o comentários e aceita nossos contrapontos. A luz vem de muitos lugares.
      Também eu queria ter minha mãe e pai aqui. Já desencarnaram fazem muitos anos.
      Que bom termos este espaço para aumentar nossos conhecimentos e experiências.
      Quanto aos esquerdistas, a maioria nem sabe o que é isto. Nem no futebol existe mais ponta esquerda!
      Concordo que o nosso chefe CN precisaria ter ajuda e mais tempo. Sua dedicação é extrema e de um valor inimaginável. Quanto a descasar, aqui em casa e de quem me liga, ouço a mesma coisa? “!por que não para um pouco, tira umas férias e dorme mais?” O corpo até que pede, mas o espirito se nega!
      Um fraterno abraço e muita saúde a ti e aos colegas Tribunários.
      Fallavena

    • Esse Antônio Henrique é um típico leitor do Pondé. Acha que só ele entende o cara… Junta esquerdista, com comunista, com vitimista, com motorista, dadaista, enfim, mistura. E, claro, vai ler este comentário de uma feminista e achar uma bobagem. O senhor Newton, ao meu ver, fez uma leitura muito apaixonada, pois este tema deve tocá-lo profundamente, e, no meu entendimento de mulher e anarquista, o tomou por apenas um lado. Mas está corretíssimo: o Pondé é terrívelmente contraditório. Muito. E ele sabe disso, pois vive repetindo a ressalva de que tem poucas certezas. E este talvez seja o problema de todo mundo que se formou em universidades onde o relativismo era a lei. Mas prefiro essa formação vaga, e humanista, que aceita e respeita o contraditório, que a certeza raivosa dessa direita órfã. Se um dia encontrasse o Pondé, gostaria de perguntar como ele se sente alimentando essa besta fera…

  13. “A gente tem a leviandade de achar que os velhos nasceram velhos, que estão ali apenas para assistir ao nosso crescimento. Me lembro que menino ao ver um velho parente relatar fotos de sua juventude tinha sempre a sensação de que ele estava inventando uma estória para me convencer de alguma coisa.”Affonso Romano de Sant’Anna, em O velho olhando o mar.

  14. Ponde apenas faz uma crítica muito bem feita ao mercado da longevidade. Talvez esteja sendo mal interpretado. Mas é um grande pensador, e com toda certeza, um grande humanista. Talvez conheça muito bem a sociedade indígena. Vou ler mais coisas dele.

  15. Amigos (as) da TI.

    Li três vezes o texto do “filósofo Pondé”, e,cada vez o sentimento de nojo por este cidadão ficava maior.

    O texto é altamente preconceituoso, além de confuso em vários momentos.

    Fico,portanto, com a interpretação do Carlos Newton , do Chicão e de outros que repudiam tamanha desumanidade.

    Nossos pais são jóias preciosas.Devemos amá-los e dá carinhos ao longo de suas passagens por por esse mundo, em qualquer situação.

    Grande abraço a todos.

    Saúde e paz.

  16. O problema é que em terra de cego que tem um olho é rei…o cara tem uma doença chamada arrogância intelectual, só por saber distinguir o dedão do pé esquerdo do direito. A Filosofia perdeu a muito tempo o papel de preponderância na sociedade, se é que algum dia teve. O mundo atual não precisa da filosofia nem dos filósofos para se sustentar, mas a mídia de tempos em tempos precisa de um pseudointelectual para se justificar ou justificar o zeitgeist do momento. E, como papel aceita tudo….
    abraço a todos.

  17. Está escrito que cada um deve carregar a sua Cruz. Cada pessoa tem as suas responsabilidades, e deve cumpri-la para poder viver em uma sociedade justa. Se a cada problema que surge, resolvermos abandonar alguém, o mundo termina rapidinho. Se o idoso se torna um peso para os filhos e lhes atrapalha, então os pais, que se sentirem assim poderão jogar seus filhos em orfanatos. Esse cara prega o desamor, o abandono. Vejam, se puderem, o filme “Um homem chamado Ove”.

  18. Inegavelmente o debate sobre o artigo em tela está sendo produtivo e interessante.

    Afora ter sido misturado politicamente, entrando sem permissão comunistas e esquerdistas, bem frisado pelo Fallavena, a questão que amplia a discussão diz respeito ao “mercado da longevidade”!

    Ora, a ciência vem justamente se aprimorando e modernizando para proporcionar à humanidade mais tempo de vida.

    Pondé critica esta extensão na existência pelo comprometimento dos filhos, que não teriam tempo para cuidar de seus pais e, assim, perderiam oportunidades para viver “felizes” ou encontrar um meio mais alegre de levar as suas vidas.

    Posso perfeitamente desprender desse texto, que o dito filósofo e teórico ser humano escreveu, que a pessoa deve ter um limite de idade, e abreviada quando portadora de doenças correlatas ao envelhecimento!

    Se saudável, morrerá aos 75; se doente, aos 60!
    Se a senilidade se manifestar antes e a diabetes ocasionar sérios efeitos colaterais, que desapareça desta vida aos 49, deixando de “perturbar” os mais jovens que precisam estar livres para ser felizes!!!

    Reitero o que escrevi no primeiro comentário:
    Pondé foi infeliz na essência do que queria transmitir, pois confuso e contraditório.

    Se tentou criticar o comportamento atual daqueles que abandonam seus pais em asilos, deixou margem que se interpretasse que este pessoal desalmado tem razão;

    Se tentou alertar quanto aos esforços da ciência em prolongar a vida das pessoas, e esta extensão florescer um mercado de atrela outras vidas para acompanhar por mais tempo ainda os idosos, permitiu que se pensasse que é totalmente contra a longevidade;

    E, se o seu artigo quis mostrar uma realidade sobre o rompimento dos laços familiares porque os pais ainda precisam dos filhos para que os cuidem, e tal função impede que estes possam se dedicar mais às suas próprias vidas, frustrando-os nos aspectos de crescimento pessoal e profissional, Pondé exacerbou o seu racionalismo!

    E lembro que o racionalismo é uma teoria filosófica que dá a prioridade à razão, como faculdade de conhecimento relativamente aos sentidos.

    O racionalismo pode ser dividido em diferentes vertentes: a vertente metafísica, que encontra um caráter racional na realidade e indica que o mundo está ordenado de forma lógica e sujeito a leis; a vertente epistemológica (onde Pondé é doutor) ou gnosiológica, que contempla a razão como fonte de todo o conhecimento verdadeiro, sendo independente da experiência; e a vertente ética, que acentua a relevância da racionalidade, respetivamente, à ação moral (neste aspecto é que a obrigação moral dos filhos em cuidar de seus pais, Pondé elimina este compromisso em nome da razão, das circunstâncias, e não mais quanto a sentimentos, que deveriam até mesmo prevalecer sobre a racionalidade)!

    A defesa da razão e a preponderância desta corrente filosófica se transformou na ideologia do iluminismo francês e, no contexto religioso, criou uma atitude crítica em relação à revelação, que culminou na defesa de uma religião natural, ora não é por nada que o filósofo se diz ateu, porém acredita em “vários deuses” ou que cada um de nós exerça a sua fé como bem entender, desde que em si mesmo somente!

    Pondé entende o ser humano como independente do que deveria manter como princípio e valor absolutos, inegociáveis, imutáveis:
    A relação familiar, o elo entre as pessoas, o sentimento como força de incentivo à vida, e não como motivo para dela se desfazer!

  19. Existem pessoas que são usados por Deus e são chamados de Santos , como o próprio Jesus afirmou vocês são filhos do diabo , esse é um exemplo…Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus; e também quem não ama seu irmão. 1 João 3:10

  20. Estranho a indignação dos defensores do marxismo (e seus comentários indignados) em relação ao artigo do Pondé . Já em 1848 os “filósofos” autores no manifesto comunista insistiam na necessidade da extinção da família como núcleo social, pois sustentava a superestrutura burguesa (também o ateísmo).
    O estado cuidaria? Mas se for o capitalismo e o dinheiro que mantenham clínicas de repouso, não vale? Ou de fato o desamparo da velhice não é o que motiva a indignação?

  21. Nasci em 1954 em um povoado “perdido” no interior da Bahia.
    Tempos arcaicos. E veio os anos 60.
    Numa família de 12 filhos, provavelmente todos os doze foram judiados por meu pai e às vezes por dona Lourdes minha mãe.
    Nesse povoado distante uns 30 Km da cidade sede do município não tinha polícia e passou-se um bom tempo sem termos médico. Se não tinha polícia também não tinha bandido. Já nos dias de hoje sempre aparece alguns por lá.
    Meu pai era muito perverso. Eu como exemplo, a partir dos meus 8/9/10 a 13 anos tomava surras de chicote de bater em gado. Certas surras do meu pai até tirava sangue das costas. Se fosse nos dias de hoje meu pai poderia ser preso.
    Ele sempre nos dava pescoção. Chamávamos de pescoção um tipo de tapão no pé do ouvido com a mão aberta.
    E meu pai era um homem forte. Era marceneiro, modéstia a parte um ótimo marceneiro, não dito por mim, mas pelos padres alemães proprietários do povoado.
    Os moradores do povoado tinham direito a ter algumas tarefas de terra para fazerem suas próprias roças.
    Então meu pai às vezes nos carregava para trabalhar na roça, no cabo da enxada e fazíamos outros tipos de serviço pesado. Isso tudo com ele acompanhando e exigindo mais empenho no serviço.
    Deitávamos 20:00h e às 6 da manha ele entrava no quarto gritando o nome dos 4 ou 5 filhos. Um frio de uns 17º e se não levantássemos de imediato ele nos dava palmadas sem dó nem piedade.
    Pois bem, com 15 anos fui morar na Capital.
    Meus irmãos se espalharam por Salvador, São Paulo e outros estão em cidades pequenas do Interior da Bahia.
    Os anos passaram e claro, meu pai envelheceu e aos 87 teve um câncer no estômago, fez uma cirurgia e ainda viveu + 4 anos. Faleceu com quase 92 anos e já sem memória.
    Entre o início da doença dele até sua morte eu cuidei dele por mais de 4 anos. Como já estava aposentado destinei parte do meu tempo para cuidar dele.
    Já na minha fase adulta não se despertou em mim nenhum tipo de rancor, raiva ou vontade de vingança.
    Às vezes olhava para meu pai com 91 anos pesando 50 Kg., debilitado e eu pensava: É, esse é meu pai, que a 50 anos passados me judiou muito.
    Eu poderia relaxar e não cuidar bem dele e até aconselhar meus irmãos a colocar em um asilo.
    Mas confesso, eu amei meu pai até seu último suspiro e sinto saudades dele.
    Inclusive nunca tinha presenciado a morte de um ser humano. Presenciei a morte do meu pai.
    Jamais o colocaria em um asilo.
    Realmente, cuidar de uma pessoa nesta idade, praticamente sem memória é muito sacrificante.
    Atualmente com mais três irmãs estou cuidando da minha mãe já com 86 anos e com deficiência nas vistas e outros problemas de saúde.
    Na minha família nunca se falou em colocar meu pai e nem minha mãe em asilos.

    Relatei isso tudo acima e que, vocês não tem interesse algum em saber, só para dizer o seguinte:
    Sou leitor do Pondé e assisto a muitos dos seus Vídeos.
    Gosto bem mais dele do que do Karnal e do Cortella.
    Ah, e bem mais do Pondé do que da Marxista da USP que odeia a classe média. E olhe que eu sou classe D ou E. Imaginem se eu fosse classe B.
    Eu penso que, por ser leitor do Pondé não significa que eu procure a verdade no que ele escreve.
    Em dez artigos dele, eu o seguiria em 6, em 3 faria uma avaliação antes de tomar uma decisão e em um (neste por exemplo) eu jamais o seguiria.
    Se ele tem lá sua opinião, filosoficamente ou não, eu tenho cá a minha. Ao menos ao que se refere da questão do tema abordado por ele.
    Provavelmente não é conveniente o mais humanista dos homens querer que os idosos fiquem em asilos separados da família, mas se num acaso ele achasse que seria melhor para meus pais, jamais lhe ouviria e os colocaria, meus pais, em um asilo.
    Procuro ter muito cuidado com os formadores de opinião.
    Continuo leitor do Pondé.

    • Prezado João da Bahia,

      Escreveste um dos comentários mais pungentes que li nesses quase cinco anos de Tribuna da Internet, antes, da Imprensa!

      Coloquei-me no teu lugar sem maiores esforços, confesso e, certamente, eu não teria tido esta consideração pelo meu pai como tu a tiveste com o teu, então a minha reverência e aplauso, admiração e consideração por ti.

      Inegavelmente praticas o legítimo cristianismo quando colocas o perdão acima de qualquer obstáculo, impedindo que a raiva ou a vingança predominem sobre os nobres sentimentos, aqueles que somente os verdadeiros seres humanos são capazes de desenvolver e praticar, servindo como exemplos de comportamento, de pessoa superior.

      Desta forma, admito publicamente que estou diante de um homem muito melhor que eu sou, infinitamente mais justo, e modelo de correção ética e moral!

      Humildemente te envio a minha saudação, meus cumprimentos pelo filho que foste e, indiscutivelmente, pelo excelente pai que deves ser ou até já tens a tua prole, que será educada mediante princípios e valores que realçam o caráter e a dignidade de um ser humano do teu porte, do teu nível, para mim inatingível!

      Sinto-me honrado e até certo ponto constrangido de dividir este espaço contigo, pois não me encontro em condições de andar ao teu lado, não com este ódio que sinto pelos parlamentares e governantes, que me fazem escrever comentários nada edificantes, mas eivados de desejos e vontades que os males existentes no mundo sejam canalizados para os tais ditos “representantes”, e que sofram um pouco do padecimento que ocasionam aos cidadãos.

      Pois tu me surges neste blog incomparável com um texto e uma confissão que me deixaram devidamente repreendido, de ser criticado pela minha forma de expor meus pensamentos, e não conforme a compreensão e capacidade de perdoar e aceitar o próximo com seus defeitos e qualidades, exatamente com o fizeste durante o tempo que eras maltratado e incompreendido, e pelo senhor teu pai, que Deus o tenha!

      Por favor, aceita o meu abraço, e me permitas eu chegar perto de ti, pois eu deveria manter distância de um homem com tais predicados, com tamanha estatura espiritual, enquanto que eu estou em nível do solo, rasteiro, arrastando-me entre palavras agressivas e desejos de que certas pessoas sofram o mesmo que as demais.

      Que Deus te conceda muita saúde e paz, muita longevidade, de modo que possas transmitir através da tua maneira de viver exemplos elevados de conduta que a natureza humana ainda é capaz de oferecer, e que gente da minha laia possa se espelhar em ti e tratar de mudar o que deve, de ser mais compreensiva e tolerante!

      Muitas felicidades, João da Bahia, deste e de outros mundos!

  22. Com relação ao que o autor quis transmitir em seu texto para mim não ficou muito clara a sua intenção.
    Mas como ser humano em evolução tenho minhas convicções. Primeiro ponto questiono se é errado buscar se conhecer a fim de se melhorar, tendo atitudes “politicamente correta”, para viver melhor e comunidade?
    Sofrimento é inexorável para o amadurecimento? Só através da dor amadurecemos?
    A evolução tecnológica está aí a nosso serviço …porque não usufruir dela se nós permite viver melhor!
    A velhice nos leva a reflexão, que benção podermos ao fim de nossas vidas rever nossas atitudes, acertar nossos equívocos e pedir perdão a quem fizemos mal, passarmos experiências aos mais jovens.
    Solidão? Solidão é ausência de nós em nossa própria vida…nascemos sós e vamos morrer sós…quantos jovens solitários aos 20..30…e 70 anos! Precisamos sim de nossa bela companhia…mas a família ah a família!…que maravilha quando temos o apoio dela a qualquer tempo de nossas vidas…é fato que não devemos sobrecarrega-lá…mas devemos sim ter gratidão pelo nossos pais…é um dever ampará-los nesta hora…
    Se não temos como fazer isto, cuidando em nosso lar…que seja em uma clínica …mas não podemos abandona-los com afeto e atenção, que são sentimentos cruciais para o crescimento, desenvolvimento e estabilidade emocional de qualquer pessoa em todo os momentos da vida. Devemos fazer com os outros aquilo que gostaríamos que fizessem conosco.
    Quantos aos pais que não honraram seu compromisso … terão seu aprendizado.
    Paz e Luz a todos!

  23. Esse artigo é uma expressão acabada do individualismo moderno levado até as últimas conseqüências. Para Pondé e muitas outras pessoas hoje em dia, o objetivo único e exclusivo da vida é ‘ser feliz’, e ‘ser feliz’ significa viver para o dinheiro e para o consumo. Noções como altruísmo, solidariedade e compaixão.são estranhas para eles, e empecilhos à ‘felicidade’ consumista.

  24. Claramente uma crítica à indústria da longevidade.
    “Um dos temas prediletos do mau-caratismo é a chamada “terceira idade”. Um mercado, claro, devido à longevidade da espécie nos últimos anos. Já se tratou a velhice como “melhor idade” também. Uma ofensa à experiência humana real.”
    “o egoísmo é a grande revolução moral moderna”.
    Desculpe, CN, não concordo com a sua interpretação.

  25. PONDÉ, na verdade, critica o egoísmo e os “inteligentinhos ” que aceitam o marketing do “seja feliz doa a quem doer”. Quem já é leitor do Pondé sabe que ele, justamente ,critica a sociedade moderna e sua arrogância.

  26. Justificar o artigo de Pondé dizendo que é ironia me parece simplista demais. Com essa justificativa, qualquer texto pode ter seu significado expresso descartado e passar a significar qualquer coisa que qualquer leitor queira. É um recurso que vem algumas pessoas vem adotando para tentar redimir textos que passam mensagens explícitas desagradáveis. Como quando dizem, que o livro “Tropas Estelares” do Robert Heinlein, seria crítica irônica ao militarismo, e não a apologia fascistóide do militarismo e da guerra que parece ler. Mas, lendo o livro é francamente difícil ver a ironia. O mesmo ocorre com o texto do Pondé, que passa muito longe de ser uma ‘Modest Proposal’ do Swift.
    O artigo de Pondé é um perfeito reflexo do pensamento da deusa idolatrada dele, a escritora russo-americana Ayn Rand, que apregoou o egoísmo em livros ilegíveis e monstruosamente longos.

    • Caro leitor e comentarista Pedro Meira,
      De fato, Ayn Rand é muito criticada por ter apregoado o egoísmo.
      No entanto, o pensamento da Filósofa Russo-Americana Ayn Rand abaixo transcrito será mera coincidência ou um pensamento que se encaixa perfeitamente ao dantesco momento em que se encontra a nossa amada pátria Brasil?
      “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.” (Ayn Rand)

  27. E vai comer o que na casa de repouso?
    Pílula de carne de pobre liofilizada?

    Texto de filho de povo abatido por inúmeras guerras que já não sabe o que significa família…
    apenas mais um passante da ignorância vivendo a serviço do Mercado; daqueles que nascem e o numero do RG e uma ação com preço no pregão da bolsa…
    Sem conhecimento espiritual da coisa, algo que ate os bois tem….

    Imagine viver numa sociedade assim (retrato da zooropa):

    – Trabalha desde os 17 anos, 2 ou 3 empregos toda uma vida, ate não poder mais.
    – Vive sua vida inteira numa caixa de tijolos que leva uma vida de trabalho para pagar (hipoteca).
    – Vem a velhice, o hospital…
    – Conta do Hospital leva a casa, sobra dinheiro pra pagar 8 meses de casa de repouso….
    – Após 8 meses pede uma força pros filhos, mas ouve que não podem ajudar porque gastam muito dinheiro comprando ração pro cachorro, ou pro papagaio da filha….
    – E não encontras o botão escrito eutanásia….

    Viver acreditando no que lhe supre o Mercado é coisa pra doente mental….
    Morre logo, resto de guerra…..

    Aqui na Inglaterra há mais ‘pets’ do que filhos….
    Isso sim é a decadência total da humanidade….

  28. Sobre Ayn Rand há mais de uma maneira de interpretar seu pensamento, mas, certamente, considerar o egoísmo sua bandeira está errado.
    A propósito, eis um dos seus pensamentos: “A justificação moral do capitalismo não está na afirmação altruísta de que representa a melhor maneira de alcançar” o bem comum “. É verdade que o capitalismo faz – se essa frase-chave tem algum significado – mas isso é meramente uma conseqüência secundária. A justificativa moral do capitalismo reside no fato de que ele é o único sistema em consonância com a natureza racional do homem, que protege a sobrevivência do homem qua homem, e que seu princípio dominante é: justiça “- Ayn Rand. É assim, JUSTIÇA! Então, com certeza, há elementos da escrita em análise que não se compõem com a Justiça.

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