Leia o artigo sobre racismo que causou protesto de jornalistas contra a direo da Folha

Grotesco', 'cruel', 'estarrecedor': texto antirracista  alvo de canceladores

Antonio Risrio abomina o racismo e acusado de racista

Carlos Newton

Antonio Risrio, poeta, romancista e antroplogo, autor de “A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros”, “Sobre o Relativismo Ps-Moderno e a Fantasia Fascista da Esquerda Identitria” e “As Sinhs Pretas da Bahia”, publicou um artigo na Folha de S. Paulo que causou um abaixo-assinado de jornalistas contra o jornalo dos Frias. algo jamais visto, porque o protesto foi feito pelos jornalistas da prpria Folha.

Em nome da liberdade de expresso, o renomado jornalista e historiador brasiliense Carlos Marchi saiu em defesa de Risrio, denunciando que o abaixo-assinado no refutava as afirmaes do antroplogo e apenas funcionava como uma espcie de censura interna, por negar a Risrio o direito de se manifestar.

Aqui na Tribuna, vivemos sob o signo da liberdade e fazemos questo de dar a Risrio o direito de expressar sua opinio. Leiam o artigo dele e tirem suas prprias concluses.

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RACISMO DE NEGROS CONTRA BRANCOS GANHA FORA COM IDENTITARISMO

Antonio Risrio
(Folha de S.Paul0)

Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ningum quer saber. Porm, quem quer que observe a cena racial do mundo v que o racismo negro um fato.

A universidade e a mdia norte-americanas insistem no discurso da inexistncia de qualquer tipo de “black racism”. Casos desse racismo se sucedem, mas a ordem-unida ideolgica manda fingir que nada aconteceu.

OPRIMIDO E OPRESSOR – O dogma reza que, como pretos so oprimidos, no dispem de poder econmico ou poltico para institucionalizar sua hostilidade antibranca. uma tolice. Ningum precisa ter poder para ser racista, e pretos j contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo.

A histria ensina: quem hoje figura na posio de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muulmanos escravizaram e mataram multides de pretos durante sculos de trfico negreiro na frica.

No entanto, a viso atualmente dominante, marcada por ignorncia e fraudes histricas, quando no pode negar o racismo negro, argumenta que o racismo branco do passado desculpa o racismo preto do presente. Mas o racismo inaceitvel em qualquer circunstncia. A universidade e a elite miditica, porm, negaceiam.

ATAQUES NO METR – Em “Coloring the News”, William McGowan lembra uma srie de ataques racistas de pretos contra brancos no metr de Washington. Em um deles, um grupo de adolescentes negros gritava: “Vamos matar todos os brancos!”. O Washington Post, contudo, no tratou o conflito como conduta racial criminosa e sim como “confronto de duas culturas”.

McGowan sublinha que a recusa em reconhecer a realidade do racismo antibranco particularmente evidente na cobertura miditica de crimes de pretos contra brancos.

De nada adianta a motivao racial ser ostensiva, como no caso de ataques a idosos brancos no Brooklyn, quando um membro da gangue preta declarou: “Fizemos um acordo entre ns de no roubar mulheres pretas. S pegaramos mulheres brancas. Foi um pacto que todos fizemos. S gente branca”.

ATAQUES RACIAIS – O “detalhe” no foi mencionado nas reportagens do jornal The New York Times, e a postura foi a mesma quando trs adolescentes brancos foram atacados por uma gangue de jovens pretos no Michigan. Os rapazes pretos curraram a moa branca e fuzilaram um jovem branco.

O New York Times no indigitou o carter racial do crime e o relegou a uma materiazinha de um s dia. Se os papis fossem invertidos, uma gangue de jovens brancos currando uma mocinha preta e assassinando um jovem negro, o assunto seria explorando amplamente e em mais de uma reportagem. L, como aqui, o “double standard” miditico um fato.

Merece destaque o racismo preto antijudaico, que no de hoje. Em Crown Heights, no vero de 1991, os pretos promoveram um formidvel quebra-quebra que se estendeu por quatro dias, durante o qual gritavam “Heil Hitler” em frente a casas de judeus.

JUSTIFICATIVA – Mas a elite miditica, do New York Times ABC, contornou sistematicamente o racismo, destacando que sculos de opresso explicavam tudo.

Vemos o racismo negro tambm contra asiticos. Na histria racial de Nova York, negros aparecem tanto como vtimas quanto como agressores criminosos. Judeus e asiticos, ao contrrio, quase que s se do mal.

Em um boicote preto a um armazm do Brooklyn, cujos proprietrios eram coreanos, os pretos foram inquestionavelmente racistas. Diziam aos moradores do bairro que no comprassem coisas de “pessoas que no se parecem com ns” e chamavam os coreanos de “macacos amarelos”.

VTIMAS COREANAS – Curiosamente, por mais de trs meses, a grande mdia no deu a menor ateno ao boicote. Um jornalista do New York Post denunciou: “Se fosse boicote da Ku Klux Klan a um armazm de um negro, logo se tornaria assunto nacional. Por que as regras so outras quando as vtimas so coreanas?”.

No so poucos, de resto, os comerciantes coreanos que perderam a vida em enfrentamentos com “consumidores” negros. H casos de militantes pretos extorquindo amarelos. Extorso e violncia racistas, claro.

Sob a capa do discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por meio de organizaes poderosas como a Nao do Isl, supremacista negra, antissemita e homofbica. Discpula, de resto, de Marcus Garvey admirador de Hitler (seu antissemitismo chegou a lev-lo a procurar uma parceria desconcertante com a Ku Klux Klan) e de Mussolini, que virou guru de Bob Marley e do reggae jamaicano, fiis do culto ao ditador Hail Selassi, o Rs Tafari, suposto herdeiro do Rei Salomo e da Rainha de Sab.

VERSO TROPICAL – A propsito, a Frente Negra Brasileira, na dcada de 1930, no s fez o elogio aberto de Hitler, inclusive tratando Zumbi como um “Fhrer de bano”, como apoiou o Estado Novo de Getlio Vargas, verso tristetropical do fascismo italiano e o prprio Abdias do Nascimento, guru de nossos atuais movimentos negros, foi militante integralista.

O lder da Nao do Isl, Louis Farrakhan, sempre exibiu tambm um franco e ostensivo racismo antijudaico. Hoje, o Black Lives Matter pede a morte dos judeus em manifestaes pblicas.

Em um artigo recente no jornal Le Monde (“Biden, au coeur du combat identitaire”), Michel Guerrin sublinhou que o “antissemitismo est bem presente no poderoso movimento Black Lives Matter”.

RADICALIZAO – A turma discursa contra o “genocdio” palestino, “organiza manifestaes onde podemos ouvir matem os judeus, prxima do lder da Nao do Isl, Louis Farrakhan, que fez o elogio de Hitler, e tem como cofundadora da sua seo em Toronto, Canad, Yusra Khogali, que praticamente chegou a pedir o assassinato de brancos”.

O racismo antijudaico de pretos pobres dos guetos pode contar com alguma pequena motivao cotidiana, mas o que pesa mesmo o antissemitismo generalizado nas lideranas da esquerda multicultural-identitria.

Tudo bem criticar o governo de Israel. Os prprios israelenses costumam faz-lo, vivendo em um regime democrtico, ave rarssima no Oriente Mdio. Outra coisa pregar o desaparecimento de Israel, como querem o Ir e alguns movimentos de esquerda. Aqui, o antissemitismo. O dio multicultural-identitrio a Israel parece no ter limites.

UM GRANDE EXEMPLO – Temos Yusra Khogali jovem mulata sudanesa que no diz uma palavra sobre as atrocidades de negros contra negros em seu pas natal, vivendo antes no Canad, onde se compraz em xingar a opresso branca como um caso exacerbado disso tudo.

Ela no s confessou que tem mpetos de assassinar todos os brancos. Exps tambm uma fantasia “acadmica” que bem pode ser classificada como a primeira imbecilidade produzida por um “neorracismo cientfico”.

Vejam a preciosidade pseudobiolgica de madame Khogali: os brancos no passam de um defeito gentico dos pretos. “A branquitude no humana. De fato, a pele branca sub-humana”. Porque a brancura um defeito gentico recessivo. “Isto fato”, afirma solenemente.

BAIXA MELANINA – Diz que as pessoas brancas possuem uma “alta concentrao de inibidores de enzima que suprimem a produo de melanina” e que a melanina indispensvel a uma estrutura ssea slida, inteligncia, viso etc.

Enfim, apareceu a mulata racista para inverter o “racismo cientfico” branco do sculo 19 e dizer que os brancos, sim, que so uma raa inferior. Mas Yusra apenas um exemplo, entre muitos, e ela teve a quem puxar.

O fato que no d para sustentar o clich de que no existe racismo negro porque a “comunidade negra” no tem poder para exerc-lo institucionalmente. Mesmo que a tese fosse correta, o que est longe de ser o caso, existem j meios para o exerccio do racismo negro.

Engana-se, mesmo com relao ao Brasil, quem no quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno loucura supremacista aparece, agora, como discurso de esquerda.

EM BUSCA DO PODER – Se quiserem manter a complacncia, podem falar disso como de realidades apenas embrionrias, mas a verdade bem outra. Militantes pretos, como pastores evanglicos, querem o poder.

No devemos fazer vistas grossas ao racismo negro, ao mesmo tempo que esquadrinhamos o racismo branco com microscpios implacveis. O mesmo microscpio deve enquadrar todo e qualquer racismo, venha de onde vier.

Como em um texto do escritor negro LeRoi Jones: “Nossos irmos esto se movimentando por toda parte, esmagando as frgeis faces brancas. Ns temos que fazer o nosso prprio mundo, cara, e no podemos faz-lo a menos que o homem branco esteja morto”.

EXCEO OU NORMA? – Resta, ento, a pergunta fundamental. O neorracismo identitrio exceo ou norma? Infelizmente, penso que norma. Decorre de premissas fundamentais da prpria perspectiva identitria, quando passamos da poltica da busca da igualdade para a poltica da afirmao da diferena.

Ao afirmar uma identidade, no podemos deixar de distinguir, dividir, separar. No existe identitarismo que no traga em si algum grau e alguma espcie de fundamentalismo.

Nesse fundamentalismo, se o que conta a afirmao de um essencialismo racial, reagindo ressentido a estigmatizaes passadas, dificilmente os sinais supremacistas no sero invertidos. As implicaes disso me parecem bvias.

14 thoughts on “Leia o artigo sobre racismo que causou protesto de jornalistas contra a direo da Folha

  1. Que trem esse (hein?)
    No sabia que o imbrglio era esse na questo do jornal de sp
    Deu um n aqui. Deve ser porque no tenho inteligncia, falta melanina

  2. As Ongs, institutos e movimentos negros no Brasil so financiados por estrangeiros. A maioria desses financiamentos vem de pases muito mais racistas e preconceituosos que o Brasil.

    NO TEM NADA DE LUTA PELO FIM DO RACISMO OU IGUALDADE RACIAL!

    Os brasileiros esto acordando e vendo que muitos dos tais “militantes negros”, “militante indigena”, etc, so os novos vendedores de escravos que se aliam a europeus, norte-americanos e canadenses, negociando pessoas e no caso entregando o prprio Brasil para interesses estrangeiros.

    Cada ONG, instituto e movimento racial, social , etc, aqui no Brasil devem ser urgentemente INVESTIGADOS para ver quem financia tudo isso para colocar brasileiro contra brasileiro.

  3. O mestio sempre foi odiado pelos negros, poca da escravido. Autores h que escreveram: “o mestio, nem preto, nem branco, no ningum”.

    O problema, ou melhor, a soluo, que os brancos e pretos foram “extintos”. FHC, e sua frase modelar: “Um p na cozinha” acho que, Brasil atual, raros brasileiros, no tm um p na cozinha ou at mesmo no “tumbeiro”; da mesma forma que, dias atuais, rarssimo o negro que no tenha um p na Casa Grande.

    Risrio registra o discurso da primeira acadmica “negra” na Academia de Letras da Bahia: No sou branca, nem preta, sou marrom”.

    Todos somos, Brasil inteiro, somos marrons? O Brasil inteiro, uma nao marron? Com certeza, em menor ou maior grau.

    O mais ridculo dessa histria toda aqueles, um pouco mais marrons, apregoarem-se negros, que no o so; nem os mais claros, que tambm no so brancos-brancos, pois se acode o famoso o famoso p na cozinha.

    Risrio, comprei os dois ltimos livros deles, cabra dos bons; dos melhores. Li e estou relendo. Recomendo: no h autor mais lcido nos dias atuais

  4. Bela publicao do Antonio Risrio.
    Acho que esse foi o melhor artigo que foi publicado nesta Tribuna.
    Parabns a CN em postar.
    Fugir ao massacre contra o governo Bolsonaro apresentando outras formas de enfoque uma boa pedida.

  5. 1) Bom artigo do xar Risrio, gerao Tropicalista…

    2) Essa histria de racismo de ambas as partes, o Criador de muitos nomes resolve com a reencarnao/renascimento…

    3) Uma vida somos negros, na outra brancos, depois suas respectivas variantes: pretos/pardos/mulatos, cafuzos/moreninhos/etc…

    4) Lei do carma meu povo, lembrou Garuda, o pssaro mitolgico do Budismo Hindjusta.

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