Lembrando uma visita ao grande João Saldanha

Carlos Vicente

Certa vez, um amigo – botafoguense, por sinal – convidou-me para ir consigo à casa de João Saldanha, na rua (salvo falha de memória) Almirante Guilhem.

Foi uma visita que eu adoraria que durasse a tarde inteira. Aproveitei por lá estar e disparei perguntas, pois uma coisa é a rádio corredor e outra ouvir diretamente.

Não repetirei literalmente o diálogo, como também não citarei os nomes dos santos, apenas farei referências.

ENTRANDO NO ESTÚDIO DE TV

Sobre um falecido botafoguense que estava desancando João ao vivo na rede nociva, após sua saída da seleção:

“-Saldanha, você entrou no estúdio, ao vivo, com a mão direita no bolso do paletó e a esquerda com o dedo em riste, cobrando: ‘Gostaria que repetissem aqui na minha frente o que estavam falando de mim até há pouco tempo’. O acreano gaguejava e não conseguia se desculpar, lembro-me disso. O que você tinha no bolso ?”

“-Acredita que eu não tinha nem um canivete ?”

“-Não”

“-Pois é, fiz aquilo ameaçando um segurança que não queria me deixar entrar. Avisei: ‘Não vem porque sobra pra você também’”.

O GOLEIRO SUBORNADO

Sobre um goleiro, que teria aceitado suborno:

“-Você atirou pra atingir mesmo ?”

“- Não, eu não erraria daquela distância, mas ele provou ser bom de salto … (risos). Mandei pra assustar. O problema é que poucos dias antes o canhota procurou a diretoria e disse que a turma do roedor de Moça Bonita lhe estava oferecendo 1.500 dólares para amolecer. Perguntamos se só ele teria sido cantado e respondeu que falava por ele, não pelos outros. O resto, todos sabem da história: foi vendido para o Nacional e acabou sendo bicampeão no Uruguai, não sem antes ter tomado uma surra de toalha molhada por furto do dinheiro dos próprios colegas. Foi barrado, o Nacional desandou a perder e a torcida exigiu que saísse o “frangueiro” e voltasse o “ladrón”. Resultado: Nacional bicampeão”.

PROBLEMA DE SAÚDE

Sobre problemas de saúde de um jogador:

“- Lembro-me que quando você foi questionado sobre o parecer sobre um jogador, afirmou: ‘Eu não sou médico’. Com esta resposta você esperava que alguém se pronunciasse ? Pareceu-me que alguém teria a responsabilidade, mas fora você quem dissera, então …”

“- Olha, o sujeito estava com problemas com seu sócio em sua cidade. Estava mais com a cabeça lá do que no campo de jogo. Pediu pra ser dispensado e eu respondi que não havia jeito de fazê-lo. Alguém sugeriu um problema de visão e ele pode sair para resolver seus problemas particulares”.

OUTRAS HISTÓRIAS

Conversamos mais sobre outras coisas engraçadas, como a da pergunta do repórter:
“- O que o senhor está achando da grama do estádio ?”
“- Ainda não tive oportunidade de prová-la. Quando o fizer, opinarei a respeito”

Ou sobre os treinadores gays:
“Todo treinador de juvenis é meio homossexual. E todo treinador de qualquer categoria que defende a concentração, é candidato a corno.”

Pena que acabou rápido a visita. Faz muita falta João Saldanha.

Este site sobre o João é bom : http://www.geneton.com.br/archives/000171.html

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