Lento demais, Brasil teve atuação medíocre

Pedro do Coutto

Foi sem dúvida uma atuação medíocre, nada criativa, a da Seleção Brasileira contra Portugal na sexta-feira. Saída de bola extremamente lenta, isso contribuiu para facilitar a dura marcação portuguesa que, no primeiro tempo, defendeu-se com nove homens. Concentrava sempre três onde estava a bola e, jogando pelo meio congestionado, não encontrávamos espaço para desenvolver os ataques. Foram poucas nossas investidas que proporcionaram perigo real. Exceção do chute enviesado de Nilmar não encontramos o caminho do gol tão esperado.

Portugal iniciou a partida temendo a Seleção de Ouro. Fechava-se em copas e tentava contratacar em lances isolados. Tanto assim, como a narração da Globo revelou, tivemos praticamente 70% de posse de bola. Mas, como todos viram, não aproveitamos esta vantagem. Sem Robinho, que não se encontrava em plenas condições, não abríamos nossa ofensiva pelo flanco esquerdo. Restava Maicon pelo flanco direito. O treinador português sentiu isso e reforçou a marcação sobre ele. Maicon havia se tornado a alternativa da Seleção para chegar ao gol. Mas a estrada da vitória , ao contrário do que ocorreu contra a Coreia do Norte, estava fechada.

A alternativa seria o lateral receber e tocar rápido o meio onde Júlio Batista deveria atuar. Digo deveria porque ele se apagou completamente. Dunga deveria tê-lo substituído no início do segundo tempo. Mas não o fez. Fica para a próxima. Restou Daniel Alves. Foi bem. Entretanto atirou de longe demais e os chutes não estavam calibrados. Felipe Melo mais uma vez se transtornou e o nosso técnico agiu bem substituindo-o. Deveria ter tomado a mesma decisão relativamente a Kaká na partida contra a Costa do Marfim. Se Kaká não tivesse sido expulso naquele jogo, no de sexta-feira estaria presente. Não acontecendo assim, teve que entrar Batista.

Penso eu que estava excessivamente nervoso sentindo o peso da camisa e da responsabilidade. Nervoso encontrava-se também o zagueiro Juan ao interceptar um passe para Cristiano Ronaldo com a mão. Levou cartão amarelo, mas podia ter levado um vermelho e nos desfalcaria. É um excelente jogador, experiente, mas não esteve bem contra Portugal. É um erro empenhar-se desta forma. Isso porque o jogador que leva um cartão, a partir desse momento retrai-se naturalmente, teme receber o segundo, e assim deixa de entrar nas bolas divididas.

Com base na minha antiga experiência de espectador – (acompanho futebol desde 1941, famoso Fla-Flu da Lagoa) – tenho a impressão que aconteceu algo não muito bom na concentração, véspera da partida, ou no próprio vestiário. A equipe perdeu a naturalidade que apresentou contra a Costa do Marfim e também a serenidade. Felipe Melo, novamente, seria expulso se Dunga não houvesse feito sua substituição.

Pode ser que o clima (na concentração) não estivesse bom em conseqüência dos fatos da semana, desentendimento entre Dunga e a reportagem da Rede Globo, com algum reflexo paralelo. O fato é que havia na atmosfera algum tipo de preocupação. Talvez uma sombra no túnel que separa o vestiário do gramado. A Seleção de Ouro não foi bem. Mas para nós o empate foi um bom negócio. Não apenas porque nos classificamos em primeiro lugar na chave, mas, sobretudo – reconheçamos – porque até 40 minutos do segundo tempo Portugal ameaçava mais. Bem perto do final voltamos a atacar, mas o grito de gol não pode sair. Vamos em frente, vamos melhorar e conquistar o hexa.

Amanhã será outro dia.

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