Ler com calma é o único caminho para combater “fake news” nas redes sociais

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

É isso mesmo: para tentar neutralizar o impacto das notícias falsas que são injetadas diariamente nas redes sociais da internet, o melhor caminho é a leitura com calma dos textos e analisá-los antes de acreditar nos seus conteúdos. É impossível estabelecer-se uma análise prévia das matérias num espaço imenso aberto a todos que possuam um computador ou então um smart. São milhões de mensagens lançados por fontes diversas. Como selecioná-las? O tema foi bem focalizado pelos repórteres Marco Grillo e Thiago Prado na edição deste domingo de O Globo. Título da matéria que ocupou uma página inteira: “A indústria da Mentira”.

Há uma verdadeira avalanche de matérias falsificadas na internet. Só a análise pelo menos desapaixonada poderá neutralizar as injeções informativas. Não existe outro meio.

PENAS DA LEI – Poder-se-á dizer que as falsificações encontram-se sujeitas às penas da lei. Mas acontece que as penas da lei, uma vez identificados os autores, só podem ser aplicadas, é claro, depois de fatos consumados. Não podem assim impedir os efeitos de comunicações falsas. A pena é uma consequência do crime praticado, porém o mais importante é bloquear os efeitos dos fatos decorrentes de falsificações.

O boato de ontem, com a internet, transformou-se na fake news de hoje. E as fake news não se cingem apenas a informações maldosas, mas também a interpretações que conduzem a equívocos às vezes de grandes dimensões.

INTERPRETAÇÃO – Por tudo isso é que coloco a necessidade de uma interpretação – por mínima que seja – das matérias que voam nas telas velozes da comunicação moderna. Trata-se de aplicar uma lógica interpretativa para que as pessoas não venham a cair no prazer de admirar e dar sequência a absurdos.

O caso do assassinato da vereadora Marielle Franco é um exemplo de maldade e de absurdo. Antigamente os boatos se restringiam às comunicações telefônicas. Porém hoje, em plena era espacial, ganham um impacto e um colorido mais intenso quando colocados simultaneamente nas redes da cibernética.

É verdade que muitas vezes pessoas confundem o que desejam que aconteça com o que está acontecendo na realidade. As fake news alimentam-se basicamente dessa contradição humana, muito comum na política, na economia.

A INVEJA – No fundo, há um elemento que gera a malícia e o sentido destrutivo dos que são atingidos pelo complexo de inferioridade – a inveja. Sob este prisma, as fake news habitam no universo da arte o que faz com que seus autores tentem sempre denegrir as imagens daqueles e daquelas que lhe despertam mais fortemente o rancor, a impotência, a insídia. Não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Nos EUA, por exemplo, um fã silencioso da atriz Jodie Foster, frustrado por não ter ela aceito seus convites, tentou assassinar o presidente Ronald Reagan desfechando-lhe vários tiros de revólver. Reagan sobreviveu ao atentado que assinalou mais um caso de alucinação. As fake news, muitas vezes, têm origem em alucinações.

Pessoas buscam sair até do anonimato praticando crimes e desenvolvendo comportamentos estranhos e antissociais.

ISSO FAZ PARTE  – São personagens que atravessam os séculos e, tenho a impressão, que infelizmente sejam eternos, cada um desempenhando comportamentos ajustados as suas respectivas épocas.

Diante desse quadro impressionante e impressionista, defendo o antídoto marcado no título. Ler com calma e selecionar os absurdos das hipóteses verossímeis.

As hipóteses absurdas devem ter um só destino: a lata de lixo.

5 thoughts on “Ler com calma é o único caminho para combater “fake news” nas redes sociais

  1. Há que não esquecer que notícias falsas não são divulgadas apenas por internautas, mas principalmente são divulgadas por jornalistas profissionais entre outros ativistas em todas as midias.
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    Por exemplo, o mais gritante dos exemplos, ha poucos dias grande jornais e revistas fizeram reportagem acusando um movimento político (MBL) de terem sido considerados em pesquisa da USP um dos maiores difusores de notícias falsas.
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    Essas notícias que ocuparam espaço exageradamente generoso dos meios de comunicação, acabaram por originar uma queixa ao judiciário.
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    Ocorre que não houve qualquer estudo na referida universidade nesse sentido. Tão pouco houve qualquer constatação de Fake News por parte do referido movimento político-social (MBL).

    Aliás, uma notícia reportada como falsa pelo tal “estudo” da USP não foi notícia do referido movimento, mas sim noticia amplamente publicada em vários meios de comunicação oficias e principalmente nos Jornais e revistas que publicaram a notocia depois dita falsa ao ser reproduzida pelo movimento.
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    Ou seja, os meios oficiais de comunicação deram uma notícia que posteriormente foi reproduzida na internet por um site.
    Os mesmos meios de comunicação que deram a notícia antes, passaram a acusar o site que reproduziu a noticia como se este estivesse noticiando uma mentira.
    Estes mesmos meios de comunicação que acusaram o site e o movimento, criaram uma fraude, uma notícia falsa sobre um alegado “Estudo de pesquisa” de uma universidade que acusava o eferido site de ser um dos maiores fabricantes de noticia falsa.

    Isso sim é uma aberração:
    – Midias oficiais com profissionais formados para noticiar inventam uma noticia falsa sobre pesquisa inexistente para acusar um movimento socials e seu site de disseminarem noticias falsas.
    Uma aberração!

  2. Baruch Spinoza ( 24-11-1632 – 1677 ) – Filosofo

    Algumas características comuns a todos os homens e suas emoções passionais (nem todos controlam suas emoções através da razão):

    – Que cada homem se esforça para conseguir que todos amem o que ele ama e que todos odeiem o que ele odeia.

    – Que cada um tem por natureza o “apetite” de querer ver os demais vivendo segundo ele mesmo é: e como todos têm este mesmo apetite, todos impedem-se uns aos outros de viverem. Todos querem ser queridos, amados e admirados e justamente por isto acabam se odiando mutuamente.

    – Se presumimos que um homem desfruta o prazer e a felicidade de uma coisa tal, que não podemos, ou não conseguimos fazer e alcançar, passamos a nos empenhar esforçados para destruir a posse daquele prazer e felicidade que o tal homem tem.

    – Vimos desse modo que em virtude da natureza dos Homens, estes geralmente são dispostos a sentir comiseração e dó pelos desgraçados e a invejar, proibir, coibir e censurar os que são felizes: e que seus ódios e repulsas em relação aos que desfrutam a felicidade são enormes e sem limites.

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