Levy diz que dinheiro acabou, mas Dilma dá 30 bilhões ao BNDES

Pedro do Coutto

Ao reaparecer ao lado de Aloizio Mercadante, votação pelo Senado, das medidas que compõem o chamado ajuste fiscal, o ministro Joaquim Levy – reportagem de Geralda Doca, Catarina Alencastro, Cristiane Jungblut, Eliane Oliveira, Gabriela Valente, Fernanda Krakovics e Júnia Gama, edição de O Globo de terça-feira – afirmou que o país precisa repensar o gasto de recursos públicos a longo prazo. E acentuou: acabou o dinheiro, enfatizando o desafio para obter recursos para financiar projetos de infraestrutura.

Acabou o dinheiro? Não parece. Pois o Diário Oficial d 22 de maio publica na primeira página lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff, assinada também pelos ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa, destinando crédito de 30 bilhões de reais ao BNDES, através da emissão de títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal, cujas características – acrescenta – serão definidas pelo Ministério da Fazenda. As palavras de Joaquim Levy encontram-se em oposição ao Diário Oficial. Inclusive o parágrafo terceiro do artigo 1º estabelece que o crédito concedido pelo Tesouro nacional será remunerado pela Taxa de Juros de Longo Prazo, Selic, portanto hoje à base de 13,25% ao ano, cinco pontos acima do índice oficial de inflação.

Há falta de sintonia entra a palavra e o gesto assinalado, lendo-se o texto em sequência da nova lei que permite ao BNDES refinanciar os contratos de financiamento firmados até 31 de dezembro de 2014, relativos ao setor de transporte de carga. A presidente Dilma Rousseff vetou os dispositivos que determinavam ao BNDES divulgar a relação de suas operações de crédito, mas autorizou a União a conceder (parágrafo 3º do artigo 2) subvenção econômica sob a modalidade de equalização da taxa de juros nas operações de refinanciamento. Como será feita – pergunto eu – a subvenção econômica por intermédio da equalização da taxa de juros? O parágrafo 6º responde: caberá ao Ministério da Fazenda regulamentar as condições.

Mas regulamentar o que, se o dinheiro acabou? Logo não é verdadeira a versão que a fonte de recursos do Tesouro tenha secado. Inclusive ele próprio, Joaquim Levy, afirmou, está no Globo, ser preciso um ajuste estrutural porque mudaram as condições da economia brasileira e o preço internacional das commodities que financiava as exportações não é mais o mesmo.

NÃO HÁ LÓGICA

As receitas previstas no orçamento, aprovada há um mês, em abril portanto, não têm conexão com a realidade da arrecadação. O PIB não está devagar por causa do ajuste. O ajuste está sendo feito porque o PIB está devagar. Ora, francamente, o que o ministro sustenta não tem sentido lógico. Pois despreza a ponte entre a causa e o efeito, invertendo os polos da questão essencial, pois não se pode transformar a vítima em culpado. A vítima é a população do país. Mas ela não tem culpa alguma pelo aumento veloz no custo de vida. Ao contrário. Vítima da ascensão do desemprego, ela só pode reagir retraindo o consumo. Não possui outro recurso, não tem outra maneira.

Os setores empresariais têm à disposição a tentativa de elevar seus preços. Os assalariados não. Encontram-se fora desse círculo de possibilidade. Não possuem máquinas capazes de compensar as reduções que sofrem em seus vencimentos. Pois os preços estão sempre na frente das reposições aplicadas nos valores do trabalho. Na fase em que nos encontramos, a reação torna-se praticamente impossível, uma vez que a oferta da mão de obra está superando a demanda. Resultado que deve ingressar nos cálculos de Joaquim Levy: os salários caem, o consumo também, e a produção nacional no fim da linha. O país não vive só em função das exportações. Há também as importações e as remessas de capital para o exterior. Basta conferir o Balanço de Pagamentos.

9 thoughts on “Levy diz que dinheiro acabou, mas Dilma dá 30 bilhões ao BNDES

  1. “Tem mais jeito não, só as Ruas, bem focadas, bem definidas, bem intencionadas, bem determinadas, bem dirigidas, rumo a um ideal nobre, calcado na boa-fé, como propõe a RPL-PNBC-ME, via LUTA ( Legião Unida de Trabalhadores Amigos), pode nos libertar do continuísmo da mesmice do partidarismo-eleitoral e do golpismo-ditatorial, velhacos, e da república 171, com prazo de validade vencido há muito tempo, dos quais somos todos reféns há 125 anos. O CONGRESSO DE MAIORIA PICARETA, A PICARETAGEM, AS SALSICHAS E A LEI, DE MURPHY. Congresso de maioria picareta não fará reforma alguma que não seja apenas mais picaretagem. O problema do congresso de maioria picareta, das leis e das salsichas é que grande parte do povo, quiçá a maioria, está sabendo como aquele e estas são feitos. E o diabo é que a coisa fede à beça. Ledo engano do Tiririca, Cunha provará que pior sempre fica, até porque em se tratando de congresso de maioria picareta, a Lei de Murphy é mesmo implacável. A coisa tb não é bem assim, Senador Paulo Paim: ” Todo poder às ruas”, até porque há ruas e ruas, e até me$mo ” de la ruas” extremas direita de carteirinhas, eu diria até jurássicos. Aliás, todos vimos muito bem quem saiu às ruas em março de 2015, inocentes úteis, ludibriados, jurássicos, implicante$ e implicado$, apoiados e manivelados pela opo$ição e seus miquinhos adestrado$, principalmente os midiático$. E foram às ruas como se fossem as ruas, tentando confundir as coisas, o cenário, o joio com o trigo, e alhos com bugalhos, com a visível intenção de aplicarem mais 171 na história do Brasil, posto que, em verdade, elle$ não são as Ruas propriamente ditas, aquelas que rugiram firme, forte, alto e em bom som em Junho de 2013. Sucede que às Ruas de verdade, as que rugiram em Junho de 2013, não o fizeram pela oposição e nem pela situação, e muito menos pelo retrocesso, mas, isto sim, pela Mega-Solução (RPL-PNBC-ME), pelo novo caminho para o novo Brasil de Verdade, porque evoluir é preciso. E é está a LUTA ( Legião Unida de Trabalhadores Amigos), pela qual vale a pena lutar, porque o resto é tudo mais dos me$mo$. Seja bem-vindo à LUTA vc tb, Senador Paulo Paim. Comentário feito no site Brasil 247, antes das votações dos famigerados “distritão” e financiamento privado de campanhas. A cada novo minuto, torna-se cada vez mais forte a impressão de que ” se cobrir é circo, se cercar é hospício” e se murar alto é penitenciária. E o pior de tudo é que a camisa de força está vestida na sociedade, por elle$, não obstante serem elle$ os loucos, ao que tudo leva a crer .”

  2. Dinheiro acabau uma ova, como dizia antigamente.
    Não vem com essa de tirar uma com a cara do zepovão
    Dinheiro tem e muito
    Sr. Ministro Patolino (perceberam que tem a mesma voz)., pergunte aos setúbal, brandão, espanhóis, e safra se o dinheiro acabou para eles, com lucros de 10 bilhões ao trimestre…
    Peça licença para obrar, e vaza deste Páis….

  3. Depois o PT se queixa do ‘PIG’! Hoje varias universidades federais entraram em greve por tempo indeterminado , devido a falencia e nao ha uma noticia sequer. A Bebel da Patria Educadora vai apoiar ???

  4. O dinheiro acabou, sim, e há muito tempo. Recursos obtidos pela emissão de títulos públicos são um empréstimo que o governo faz, e a taxas altas, que aumentam a dívida pública e consequentemente os juros que o país tem que pagar todo ano. O governo está fazendo igual ao cidadão que, sem ter dinheiro para pagar as dívidas, recorre ao cheque especial e se endivida cada vez mais.
    O buraco em que estão nossas finanças públicas, e que agora exige este forte ajuste fiscal, vem exatamente desta prática de gastar mais do que se arrecada e depois recorrer a empréstimos para tampar o buraco. Tomar mais uma vez dinheiro emprestado a juros altos para depois o BNDES emprestá-lo a juros muito mais baixos é aumentar cada vez mais a conta que o cidadão tem que pagar, numa hora em que se exigem sacrifícios do povo e que não se faz um sacrifício igual do governo, porque cortar investimentos em vez de reduzir os custos do custeio da máquina pública é também cortar na carne do povo e não na do governo.
    Neste momento, gastos como o aumento do fundo partidário são um estelionato contra o povo, do mesmo modo que, por exemplo, os reajustes e novos benefícios propostos para o Judiciário são uma distribuição desigual do sacrifício que se está pedindo ao povo que enfrenta o desemprego cada vez maior.

  5. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO em mais um brilhante artigo, analisa o andamento do Plano LEVY para estabilização Macro-Econômica de nossa Economia, ora em andamento, e acha estranho que o Czar da Economia LEVY declare que o DINHEIRO DO GOVERNO, acabou, e a Presidenta DILMA ao mesmo tempo, mande o Tesouro emitir CRÉDITO de R$ 30 Bi a Custo alto, e empreste ao BNDES, que o emprestará a Custo baixo, para Investimentos.

    O brilhante Sr. WILSON BAPTISTA JÚNIOR, em Comentário acima, explica compreensivamente a situação. Desde a Mega-Crise Financeira de 2008 até a Eleição de 2014, o Governo PT-Base Aliada usou como Motor da Economia, o DEFICIT SPENDING. O Governo que sempre gastava mais do que Arrecadava em +- 2% do PIB, foi aumentado essa Taxa de Deficit Fiscal até atingir +- 7% do PIB em 2014. Isso aumentou o Endividamento Público Bruto de +- 45% do PIB, para +- 70% do PIB em 2014, e as Despesas de Juros e GIRO da Dívida Pública a +- 42% do Orçamento Federal. É muito Dinheiro tirado da Produção e do Consumo.
    A Economia como um todo, que em 2008 tinha um Deficit no Balanço de Pagamentos Internacional ( Balanço de todas as Riquezas que entram e saem do País), de +- US$ 40 Bi/Ano, passaram em 2014 para +- US$ 100 Bi/Ano, tudo com viés de Alta. Chegamos no limite.

    Nossa explicação para: O fim do Dinheiro do Governo, (Min. Faz. LEVY), e os R$ 30 Bi de empréstimo do Governo para o BNDES, ( Presid. DILMA).
    O Plano LEVY é necessariamente RECESSIVO, previsão de CONTRAÇÃO da Economia para 2014, – 1,5% do PIB para uma População Ativa que cresce a +- 1%aa. É duro. Então a Presidenta DILMA tem que ir CALIBRANDO com algum Deficit Spending para não estourar a tampa da caixa. Está certa.

    O grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO ressalta uma grande INJUSTIÇA. Nos tempos bons do Deficit Spending do Governo, quem mais ganhou foram os Economicamente mais Ricos, agora na época de redução de Deficit Spending ( PLANO LEVY), quem mais perde são os Economicamente mais Pobres.
    Deve o Governo fazer de tudo para tentar descarregar os CUSTOS do PLANO LEVY sobre as costas de TODOS, o mais igualmente possível. Abrs.

  6. Como bem frisa o jornalista, a recessão econômica causada pelo excesso de despesa pública capitaneada pelos repasses ao BNDES na tentativa frustrada de ativar a economia – política errônea em que Dilma ainda teima e insiste com o repasse desses R$30,0 bilhões -, fez o mercado de trabalho entrar em um círculo vicioso e pernicioso em que as demissões ou o fechamento massivo de postos de trabalho pelas empresas que correm para cortar custos ou, simplesmente, sucumbindo ao arrocho econômico, fecham suas portas, faz com que haja uma superoferta de mão-de-obra. Essa superoferta desencadeia a quebra da capacidade dos trabalhadores que permanecem em seus postos de pleitear reajustes. Na verdade, dá aos empregadores a capacidade de comprimir os salários mantida a opção pela substituição do cargo por outro trabalhador com menor remuneração.

    Vê-se assim que a recessão desencadeia um processo de compressão salarial. Isso corrobora ainda mais com a redução da massa salarial disponível na economia e já combalida com as milhares de demissões desencadeadas pela recessão.

    O fato de Dilma continuar com as transferências de recursos do Tesouro para o BNDES via crescimento do endividamento público não melhora a economia, pelo contrário. Traria resultado se a taxa de juros básica administrada pelo BACEN estivesse dando vantagem aos investimentos na economia real e não em títulos do governo, em títulos de renda fixa.

    Deste modo, o “modus operandi” deste governo que se pautou pelo excesso de liquidez dado pelo excesso de despesas públicas vai ganhando sobrevida através desses repasses ao BNDES o que nos permite afirmar que tal ação vai dificultar ainda mais a vida do Banco Central no controle inflacionário.

    Forçará o Banco Central a continuar com o movimento da taxa selic e retardará a reversão do processo recessivo em que nos encontramos. Recessão que o próprio governo de Dilma nos empurrou, é preciso deixar claro.

    Podemos, então, afirmar que é um governo que não aprende com os próprios erros, pois, não reflete sobre os fatos econômicos por mais claros e evidentes que eles sejam.

  7. Dona Dilma é igual Promouoter de festa de casamento.

    Promouoter sempre tem uma série de boas idéias para o evento. Mas, no final, quem vai pagar as despesas é o pai da noiva ou o casal.

    Já no caso da festa organizada pela dona Dilma, quem vai pagar é o Tralhador Já esfolado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *