Levy finge tosse e nega ter pedido para sair do governo

Num governo confuso, cada um vai para o seu lado

Rosana Hessel e Julia Chaib
Correio Braziliense

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, negou os rumores de que ele estaria de saída do governo por não concordar com o tamanho do corte no Orçamento, de R$ 69,9 bilhões, anunciado apenas pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

“Eu não pensei nada de sair”, afirmou Levy. “Não houve divergência, estava gripado, resfriado, enfim. Mas houve um certo alvoroço dessa história e não entendi bem o porquê. É dado o direito de todo mundo se alvoroçar”, disse ele, segunda-feira, no final da uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, dando uma leve tossida, que provocou risos entre os jornalistas presentes, já que ele não havia tossido nenhuma vez antes. O ministro acabou rindo também.

GRIPADÍSSIMO…

O chefe da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff deveria fazer o anúncio junto com Barbosa, e as informações oficiais da pasta de sua ausência era que ele estava “gripadíssimo”. Levy vinha defendendo aos seus interlocutores um valor mais elevado para o contingenciamento, entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões, mas o corte ficou pouco abaixo do piso que ele havia estipulado.

Segundo assessores do Planalto, a justificativa dada para a ausência de Levy foi a avaliação de que não havia necessidade de expor os dois ministros no anúncio da maior tesourada no Orçamento da história, por isso, foi preferível deixar apenas Barbosa, que está menos desgastado com a opinião pública do que o titular da Fazenda, divulgar o número.

DESCONFORTO

Durante a coletiva no Planalto, Levy aparentava bastante desconforto ao lado do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Ambos destacaram a importância da aprovação das medidas provisórias que alteram as regras trabalhistas e previdenciárias para ajudar a equilibrar as contas públicas, aprovadas pela Câmara dos Deputados e que agora tramitam no Senado Federal com prazo muito curto para a aprovação, pois expiram em 1o de junho.

Os dois ministros avisaram ainda que será criada uma Comissão para discutir a sustentabilidade da Previdência, que será integrada por vários quatro ministros: Levy, Mercadante, Barbosa e Carlos Gabas (Previdência). O objetivo é debater alternativas ao fim do fator previdenciário e levá-las ao fórum criado pelo governo com a sociedade civil para debater o mesmo assunto. Na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse aos ministros que participaram do encontro que o governo deveria ter uma proposta própria para o fim do fator previdenciário.

CALMA COM IMPOSTOS

Mais cedo, ao chegar ao ministério da Fazenda, Levy tomou uma atitude que surpreendeu os setoristas e resolveu falar na portaria, algo que ele havia proibido logo que assumiu, sinalizando que queria mandar algum recado. Ele alertou sobre as limitações da receita e mudou o discurso sobre a necessidade de aumentar mais tributos para conseguir tapar o buraco das contas públicas já que o corte do Orçamento não será suficiente. “A agente tem que ir com calma na parte de imposto. Não adianta a gente inventar novos impostos como se isso fosse salvar a economia brasileira”, declarou.

Levy também sinalizou que há a possibilidade de haver uma piora nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) que serão anunciados na próxima sexta-feira. Em 2014, o segundo e terceiro trimestre tiveram queda e o país só não entrou em recessão propriamente dita porque o quarto trimestre deu uma pequena elevação, de 0,3%. “Vamos ver o que acontece. O PIB tinha um pequeno blipping (virada) no quarto trimestre, que aliás, pode ser revisto”, avisou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPegou mal este fingimento de Levy, isso não é comportamento de uma autoridade. Devia sair logo do governo, mas o Bradesco não deixa. (C.N.)

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