Levy vai encarar em 2015 uma onda de más notícias

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Vicente Nunes
Correio Braziliense

A nova equipe econômica, liderada por Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda, enfrentará, no primeiro trimestre de 2015, uma onda de más notícias. A maior parte dos indicadores da economia mostrará um país à beira de uma crise, o que exigirá muito mais do que um discurso conciliador do governo. A tendência é de a insatisfação popular aumentar, devido, sobretudo, à disparada da inflação.

Haverá, nos primeiros meses do segundo mandato de Dilma Rousseff, uma combinação de reajustes que baterá forte no orçamento das famílias. Já se sabe que ônibus, energia elétrica e mensalidades escolares subirão com força. Não haverá escapatória. Mas, a esse movimento, deve-se somar aumentos dos produtos agrícolas, ou seja, alimentos. Os analistas preveem uma forte seca no período, que tende a pressionar, especialmente, os preços das carnes, que já estão caríssimas.

Não é só: com a economia crescendo pouco, o desemprego deve apontar para cima. Nada que chegue a níveis alarmantes, mas o suficiente para deixar em alerta famílias que estão muito endividadas. Para piorar, mesmo que de forma parcimoniosa, o Banco Central promoverá pelo menos mais duas altas da taxa básica de juros (Selic), sendo uma de 0,5 ponto percentual em janeiro, outra de 0,25 ponto, em março. Assim, a Selic chegaria a 12,50% ante os atuais 11,75%. Esse arrocho provocará a ira de parte do empresariado, que vê no aperto monetário forte entrave para a ampliação dos investimentos produtivos.

SALVADORES DA PÁTRIA 

Para acalmar os ânimos, Levy e companhia não podem falhar. Desde que ele e Nelson Barbosa (Planejamento) foram anunciados como “os salvadores da pátria”, escolhidos para corrigir todos os erros cometidos nos últimos anos por Dilma, criou-se a percepção de que o governo tomou juízo. Levy, inclusive, anunciou um ajuste fiscal de médio prazo para sinalizar que os tempos de gastança desenfreada e de maquiagens contábeis chegaram ao fim.

Essa promessa só aumenta a responsabilidade de Levy. Assim que tomar posse, ele terá que detalhar como o Tesouro Nacional entregará o superavit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). As contas públicas estão em frangalhos. Até outubro, há um rombo acumulado de mais de R$ 11 bilhões. Poucos acreditam que o saldo fechará o ano no azul. Se incorrer no erro de apresentar um programa de ajuste frouxo, com cortes inconsistentes no orçamento, o ministro indicado para a Fazenda jogará gasolina na fogueira. Em vez de reconstruir a confiança, detonará um descrédito total.

SEM DIREITO DE ERRAR

Economista-chefe da INVX Partners, Eduardo Velho afirma que a nova equipe econômica perdeu o direito de errar. “Lidar com inflação em alta, juros subindo, choque agrícola a caminho não será tarefa trivial”, afirma. “Tudo isso num país que terá mais um ano de crescimento baixíssimo”, acrescenta.

Para ele, o governo precisará convencer os agentes econômicos que fará a parte dele no sacrifício que terá de ser feito por todos. Ninguém aceitará que, mais uma vez, a fatura recaia inteira sobre o setor privado.

6 thoughts on “Levy vai encarar em 2015 uma onda de más notícias

  1. Olha,

    O retrato do Brasil é este mesmo tirado pelo articulista. A economia foi jogada ao chão.

    O que tem de ficar claro é que em economia as coisas não são estanques, isto é, ao acionar uma variável (ao exemplo do aumento de gastos correntes do governo), todas as outras variáveis serão afetadas, como a inflação, nível de emprego, nível de receitas governamentais e mercado de trabalho, por exemplo.

    É uma locomotiva que tem de ter as suas partes bem ajustadas e se locomovendo em uníssono para não descarrilar.

    O abandono do tripé de estabilização econômica, no que tange ao relaxamento da política fiscal, durante todo este tempo – de meados de 2012 para cá -, provocou o descompasso na política monetária, cambial e de rendas, também.

    Temos hoje inflação, dificuldade de controle no câmbio, taxa básica de juros alta desestimulando o investimento do setor privado, baixa taxa de poupança, baixa produtividade, baixa competitividade, esgotamento do mercado de consumo pelo endividamento de longo prazo das famílias, falta de espaço para ampliação da carga tributária; enfim, o quadro é desanimador.

    Como tudo isso sempre foi muito previsível, ao que falamos aqui na Tribuna da Internet, insistentemente, fica patente que todo o movimento das políticas econômicas de governo foram para nos conduzir intencionalmente a este estado de caos econômico-financeiro.

    Alegar “política anticíclica” para aumentar os gastos correntes (com a manutenção da máquina pública) do governo foi apenas o mote para nos conduzir a esta armadilha de estagflação sem qualquer perspectiva de melhora.

    O movimento no tabuleiro econômico tão logo Dilma assumiu o governo teria sido o governo fazendo o dever de casa cortando os gastos correntes e fortalecendo a poupança pública através da crescente formação do Fundo Soberano. O estímulo da população para a formação de poupança em movimento inverso ao que ocorreu no governo de Lula que estimulou o consumo.

    É importante entender os ciclos econômicos e atuar conforme a necessidade que as mudanças nas variáveis indicam.

    Se no governo de Lula a ênfase foi o consumo, em Dilma teria sido a formação de poupança. Fosse assim, não teríamos saído de um nível de poupança de pouco mais de 17% do PIB para pífios 14% do PIB atuais. Ano passado estivemos, ainda, pior – apenas 12% do PIB.

    O nível de poupança nos diz qual o nível de recurso disponível para o investimento público e privado. Assim, quanto maior é o nível de poupança, maior é a fonte de recursos para o investimento. Como o governo, ao invés de poupar, instituiu 39 ministérios e ampliou gastos correntes utilizando recursos que teriam de convertidos em investimentos, tornou a máquina estatal inchada e ineficiente.

    Houvesse Dilma procedido de modo contrário, não haveria, hoje, o esgotamento financeiro das famílias que têm seu orçamento espremido entre a carga tributária (41%) e o endividamento com o setor financeiro (45%), conforme nos alertam o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário e o Banco Central. Lembrando que o consumo é o principal motor do crescimento da economia respondendo por, atualmente, por 62,5% do produto interno bruto. Isso explica porque paramos, conforme já alertamos aqui por diversas vezes.

    Se a intenção de Dilma fosse a de fortalecer a economia e os fundamentos do mercado, teria ela mantida a austeridade da politica fiscal (mantendo o Estado gastando menos do que arrecada) e aproveitado todo este tempo que os Estados Unidos e os países desenvolvidos mantiveram suas taxas básicas de juros e seus títulos de governo com taxas próximas a zero.

    Estaríamos completando um quinquênio de taxa básica de juro, também, próxima a zero, induzindo todo o sistema bancário a acompanhar o movimento da Selic, com juros baixos, estimulando o mercado de crédito, os financiamentos e investimentos privados, estímulo à formação de poupança em níveis cada vez maiores, criando um círculo virtuoso de investimentos, também, cada vez maiores acompanhando a formação de poupança.

    Mesmo que Dilma reveja as suas políticas e retome o tripé de estabilização econômica que não deveria ter sido abandonado, nem nos próximos quatro anos seremos capazes de restabelecer um círculo virtuoso de crescimento sustentável.

    • Entretanto, não acredito que de sua parte haja preocupação com a retomada da economia. É tudo um jogo de cena. Mera representação que serve de pano de fundo para o principal objetivo do grupo que ela está representando.

      O objetivo é a tomada do poder por dentro da democracia, utilizando-a como instrumento para a derrubada dos institutos e instituições; substituindo os grupos de poder pelo seu. Por aqueles que compactuam com a sua ideologia e apoiam a sua nova hegemonia política.

      Para isso, se mesmo preciso for derrubar a economia para enfraquecer certos setores e grupos econômicos, será feito.

      • Mas existe uma chance.
        Se o PT perder o limite de destruição da economia (e isso é fácil ocorrer) e afetar a “cerveja” do povão (cai o lucro da Ambev), o churrasquinho no domingo (cai o extra da Friboi), o dinheiro para colocar 5 litros de gasolina, o crediário estourado, e outras coisinhas que formam o imaginário de bem-estar da maioria da população, aí, aí… começa a gritaria por aumento de salário, reajuste de bolsa, greve aqui, protesto ali e os donos do negócio começam a achar inconveniente esta instabilidade e decidem “ajudar” o país a se livrar deles.
        Não será nenhuma mudança sensacional e redentora, mas pelo menos será o fim do projeto PeTerno.

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