Liberar o FGTS pode estimular o consumo no varejo, mas não influirá no PIB

Charge do Beck (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Geralda Doca, manchete principal da edição de O Globo de segunda-feira, revela que o governo está estudando antecipar a liberação de parcelas do FGTS dos trabalhadores como meio de estimular o consumo, envolvendo o sistema de crédito. A meu ver tal medida, se colocada em prática, pode estimular o consumo no varejo mas não influi no Produto Interno Bruto. Não influi no PIB, porque este é a soma de toda a movimentação econômica durante os doze meses do ano.

Liberar parcelas do Fundo representa reduzir a capacidade de investimento no programa habitacional, que é no fundo a essência dos recursos destinados ao FGTS.

POUCO EFEITO – Assim, a liberação planejada não influirá no produto interno. Apenas substitui os investimentos, no mesmo montante dos saques no programa de habitação. Para os trabalhadores de menor renda, pode causar alguma satisfação imediata, mas não resolve a questão social da redistribuição de renda, tampouco o desenvolvimento do programa de habitação.

O programa de habitação tem importância vital, não só para a construção de imóveis mas também para a questão do saneamento básico, simplesmente porque não teria cabimento construir-se moradias sem que estas estivessem ligadas a rede de tratamento de esgoto e de abastecimento de água.

NAU SEM RUMO – A verdade é que o governo não fixou um rumo para o programa de investimentos públicos. Pensou-se que a reforma da Previdência fosse capaz de produzir estímulos à atividade econômica e também à retomada do desenvolvimento.

Agora, ontem mesmo, o ministro Paulo Guedes disse que o problema da retomada da economia depende também da aprovação das reformas administrativas e tributária.

O deputado Rodrigo Maia, sobre o mesmo assunto, disse que o governo precisa encaminhar os dois projetos, o que ainda não aconteceu.

4 thoughts on “Liberar o FGTS pode estimular o consumo no varejo, mas não influirá no PIB

  1. E ainda é o desvirtuamento da finalidade para o qual foi criado. Usá-lo para bens duráveis é justificável, para consumo não. Mas ė o desespero de quem não entende de economia.

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