LIções de José Maria Alckmin

Carlos Chagas

A história já foi contada mas merece ser repetida. Em 1957, José Maria Alckmin era ministro da Fazenda de Juscelino Kubitschek. Debaixo de intensa campanha, aliás, injusta, envolvendo sua participação na condução da política econômica, a mais felpuda das raposas do PSD almoçava no Bife de Ouro, do Copacabana Palace, com um empresário então metralhado pela imprensa, Antônio Sanchez Galdeano.

Na mesa ao lado estava o mestre de todos nós, Pompeu de Sousa, diretor de redação do Diário Carioca, que em dado momento ouviu do ministro que necessitava retirar-se, pois devia depor na Câmara. O jornalista lembrou-se de também ter compromisso no ninho dos deputados e pouco depois saiu.

Qual não foi sua surpresa ao entrar no plenário e ouvir José Maria Alckmin, na tribuna, interpelado por Aliomar Baleeiro, da UDN, responder:

“Antônio Sanchez Galdeano? Não conheço. Nunca vi. Se passar por ele na rua, não saberei quem é…”

Pois é. O ministro da Secretaria Geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, negou ter sido vítima de chantagem por um empresário que, nos tempos do governo Lula, queria dinheiro para não revelar detalhes do assassinato do prefeito Celso Daniel. A revelação foi feita por Marcos Valério, dias atrás.

“Nunca vi Marcos Valério, nunca falei com ele, nem por e-mail. Por nada. Nunca soube dessa história de chantagem em Santo André” – disse o hoje auxiliar da presidente Dilma.

Naqueles idos do primeiro governo do Lula, Valério era assíduo freqüentador do gabinete de José Dirceu, no quarto andar do Planalto, e contou que não raro desciam para a sala do presidente da República, no terceiro andar. Ao lado da sala de Gilberto Carvalho…

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ASSUNTO RESERVADO

É óbvio que no jantar de ontem à noite, no palácio da Alvorada, tudo foram confetes e lantejoulas entre a presidente Dilma, o ex-presidente Lula, o vice Michel Temer e diversos líderes e dirigentes do PT e do PMDB. Tanta gente junta presta-se apenas para comemorações e exortações em favor da unidade da base governamental. Nem de longe se terá falado no julgamento do mensalão e nas recentes ameaças de Marcos Valério.

Parece provável, porém, que antes da refeição, numa conversa a dois, no máximo três, o tema tenha sido tratado. O procurador geral da República já rejeitou a hipótese de incluir o Lula no processo e ainda ontem repetiu não ver motivo para dar proteção a Marcos Valério. Mas que há nervosismo entre os companheiros, ninguém pode negar. Tanto que até José Dirceu, do fundo de seu bunker, anda pregando a volta do projeto que regulamenta a mídia, assunto para os trabalhos do Congresso no próximo ano.

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OPINIÕES DISTINTAS

Se não tiver havido atraso, o Supremo Tribunal Federal retoma hoje o julgamento do mensalão. Entre os ministros, há quem defenda a redução da pena de 40 anos de prisão para Marcos Valério, não apenas pela inusitada extensão da perda de liberdade quanto pelo fato dele haver contribuído para identificar deputados envolvidos no escândalo.

Resta saber se o relator Joaquim Barbosa concorda com a diminuição do tempo de cadeia ou se insistirá na necessidade de punições exemplares, para o operador da arrecadação de recursos e para os outros. Como os trabalhos vão entrar pelas próximas semanas, tudo parece possível.

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