Lies do deserto

Gaudncio Torquato

H duas semanas, cerca de 40 empresrios brasileiros, devidamente paramentados com palet escuro e gravata, misturavam-se a homens de tnica branca e chinelos de couro, imprimindo um toque extico paisagem abrasadora do deserto de Rub al-Khali, na fronteira entre Abu Dhabi e Dubai, que formam, com cinco outros, os sete Estados dos Emirados rabes Unidos. Participavam de evento promovido por uma empresa brasileira que inaugurar daqui a seis meses sua maior fbrica de alimentos no exterior. O tom das conversas girava em torno do custo Brasil.

Alguns usaro o argumento de que daquele trrido deserto se extraem diariamente 3 milhes de barris de petrleo e, com essa riqueza (a sexta maior reserva do mundo), qualquer pas seria capaz de transformar o inferno em cu. Em termos.

O emirado de Dubai quase no tem petrleo. um efervescente centro de servios, a exibir uma arquitetura futurista, cujos traos indicam a opulncia em encontro com o arrojo e a beleza.

Tanto em Dubai quanto na capital dos Emirados, Abu Dhabi, transparecem sinais de um progresso que se instala, a passos avanados, no apenas pela pujana financeira decorrente dos recursos do petrleo, mas pela viso apurada e competente de seus lderes.

INTEGRAO

Que princpios orientam os governantes desse pas do golfo Prsico a transform-lo numa das mais desenvolvidas economias do Oriente Mdio, um dos mais ricos do mundo, com PIB nominal per capita de US$ 54.607? Fatores se destacam, a comear pelo esforo de integrar os povos (tribos) da regio. Depois, a compreenso de que o regime monarquia constitucional deveria conformar-se aos desafios da globalizao.

Os governantes dos Emirados ajustam o foco no planejamento de funes, no sentido de integrar os setores pblico e privado. Em cada empreendimento se v a preocupao com a qualidade, o detalhe, a lgica, a funcionalidade.

Investiu-se pesadamente em infraestrutura. O turismo uma das alavancas, apoiada na excelncia da rede hoteleira. Ali, o futuro parece ter chegado com pressa. As planilhas de incentivo aos investimentos foram a comparao com governos de pases que avanam sobre o bolso dos contribuintes: no h imposto de renda de pessoa jurdica ou de pessoa fsica, nem reteno de imposto; tampouco h imposto sobre os lucros de capital ou restries de moeda; no existem barreiras comerciais e o imposto de importao de apenas 5%, com muitas isenes alfandegrias. S bancos e companhias de energia pagam impostos.

As culturas convergem e se misturam na esttica das vestimentas e na polifonia dos idiomas. A pluralidade manifesta-se em mais de 200 nacionalidades que oxigenam a vida cultural e artstica.

A realidade dos Emirados rabes Unidos mostra que essa viso ou est superada ou ganha novos contornos.

O vice-presidente Michel Temer, que por l passou, e o grupo de lderes empresariais que foi prospectar negcios na regio, viram como uma nao de pouco mais de 8 milhes de pessoas pode dar lies a um pas de dimenso continental e 200 milhes de habitantes.

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