Líder do governo acha que o país precisa se acostumar ao “estilo” de Bolsonaro governar

foto do deputado federal ricardo barros

Alvo da CPI, Barros alega que Bolsonaro “é assim mesmo”

André Shalders
Estadão

Desde 29 de julho, o presidente Jair Bolsonaro repete com insistência uma afirmação feita por ele ainda quando era candidato ao Palácio do Planalto, sempre sem provas: a de que as urnas eletrônicas usadas no Brasil não são confiáveis e foram usadas para fraudar as últimas eleições. E ameaça que, sem mudanças, não haverá eleições.

Para o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), o País precisa “se acostumar” ao comportamento do chefe do Executivo.

PADRÃO DE COMPORTAMENTO – “O presidente Bolsonaro é o presidente Bolsonaro. Precisamos nos acostumar com isso. Já é presidente há dois anos e meio, e todo mundo sabe o jeito dele. Ele reage. Está tudo dentro do que era esperado que fosse. Não consigo ver como isso estaria fora do padrão do comportamento dele”, disse Barros ao Estadão.

O deputado também minimizou a importância do manifesto de empresários em defesa das eleições e as respostas do Judiciário ao presidente.

“Quantos empresários são? Isso tudo é narrativa. Todo mundo quer pegar uma carona cada vez que isso surge como assunto. Isso não é um movimento consolidado, organizado. São os que querem fazer média (…). No Judiciário também tem muita gente querendo fazer média”, afirmou Barros, alvo da CPI da Covid.

ANALISTA CONTESTA – A resposta do líder do governo é contestada pelo cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Leonardo Avritzer.

“É bom o Brasil não se acostumar ao ‘jeito Bolsonaro de ser’. O melhor é que Bolsonaro se acostume com a democracia no Brasil, e não que o Brasil se acostume com os seus arroubos autoritários”, afirmou Avritzer, um dos principais pesquisadores sobre democracia no País.

Na sua avaliação, o discurso de Bolsonaro é muito mais do que bravata. “A gente vive um processo de erosão das instituições democráticas. O presidente está questionando a segurança do voto e, com isso, erodindo a confiança de um conjunto grande da população acerca da lisura do processo eleitoral, que é um dos fundamentos principais, se não o principal, da democracia brasileira”, disse o professor.

AMEAÇA DE VIOLÊNCIA – Para Avritzer, as declarações do presidente podem “ser o ponto de partida para um questionamento do resultado eleitoral de 2022, o que pode gerar muita turbulência política e até mesmo violência”.

Trata-se de um comportamento calculado, no diagnóstico do cientista político Bruno Carazza. Há a percepção de que Bolsonaro age assim para “energizar” sua base à medida que se vê acuado por fatores como pandemia de covid e crise econômica, além de desafiado pela liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto.

“Ao questionar as eleições e o Judiciário, Bolsonaro dá elementos para essa base de apoio, que não é desprezível, e soma hoje de 20 a 25% do eleitorado”, observou Carazza, professor do Ibmec e da Fundação Dom Cabral.

REFÉM DO CENTRÃO  – Autor do livro “Dinheiro, Eleições e Poder: as engrenagens do sistema político brasileiro”, Bruno Carazza observou que, ao decidir entregar a “alma do governo” ao Centrão, com a nomeação do senador Ciro Nogueira (Progressistas) para a Casa Civil, Bolsonaro sofreu cobranças de seus apoiadores. “Isso é mais um motivo para ele tensionar, desviar a atenção da base dessa composição que fez com o Centrão no Congresso”.

O resultado prático é que a reação às investidas de Bolsonaro contra a democracia têm se ampliado cada vez mais.

“Não acho que bravatas levem a golpe. Eu acredito fielmente nas instituições e vamos continuar solidificando a democracia”, disse o ministro do STF Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito das fake news e é considerado “inimigo do governo” por Bolsonaro.

9 thoughts on “Líder do governo acha que o país precisa se acostumar ao “estilo” de Bolsonaro governar

  1. BIOGRAFIA DO DEPUTADO RICARDO BARROS (PP´-PR)

    Fonte: Wikipédia

    Acusação de chantagem a deputados

    Em 1999, a coluna de política do jornal O Globo noticiou que o então deputado federal Jair Bolsonaro, na época filiado ao PPB, acusou o seu colega Ricardo Barros, também filiado ao mesmo partido, de chantageá-lo para influenciar na votação de um projeto legislativo que previa a cobrança de contribuição previdenciária de inativos e pensionistas.[19]

    Fraudes em licitações na prefeitura de Maringá

    Em 2011, a Procuradoria Geral do Ministério Público do Paraná passou a investigar Ricardo Barros por suspeita de corrupção, improbidade, interferência administrativa e tráfico de influência em uma licitação da prefeitura de Maringá sob a gestão Silvio Barros, irmão de Ricardo.[20][21][22] Escutas telefônicas revelaram que Ricardo Barros teria orientado o então chefe de gabinete do prefeito a organizar um “acordo” entre duas agências de comunicação que disputavam licitação de publicidade da administração municipal no valor de 7,5 milhões de reais.[20][21][22] Na conversa, Ricardo Barros afirmou que “era pra ser filha única”, “não gosto de amador”, “eu queria que você promovesse uma conversa dos dois [concorrentes]” e “aí quem sabe fazemos uma solução salomônica aí”.[21][22] Em 2019, quase oito anos desde o início das investigações sobre a suposta interferência, o Ministério Público paranaense ingressou com uma ação por improbidade administrativa contra Ricardo Barros.[22] Barros negou envolvimento no episódio.[22]

    Chantagem à Justiça do Trabalho

    Relator do Orçamento da União de 2016, Ricardo Barros envolveu-se em uma polêmica com relação aos cortes que promoveu nas dotações para a Justiça do Trabalho, o que acabou resultando em uma ação direta de inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal.[23][24] Em seu relatório, Barros justificou os cortes por desejar “estimular uma reflexão” sobre a flexibilização do Direito do trabalho, cujas regras, nas suas palavras, “são extremamente condescendentes com o trabalhador”.[23][24]

    Declarações polêmicas como ministro da Saúde

    Em 2016, então ocupante do cargo de Ministro da Saúde, Ricardo Barros fez uma série de declarações controversas como “quanto mais gente tiver plano de saúde, melhor”, não ser possível “dar tudo a todos”, que a maioria dos pacientes do SUS “chega ao posto de saúde ou ao atendimento primário com efeitos psicossomáticos” e, por fim, que “homens trabalham mais, por isso não acham tempo para cuidar da saúde”.[25][26][27]

    Desvio de 20 milhões de reais no ministério da Saúde

    Em 2019, o Ministério Público Federal moveu ação contra Ricardo Barros por causa de um contrato, na gestão dele no Ministério da Saúde no Governo Michel Temer, de cerca de 20 milhões de reais para medicamentos de alto custo para doenças raras que nunca chegaram às mãos de pacientes da rede pública.[28][29][30] Barros negou envolvimento no caso.

    Defesa do nepotismo

    Em 2021, então deputado federal e líder do governo na Câmera, Ricardo Barros defendeu publicamente o nepotismo, prática da nomeação de parentes por políticos para cargos públicos que, embora não se configure como crime no Brasil, permite a punição por parte do STF.[31] Barros defendeu a contratação de parentes de políticos, afirmando que o “poder público poderia estar mais bem servido, eventualmente, com um parente qualificado do que com um não parente desqualificado” e questionando se “a pessoa é parente, então, é pior do que outro? O cara não pode ser onerado por ser parente. Se a pessoa está no cargo para o qual tem qualificação profissional, é formada e pode desempenhar bem, qual é o problema?”[31]

    Suspeitas de corrupção na compra de Covaxin

    Em 2021, Ricardo Barros foi citado na CPI da COVID-19 como um dos beneficiados em irregularidades no contrato de compra de Covaxin na gestão da pandemia de coronavírus no Brasil.[30][29][32] Segundo depoimento do deputado federal Luis Miranda,[15] Barros foi o deputado ao qual o presidente Jair Bolsonaro teria se referido ao tomar conhecimento das suspeitas de corrupção na compra de 20 milhões de doses da vacina indiana ao preço total de 1,6 bilhão de reais.[30][29][32] Barros negou estar envolvido no esquema.[32]

  2. DE NOSSO EDITOR, DR. CARLOS NEWTON

    OITO INQUÉRITOS – Bolsonaro já responde a oito inquéritos no Supremo e no TSE. Não tem condições de escapar de nenhum deles, pois produziu abundantes provas contra si. Aliás, não faz outra coisa.

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    P.S. – Em tradução simultânea, essa novela vai se arrastar até o final de 2022. Enquanto isso, la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

  3. É exatamente o que eu sempre escrevo aqui na TI. Bolsonaro não consegue deixar de ser Bolsonaro para ser Presidente. Todo seu comportamento é de miliciano que subiu de posto na organização.

  4. Nunca pensei, mesmo na usual bagunça política nacional com seus disparatados e frequentes pronunciamentos, que algum dia eu escutaria de um desclassificado parlamentar, como tão bem o documentou o Dr. Edinei, mesmo sendo do conhecimento geral, líder de um governo inoperante, que os cidadãos eleitores e contribuintes teriam que aceitar e se acostumar com a conduta de um presidente diagnosticado pelo mesmo Dr. Edinei, há poucos dias atrás, como psicopata esquizoide nato, se não me falha a memória, e qualificado, empiricamente, por mim como sociopata, mitómano, ergofóbico, recalcado, boquirroto, fanfarrão, machista, homofóbico e genocida.
    É demais, senhores, acostumem-se com o comportamento paranoico de vosso presidente e suas ações de desgoverno neofascista, como a tragédia sanitária, a falência da educação, o declínio da economia, o estouro da dívida pública, o ressurgir da inflação, a penúria diplomática, o império da corrupção e o descrédito mundial.

  5. o RB está sendo sincero e concordo com ele, como já serviu a tudo quanto é tipo de governo sabe o que está falando. O sincericídio não é coisa comum entre esta canalha, mas o maringaense prova que está nem aí para os que não gostam dele, já tem o seu curral eleitoral consolidado e diz o que lhe vem à cabeça. Acertou na mosca.

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