Lincoln, Roosevelt, Kennedy

Helio Fernandes

O presidente John Kennedy já foi polêmico e controverso, agora cada vez vai descendo mais na escala histórica, até desaparecer completamente, o que acontecerá com o tempo. Se trato dele aqui, é em atenção a um pedido de Ivan Borodin, muito bem colocado.

 Kruschov e Kennedy, em 1961

E se no título destas notas coloco seu nome junto com Lincoln e Roosevelt, é porque muita gente e não apenas no Blog tem essa impressão. Ivan diz que não compara os dois primeiros com Kennedy, mas fica evidente que seu respeito, quase admiração pelo presidente assassinado, o que é um direito seu e de qualquer um.

Mas não corresponde à mínima realidade, nem como presidente nem como cidadão. Nasceu aristocrata, viveu aristocrata, nos quase três anos que esteve na Casa Branca, continuou como aristocrata. O que era sua vocação e seu estilo de vida, todo guiado e financiado pelo pai, enriquecido de forma colossal com o contrabando de bebida.

O cidadão John Kennedy jamais trabalhou. Não precisava, dizem seus defensores. Mas também jamais questionou a fortuna ilícita, que bancou toda sua vida de jovem doidivanas, que só pensava em mulheres. Trajetória adúltera e comprometedora que manteve depois de casado, e até publicamente como presidente do maior país do mundo.

PRESIDENTE AOS 43 ANOS,
INSENSATO DESDE OS 20

Como bom aristocrata, estudou em Harvard, não deixou nome ou nenhum destaque, além do fascínio e da atração sobre as colegas, isso rigorosamente indiscutível. Concebamos ou concordamos: vá lá, era rico não precisava trabalhar, jovem, bonito e atraente, muito justo (?) que aproveitasse a juventude. Mas continuasse sem qualquer mudança, nem quando foi presidente?

Ganhou do favorito Nixon em 1960, por margem tão pequena, que os votos que o pai conseguiu com os sócios da máfia foram importantes.

No livro “Como se faz um Presidente”, o jornalista Theodore White, que cobriu as duas campanhas (de Nixon e Kennedy) faz considerações interessantíssimas. Mas o que quero mostrar são os números que ele cita. Apesar do voto não ser obrigatório, houve grande repercussão, talvez por causa do primeiro debate na televisão. Embora a televisão estivesse “engatinhando”.

Segundo White, votaram 60 milhões de cidadãos. Pelos dados oficiais, Kennedy ganhou com diferença de 120 mil votos. Decodificando para facilitar a leitura e a compreensão: 10 por cento são 6 milhões de votos, 1 por cento, 600 mil, 0,2% (um quinto de 1 por cento) e chegamos aos 120 mil votos da transformação de um cidadão incomum, num presidente comum.

A PREOCUPAÇÃO COM OS NEGROS
E A “QUASE” GUERRA NUCLEAR

Esses dois assuntos são específicos e diretamente pedidos, no texto de Ivan Borodin. Como aristocrata e com a vida de ricaço, recebendo assiduamente na mansão de Massachusetts (antes da eleição), nada a ver com os negros. Nem sabia (e confessou) que não tinha a menor ideia do que aconteceu nos EUA depois da morte de Lincoln.

Não conhecia a 13ª emenda à Constituição, promulgada ainda em 1865, logo depois da morte de Lincoln. Essa emenda foi praticamente ignorada, embora se destinasse a agradar os Estados do Sul e reintegrá-los na União.

Quase 100 anos depois, os Estados do Sul continuavam inconquistáveis, só na campanha Kennedy veio a saber disso, nem visitou nenhum desses Estados. Aí tinha uma justificativa. Na Convenção Democrata, seu adversário para a indicação era o senador Lyndon Johnson, do Sul, considerado o maior coordenador dos EUA.

Às duas da madrugada, derrotando Johnson e Kennedy procurando um vice, ele e o irmão Robert (ainda não senador), exaustos, conversavam no restaurante enorme mas vazio. De repente, John pergunta: “Lyndon Johnson está nesse hotel?” Robert responde rápido, perguntando: “Você vai fazer o que eu estou pensando que você vai fazer?” Ia.

John: “Telefone para ele, pergunte se nos recebe agora, é a única chance de conquistarmos os votos do Sul”. Pela primeira vez, John pensava nos negros. Robert ligou, Johnson atendeu, percebeu logo o que era, respondeu: “Podem subir, não ia dormir”. Não dormiu e foi vice da chapa.

Lyndon era o vice ideal. Dominava o Senado, tinha enorme prestígio em todos os Estados do Sul. Como vice não se intrometia, não frequentava as festas palacianas. Ajudava o presidente, sempre que era solicitado. Assumiu com a morte (assassinato, até hoje inexplicável) do presidente, foi importantíssimo na reintegração dos negros, o que não avançava desde 1866.

JOHNSON PEDE Á SUPREMA CORTE
O FIM DAS RESTRIÇÕES AOS NEGROS

Em 1964, num requerimento oficial, Johnson pede à Suprema Corte que “libere os negros”. Foi atendido logo, com o fim da discriminação nos ônibus escolares, depois em todos os meios de transporte e nas outras privações, incluindo o impedimento de frequentar restaurantes de brancos. Os metrôs tinham vagões para negros, acabaram, viajavam em qualquer lugar. Como se vê, Kennedy não teve nenhuma participação.

A SUPOSTA GUERRA NUCLEAR

Em 1962, em pleno governo Kennedy, um avião americano, voando baixo, detectou a montagem do que parecia ser mísseis, em Cuba. Montaram um sistema de verificação, eram mesmo mísseis. Começou então uma guerra de 14 dias nos bastidores. Os generais americanos e soviéticos, insensatos, apostavam na guerra. Kennedy e Kruschov “conversavam” através de emissários surpreendentes, sabiam que a guerra nuclear seria o fim deles e do mundo, de acordo com as afirmações repetidas de Einstein.

Então, por sugestão de Kruschov, que estava em dificuldades com seus generais, Kennedy deu a famosa entrevista à televisão, “exigindo a retirada dos mísseis de Cuba”. Os soviéticos fingiram “resistência”, levaram a questão para a ONU, mas quase imediatamente cumpriram as “exigências” dos EUA.

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PS – Muitos, nos dois países e até em outros, acreditaram nessa guerra nuclear, que não haverá jamais. É tão destruidora que não poderá existir.

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