Lincoln, um vulto eterno na história universal

Pedro do Coutto

Na edição de sexta-feira 11, a Folha de São Paulo publicou reportagem de Fernanda Ezabela, correspondente em Los Angeles, e Rodrigo Salem sobre os filmes, diretores e artistas que irão concorrer ao Oscar, edição de número 85, dia 25 de Janeiro, destacando Lincoln, direção de Steven Spielberg, personagem protagonizado pelo ator Daniel Day-Lewis.

Favorito, recebeu doze indicações, retrata de forma marcante, segundo o texto, o presidente americano que aboliu a escravatura, em 1861, logo após ser empossado na Casa Branca, pois havia sido eleito em 1860. Reeleito em 64, foi assassinado em 65, tornando-se simultaneamente uma legenda eterna e um vulto histórico mundial.

Exemplo de democrata, também de respeito aos direitos humanos e de igualdade entre os seres independente de etnia, cor, raça, credo político ou religioso. A abolição nos EUA inspirou movimentos no mesmo sentido em vários países entre eles o Brasil em 1880.

Sua decisão não foi fácil. Gerou a guerra de secessão que dividiu o país entre o Norte (abolicionista) e o Sul (na maior parte escravagista). A violência varreu o país, o conflito prolongou-se por quase quatro anos, causando a morte de 600 mil pessoas. Se incluirmos os feridos e os atingidos indiretamente de certa forma, podemos multiplicar esse número por 5. Mais uma vez, Spielberg partiu para uma fotografia da realidade histórica. Já vencera o Oscar em 99 com o Resgate do Soldado Ryan, e teve A Lista de Schindler objeto de aplausos entusiasmados.Pelo que se percebe, Lincoln não é somente uma produção cinematográfica, é uma viagem ao passado, abordando o tema sempre presente da liberdade e da igualdade.

Spielberg, em entrevista recente à Veja, comparou Barack Obama a Abraham Lincoln, no que se refere a uma herança de luta e superação. Por coincidência do destino, ambos, antes de chegarem à presidência, foram eleitos senadores por Illinois. Lincoln aboliu a escravatura. Obama tornou-se o primeiro afrodescendente a chegar à presidência. Spielberg, na entrevista àquela revista, inclui também como herói o pastor Martin Luther King, assassinado em 1968, quando discursava em comício monstro pela igualdade racial.

HERDEIRO

O diretor, que talvez um dia focalize Luther King, considera Obama herdeiro político tanto do presidente que o antecedeu no século 19, quanto do pastor que provavelmente o inspirou e conduziu à luta no século 20.

Seja como for, o filme Lincoln está fadado ao sucesso. Absoluto. O personagem é fortíssimo, o ator Daniel Day-Lewis, segundo os que já assistiram a produção, alcança uma atuação estupenda. Pelas fotos publicadas pela Folha de São Paulo, a caracterização está perfeita. Lincoln parece reviver do passado para chegar à tela mágica. A expressão, as roupas, os gestos, as atitudes. Como a de tirar o chapéu para responder ao cumprimento de escravos que, através dele, atingiram a libertação.

A batalha da libertação, aliás, prossegue, parece não ter fim. Venceu-se a escravidão escancarada nas grandes nações, porém comportamentos escravagistas continuam em inúmeros países. Veja-se por exemplo, o tratamento dispensado à mulher num grande número de Estados. Lugar secundário no processo de existência, esta é uma enorme injustiça que resiste aos séculos.

Spielberg, agora, volta ao passado para destacar a suprema importância de Lincoln. Que sua obra inspire o presidente a promover a libertação social e existencial de milhões de seres humanos subjugados por uma ideia de poder absurda e extremamente arcaica.

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