Lira contesta Bolsonaro e diz que vai haver eleição em 2022, sem ruptura institucional’

Arthur Lira diz que atua como guardião da democracia

Camila Turtelli e Gustavo Côrtes
Estadão

O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), disse nesta quarta-feira, 28, que não há possibilidade de ruptura político-institucional no País e se apresentou como guardião da democracia no governo de Jair Bolsonaro. Lira afirmou não haver dúvida de que haverá eleições “limpas e transparentes no Brasil”, em 2022.

“Enquanto nós estivermos aqui na presidência da Câmara, nessa posição, que é passageira, nós seremos, estaremos aqui como guardiões da democracia. Não tem possibilidade de ruptura política institucional no Brasil”, declarou Lira, em entrevista à Globonews. “Nós não somos qualquer país”.

AMEAÇA DE BRAGA NETTO – Na quinta-feira, 22, o Estadão revelou que no último dia 8 o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), recebeu um duro recado do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, por meio de um interlocutor político. Na mensagem, o general pediu para comunicar, a quem interessasse, que não haveria eleições em 2022 se não houvesse aprovação do voto impresso no Brasil.

Após a publicação da reportagem, Braga Netto divulgou nota dizendo que não se comunica por meio de interlocutores e reiterando o apoio ao “voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso”.

Lira disse que o assunto é “página virada” e não cabe a ele “tocar fogo” no recesso parlamentar. “Muitas polêmicas são feitas quando qualquer Poder às vezes interfere no limite da atribuição do outro, o que causa algum tipo de desgaste. Nós temos que ter sempre a serenidade para colocar cada um dentro do seu quadrado, dentro dos seus limites constitucionais. Sempre com harmonia, mas com a independência necessária”, afirmou.

BOLSONARO INSISTE – Logo depois de Lira dar a entrevista, porém, Bolsonaro voltou a defender o voto impresso, chamado agora por ele de “voto democrático”. “O povo vai reagir em 2022 se não houver eleições democráticas”, afirmou o presidente a apoiadores, no Palácio da Alvorada.

Bandeira do bolsonarismo, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui o voto impresso continua em uma comissão especial da Câmara. O Estadão apurou que o governo deve ser derrotado quando a PEC for analisada, em agosto, após o recesso parlamentar.

Lira afirmou que o sistema de urna eletrônica, adotado há 25 anos no Brasil, é confiável. Argumentou, no entanto, que uma parte da população e também de parlamentares quer debater o tema. “Quero só lembrar de um detalhe: nós vamos ter eleição em outubro do ano que vem, como vamos ter uma eleição em 24, como vamos ter eleição em 26, limpas e transparentes. Eu não vejo nenhuma dificuldade, em algum momento, de aumentar o rigor de auditagem nas urnas”, disse.

6 thoughts on “Lira contesta Bolsonaro e diz que vai haver eleição em 2022, sem ruptura institucional’

  1. Cabe aos alagoanos de bem nunca mais votarem em Arthur Lira (PP-AL),porque ele está se mostrando um canalha, corrupto, e aliado ao que há de pior, o genocida e incompetente Jair Bolsonaro, e está sentado em mais de cem processos de impeachment de Bolsonaro, sem levar ao conselho de ética. Além disso é um dos líderes de um grupo fisiológico, o “Centrão”, que não se preocupa com o povo, só se interessa por negociatas, fraudes com dinheiro público, emprego de parentes na administração pública, e enriquecimento ilícito, tal qual Bolsonaro das rachadinhas e seus filhos das rachadinhas, com dinheiro lavado em loja de chocolate, compra de mansões com dinheiro desviado através das rachadinhas e envolvimento com milicianos. No “Centrão” só tem ladrão.

  2. O Lira está certíssimo, para quem entrar em briga que todo mundo já sabe como vai terminar? Só sendo muito imbecil para acreditar que o mito vai “melar” a próxima eleição. Com ou sem a anuência dos onze sinistros da suprema corte as eleições vão acontecer e, com as urnas eletrônicas fraudáveis, para o desespero dos bolsonaristas.

  3. BIOGRAFIA DO DEPUTADO ARTHUR LIRA (PP-AL)

    Fonte: Wikipédia

    Operação Taturana

    Em 16 de Dezembro de 2011, o juiz Helestron Costa, da 17ª Vara da Fazenda Pública de Maceió, determinou o afastamento dos cargos públicos de Arthur Lira, na época Deputado Estadual, dos também deputados estaduais João Beltrão e Cícero Ferro, do prefeito de Roteiro, Fábio Jatobá, do ex-deputado estadual Celso Luiz Brandão, ex-prefeito de Canapi, e da filha de João Beltrão, Jully Beltrão, como desdobramento da Operação Taturana, deflagrada em 2007. Além disso, o magistrado decretou o bloqueio dos bens de todos eles.[17] No entanto, pouco depois o Tribunal de Justiça de Alagoas decidiu suspender os efeitos de decisão após analisar os recursos impetrados pela defesa do parlamentar. O presidente do Tribunal, desembargador Sebastião Costa Filho, entendeu que Arthur Lira não poderia atrapalhar o andamento do processo.[18]

    Em 2012, Arthur Lira foi condenado pela 17ª Vara Cível de Maceió em uma ação civil de improbidade administrativa pelo mesmo caso.[19] Arthur era primeiro secretário da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas e teria manipulado a folha de pagamento, fazendo descontos indevidos de cheques da Assembleia.[20] No entanto ele recorreu da condenação.

    Antes disso, em 2008 Lira já havia sido preso por obstrução da justiça. Ele estava afastado de suas funções na Assembleia Legislativa desde 17 de março pelo envolvimento no Caso das Taturanas, acusado de participar de um esquema de fraude que desviou R$ 280 milhões do legislativo, além de ter tido seus bens bloqueados. Haviam sido afastados junto com Lira os deputados Mauricio Tavares, Isnaldo Bulhões, Nelito Gomes de Barros, Edval Gaia Filho, Cícero Ferro, Cícero Amélio, Dudu Albuquerque e Antônio Hollanda Júnior.[21]

    Enriquecimento ilícito

    Em 2016, o jornalista Chico de Gois, do jornal O Globo, lançou um livro chamado Os Ben$ que os Políticos Fazem, que atinge diretamente Arthur Lira e seu pai Benedito de Lira. O livro traz 10 casos de políticos brasileiros que enriqueceram durante o exercício do mandato. Entre eles, levanta o enriquecimento de três filhos de políticos que, apesar de jovens, têm uma fortuna maior do que a de seus pais, que estão há anos na política. Além de Arthur Lira, foram citados João Henrique Caldas e Wilson Filho.[22][23]

    De acordo com a publicação, Arthur tinha um patrimônio declarado de R$ 79 mil no ano de 1996. Em 2006, após 10 anos, esse valor havia pulado para R$ 695 mil. Em 2010, após 14 anos e três mandatos (dois de deputado estadual e um de federal), seu patrimônio evoluiu para mais de R$ 2 milhões. Apesar deste crescimento, ele teria deixado de declarar bens como, por exemplo, um apartamento no bairro da Jatiúca, em Maceió. Junto com o pai, teria deixado de informar que são sócios na empresa D’Lira Agropecuária e Eventos, criada em 2007. O livro relata também as acusações de que o deputado foi integrante de um esquema de desvio de recursos da Assembleia Legislativa de Alagoas, dentro da chamada Operação Taturana, pelo qual chegou a ser preso, identificado pela Polícia Federal como um político “sem limites para usurpar dinheiro público”, o que não o impediu de conseguir se eleger deputado federal em 2010.[24]

    Operação Lava Jato

    No dia 4 de setembro de 2015, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou denúncias ao Supremo Tribunal Federal contra o deputado federal Arthur Lira e seu pai, senador Benedito de Lira, por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. Nas denúncias, Janot pede a condenação dos dois pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

    Durante as investigações, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em delação premiada, que repassou R$ 1 milhão, por intermédio do doleiro Alberto Youssef, para a campanha de 2010 ao Senado de Benedito de Lira. O valor, segundo Costa, teria saído da “cota” destinada ao PP no esquema de corrupção e seria decorrente de sobrepreços em contratos da Petrobras. No caso do deputado Arthur Lira, Youssef afirmou, também em delação premiada, que teria pago despesas de campanha do parlamentar em 2010. O doleiro também disse que soube que um assessor do deputado recebeu R$ 100 mil em espécie, mas que ele teria sido detido com o dinheiro no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ainda de acordo com o doleiro, o deputado recebia repasses mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil da “cota” do PP. Em relatório enviado ao Supremo, a Polícia Federal apontou ainda que o empresário Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, também afirmou em depoimentos de delação premiada que os dois foram beneficiados com dinheiro desviado da Petrobras. No dia 1º de setembro a PF já havia enviado relatório ao STF no qual apontava indícios de corrupção passiva dos dois parlamentares e pedia, como uma medida cautelar em procedimento separado, o afastamento dos dois dos cargos públicos.[25]

    Arthur Lira chegou a ser fotografado na portaria da entrada do prédio de Alberto Youssef, em São Paulo. Teriam sido duas visitas. Segundo o deputado, ele realmente esteve lá para tratar de doações para a campanha de seu pai ao Senado, em 2010. Naquele ano, enquanto arrecadava para Benedito, Arthur diz ter recebido um telefonema do deputado José Janene, então tesoureiro do PP. Janene marcou uma conversa com Lira no escritório de Youssef, identificando o doleiro apenas como “primo”. Lira diz ter ido lá sem saber que se tratava de um doleiro. Ao chegar lá, Youssef estava sozinho, sem Janene, e teria dito que seria difícil conseguir doações a Benedito: na sua avaliação, dificilmente conseguiria derrotar Renan Calheiros e Heloísa Helena na disputa por duas cadeiras no Senado por Alagoas naquele ano. O deputado diz que agradeceu o tempo e retirou-se. Semanas depois, no entanto, diz ter recebido um novo telefonema, em que Janene disse que a Construtora Constran doaria 400 000 reais para a campanha. Voltou ao escritório de Youssef mais uma vez, mas, segundo ele, só foi saber quem era, de fato, o doleiro anos depois.[26]

    Além dele, outros deputados foram gravados em frente ao mesmo prédio. Quatro companheiros de partido de Arthur, Mário Negromonte, Aline Corrêa, Nelson Meurer e João Pizzolatti, além de Luiz Argôlo (SDD) e o deputado cassado André Vargas (PT).[27]

    Em Fevereiro de 2016, O STF determinou o sequestro de bens de Arthur Lira e Benedito de Lira. O pedido partiu da Polícia Federal e foi endossado pelo Ministério Público Federal. O bloqueio alcança R$ 4,2 milhões. O deputado terá seus bens sequestrados até a quantia de R$ 2,6 milhões, enquanto que o senador até o limite de R$ 1,6 milhão. O sequestro patrimonial do deputado é maior do que o de seu pai porque as investigações apontaram que ele teria pedido, em 2011, R$ 1 milhão ao empreiteiro Ricardo Pessoa. O MPF pediu a condenação dos dois políticos pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro e a devolução de R$ 7,8 milhões aos cofres públicos. Desse total, R$ 2,6 milhões são referentes à devolução dos valores desviados e R$ 5,2 milhões são referentes à reparação dos danos causados ao Erário devido à participação no esquema de corrupção da Petrobras. O procurador-geral Rodrigo Janot alega que Benedito e Arthur “auferiram vantagens indevidas de praticamente todas as formas observadas no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado à Petrobras”.[28]

    Carteira de habilitação vencida

    Em 2009 Arthur Lira teve sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) apreendida durante uma blitz no centro de Maceió por conta do feriado de Páscoa daquele ano, recebendo uma multa no valor de R$ 540. A carteira do deputado estava vencida desde outubro do ano anterior. O documento foi encaminhado ao DETRAN e o veículo só foi liberado após Arthur Lira conseguir uma pessoa devidamente habilitada para guiá-lo.[29]

  4. Puuuxxxxxxxxxxxxaaaa!!!!
    Como os brasileiros vão ficar contentes em poder votar em 2022; e, mais ainda com quem vamos colocar lá; queiramos ou não, pois quem vem é quem os partidos quiserem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *