Lista de Youssef revela contratos que chegam a R$ 12 bilhões

Eduardo Militão e João Valadares
Correio Braziliense

A planilha com referência a 747 obras, apreendida pela Polícia Federal no escritório do doleiro Alberto Youssef em 17 de março deste ano, citada em despacho do juiz Sérgio Moro para sugerir que o esquema de corrupção transcendia a Petrobras, revela atuação da organização criminosa em vários empreendimentos Brasil afora e até no exterior. O volume de potenciais contratos soma mais de R$ 12 bilhões. O documento foi produzido pelo empresário Márcio Bonilho, principal sócio da Sanko Sider, empresa acusada pelo Ministério Público de permitir a lavagem de dinheiro de recursos oriundos de desvios na estatal por meio da Camargo Corrêa e de empresas de fachada de Youssef.

A lista, obtida pelo Correio, indica que a quadrilha lançou seus tentáculos em obras de estatais gigantes a exemplo da Empresa Brasileira Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobras), Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A (Eletronorte), Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), além de empreendimento da iniciativa privada.

ATÉ PREFEITURAS

Há também indicações de negociação nas prefeituras do Rio de Janeiro e de Barueri, Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e Companhia de Gás do Ceará.

“Na tabela, (estão relacionadas) a obra pública, a entidade pública contratante, a proposta, o valor e o cliente do referido operador, sendo este sempre uma empreiteira, ali também indicado o nome da pessoa de contato na empreiteira”, destacou o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos relativos à Operação Lava-Jato, na decisão que negou a soltura de Erton Fonseca, da Galvão Engenharia.

One thought on “Lista de Youssef revela contratos que chegam a R$ 12 bilhões

  1. E o povão só paga ! Vejam na reportagem da Folha o bilhete da OAS sobre o Porto Maravilha. Nossa grana do FGTS , que o ‘trabalhismo’ petista está remunerando com 65% da inflação, para dar o resto aos amigos.
    ” O ingresso da Caixa Econômica Federal no projeto, por determinação de Lula,
    foi fundamental para desatar um dos nós da revitalização: a prefeitura não
    tinha os recursos para revitalizar o porto.
    A Caixa desfez o nó ao se dispor a comprar com recursos do FGTS todos os
    títulos imobiliários da região, emitidos pela Prefeitura do Rio.
    Esses títulos permitem que construtoras levantem prédios com mais andares
    do que aqueles previstos pela lei. É como se a construtora comprasse o espaço
    no ar para fazer mais prédios mais altos do que se permite e pagasse ao poder
    público por isso.
    Como a Caixa se dispôs a comprar todos os títulos de uma vez, a prefeitura
    não precisou ficar negociando caso a caso, o que poderia levar anos para
    levantar os R$ 8 bilhões necessários ao projeto. Por vias indiretas, a Caixa
    acabou se tornando a principal financiadora da obra.
    O texto diz que a OAS estava elaborando o melhor modelo de negócio e sugere
    que a Companhia Docas do Rio, que administra o porto, precisaria de “novo
    presidente, com perfil apropriado para gestão da revitalização”.
    A troca de presidente não ocorreu, mas em setembro de 2013 a presidente
    Dilma Rousseff autorizou que a prefeitura do Rio desapropriasse vários
    imóveis da região que eram da Companhia Docas.
    O bilhete foi encontrado na casa do presidente da OAS numa caixa de papelão
    com a inscrição “Dr. Léo”, guardada no closet do empreiteiro.

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