Livro revela a “compra e venda” de Medidas Provisórias no Congresso

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Charge do Nani (nanihumorcom)

Frederico Vasconcelos
Interesse Público

Sob o título “Centrão repagina o mapa da mina”, a jornalista Maria Cristina Fernandes publica artigo no suplemento semanal do jornal Valor em que trata do livro “Dinheiro, Eleições e Poder”, de Bruno Carazza. O autor é especialista em políticas públicas e gestão governamental do Ministério do Planejamento. Editado pela Companhia das Letras, o livro expõe a engrenagem dos despachantes de interesses no Congresso Nacional.

Carazza é mestre em economia pela UnB e doutor em direito pela UFMG. É autor do blog “O E$pírito das Leis”, da Folha, onde analisa interesses em jogo e possíveis efeitos dos projetos em discussão no Congresso.

MERCADO LIVRE – A repórter Maria Cristina Fernandes registra que o autor “destrinchou uma a uma as relatorias das medidas provisórias”, acrescentando que “as MPs oferecem o melhor campo de trabalho para os traficantes de interesses no Congresso.

Como o atacado das doações eleitorais minguou, o “Centrão” concentrará suas forças no “varejo congressual”, na definição do cientista político Bruno Carazza.

Segundo a articulista, o “Centrão” privilegia a unidade do bloco, em detrimento da disputa presidencial, porque concentra suas apostas no Congresso. É a partir de seus postos de poder que os partidos têm a prerrogativa de indicar presidentes de comissões e relatores de projetos prioritários.

JUCÁ É O CAMPEÃO – Eis alguns destaques do livro:

Ao longo do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma média de 36% dos relatores receberam doações de setores vinculados às MPs nas quais tinham plenos poderes.

A partir de 2007 até o fim do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, o negócio bombou: 68% dos relatores haviam sido financiados pelos setores das MPs sob sua responsabilidade.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) é identificado como o protótipo do parlamentar cujo papel na negociação das propostas legislativas fez dele interlocutor privilegiado do setor privado [“resolvedor-geral da República”, segundo define um lobista].

Dos 81 senadores, apenas 23 foram relatores de medidas provisórias na Casa entre 2001 e 2017. Mais da metade dos relatores foram escolhidos nas hostes do PMDB, principal partido no Senado. Deles, o campeão absoluto é Jucá. De 238 medidas provisórias aprovadas ao longo desses 16 anos, o senador relatou 73.

Os setores que mais contribuíram com financiamento de campanha foram construção, alimentício e bebidas, financeiro, siderurgia e metalurgia, mineração e farmacêutica.

7 thoughts on “Livro revela a “compra e venda” de Medidas Provisórias no Congresso

  1. Por que ele não falou do José Dirceu que foi o maior articulador durante o período petista, mesmo enquanto esteve preso? Vejam que a descrição do Carazza é sobre a sua formação escolar realçando o fato de ter feito mestrado e doutorado, como se isto corroborasse o que ele escreve. Ele tem toda a razão nos motivos, mas o que escreve se destina a apontar os bandidos dos outros como se o PT fosse o centro das donzelas.

    • No Brasil do Nosso Senhor, cidadão não é ninguém se não for doutor. Não eyorecuso ser útil nem inventar nada nem inovar – basta um títulozinho tirar ora poder ensinare mandar! Eta terra do Nu em que todo mundo chia mas só toma na cabeça.

  2. O chefão dos corruPTos chegou ao disparate de mudar a constituição para poder formar o monopólio das telecomunicações da fOi. Um escândalo que encheu as cuecas de muito “cumpanheru”.

  3. “A Câmara é a representação do povo. Os deputados não são santos porque o povo também não é santo”

    (Bonifacio Andrada, que está em seu DÉCIMO mandato de deputado federal e conhece bem o baixíssimo nível de seus eleitores.)

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