Luiza Trajano: “Sou de direita para privatizar Correios e de esquerda para o Bolsa Família”

Luíza Trajano é uma das empresárias mais fortes do mundo

Kariny Leal, Graciliano Rocha e Toni Sciarretta
Bloomberg Linea

Em seus dias de quarentena em Lisboa, Portugal, antes de visitar os netos em Paris, na França, a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza e mãe do atual CEO da companhia, Frederico Trajano, contou à Bloomberg Línea que descarta a possibilidade de ser candidata à presidência em 2022 – mas ainda pretende ajudar o país por meio de seu grupo, o Mulheres do Brasil.

Aos 69 anos, a empresária acumula patrimônio pessoal de US$ 4,8 bilhões, (cerca de R$ 25,1 bilhões), de acordo com o ranking da Forbes. Sua empresa, o Magazine, tem valor de mercado de R$ 142,4 bilhões, segundo dados da Bloomberg.

Como vê a questão das privatizações?
Acho que saúde não deve ser privatizada, assim como alguns bancos. Banco do Brasil e Caixa Econômica têm que ficar do jeito que está, de forma mista. Saúde e educação eu não sou a favor de privatizar, mas estatais que só dão prejuízo, por que não? O Governo tem que tratar da saúde, da educação, da segurança e da habitação. Quando sou a favor disso, defendo abertura de mercado, privatizar Correios, dizem que sou de direita; quando eu defendo o Bolsa Família dizem que eu sou da esquerda. Tem coisas que eu sou bem liberal. Não existe no mundo um sistema, em países desiguais, igual ao SUS. Ele precisa de digitalização e governança.

E os Correios? Há rumores de interesse do Magazine Luiza em comprar os Correios, a senhora confirma?
Nesse mundo digital, logística é indispensável. A parte dos Correios de correspondências, que quase não existe mais, pode manter com o governo, que pode continuar modernizando. Mas na parte de logística é necessário comprar aviões. Isso tudo respeitando os funcionários. Sou a favor de não destruir o que já tem. Os Correios chegam em qualquer lugar desse Brasil. Com uma gestão como foi feita com a telefonia vai baratear, gerar muito mais emprego. Logística está gerando muito emprego. Agora, se o Magazine vai entrar, eu não sei. O Magazine Luiza entra no que acha que é legal e na hora certa, ele não especula, vai na hora certa. Nós compramos mais de 15 empresas no último ano, de logística e tecnologia e também compramos outras como a Netshoes, que também é de varejo.

A senhora criou o grupo Mulheres do Brasil, que é uma organização da sociedade civil. Como funciona?
Eu comecei a trabalhar o tema das mulheres há oito anos e meio. Sei que a sociedade civil é que muda um país, mas tem que ser organizada e ter unidade no propósito. Pode ter pontos de vista diferentes, mas tem que estar unido no propósito. Começamos bem pequenos, com cerca de 40 a 50 mulheres, em pequenos encontros. Queriamos nos juntar não contra os homens, mas a favor das mulheres. Somos a favor dos homens, mas queremos lutar para que as mulheres tenham mais igualdade. Somos totalmente a favor da democracia e da liberdade de imprensa. Isso era inegociável, e nas nossas redes não poderia ser contra esses princípios. Nós não temos diagnóstico e temos que fazer acontecer. Hoje temos 20 causas, estamos em mais de 100 unidades, e 92 mil mulheres de todos os segmentos..

A senhora comentou em uma entrevista que um de seus netos te ligou para dizer que não gostaria que fosse candidata à presidência. Como foi? A senhora pensa em ser candidata?
“Eu nunca” não existe na minha palavra de empreendedora. Sendo bem sincera, eu não acredito que nenhuma pessoa vai mudar o país se não for através de um grupo forte. Eu sou política e o grupo de Mulheres do Brasil é político. Estamos ajudando cinco mil municípios na chegada da vacina contra Covid-19. O Brasil tem uma experiência de vacinação em que eu estou apaixonada. Eu já sabia disso, mas agora eu vou para a ponta. Estamos ajudando com tecnologia, com câmaras frias, e vamos deixar esse legado. A Unicef, que vacina os países mais pobres no mundo inteiro, está impressionada. É um trabalho muito grande. Você imagina o que é ter cinco mil municípios para ajudar e melhorar para que até setembro tenhamos vacinado 75% da população. Foram premissas. Sem melhorar a pandemia no brasil, eu estou vendo aqui [na Europa], não vamos poder fazer nada. O Brasil está com uma imagem muito ruim de pandemia. Eu já estou trabalhando nisso, mas ainda não tão intenso como pretendo a partir de setembro: fazer um planejamento estratégico para o Brasil de 2022 a 2032 em quatro pilares. São habitação, emprego, saúde e educação, ancorados pela sustentabilidade.

Mas a senhora é candidata?
 Não, e não vou ser.

Acredita que seu plano de 2022-2032 seja factível?
Se eu não tivesse quase 100 mil mulheres conosco, eu não poderia fazer isso, porque não seria ouvido. É um país democrático. Não é um projeto da Luiza Helena, é do Mulheres do Brasil, como foi o Unidos pela Vacina. Quem criou o projeto fui eu junto com o Mulheres do Brasil, porque sozinha eu não sou nada. Eu sou empreendedora, nunca vou dizer que não é factível. Faz um ano que estou trazendo planos, já trouxe do Japão, vou trazer da Suécia, estou pegando tudo que existe nas consultorias. Vou te dizer que é o que eu sonho, mas não quer dizer que eu vá conseguir.

Seu programa no Youtube chama-se ‘Eu nunca pensei que…’. O que a senhora nunca pensou de ver na classe política e no Brasil que está vendo hoje?
Eu nunca pensei que estaríamos tão divididos numa pandemia. Saíram as medidas de emergência para pequenas empresas, que foram boas, mas eles não estavam entendendo nada. Eu dei mais de 410 lives para ajudar. Ainda assim, temos um problema burocrático de sair o dinheiro dos bancos, isso é outra história que eu quero uma alternativa também para chegar. Tem que ser o dinheiro e a capacitação junto, para o micro e pequeno.

Como vê o papel do setor privado neste momento?
O papel do empresário é impressionante. A pandemia trouxe a cultura da doação. O empresário e as famílias brasileiras deram mais de R$ 6 bilhões para a pandemia. Mas o mais importante é que eles não só deram, foram para a ação. Quando você vai para a ação, aumenta o nível de consciência. Quando a gente começou, inclusive minha família que foi uma das primeiras a doar, nosso comitê de doação se reuniu e falamos que só doaríamos para hospitais e UTIs, para termos um legado. Isso não durou um mês e todos tiveram que dar 20% para cestas básicas porque bateu a fome. Hoje eu posso te dizer que o empresário brasileiro não é o mesmo. Não quero saber por que não era assim antes. Mas doar dinheiro é uma coisa, entrar na operação é outra; conviver com a fome de perto é outra história. A cultura da doação entrou no país. A força das instituições privadas é muito grande, e elas estão descobrindo isso.

11 thoughts on “Luiza Trajano: “Sou de direita para privatizar Correios e de esquerda para o Bolsa Família”

  1. Povão, LIBERTEMOS a nós mesmos e ao nosso Brasilzão. Urge pegarmos os capetas e as capetas pelos chifres, espatifá-los ao chão e libertarmos a política, a democracia, o povo brasileiro e o nosso Brasilzão, daquelas, daquilo e daqueles que estão nos matando. STOP DITADURAS (partidária, militar, sindical, midiática, econômica, criminal, miliciana e afin$), pelo amor de Deus. PARE, ditadura partidária, PARE, vc não é a mamãe, vc não é a Democracia de Verdade que queremos e necessitamos. PARE, de nos mentir, PARE, de nos enganar, PARE, “as suas verdades não correspondem aos fatos as vossas piscinas estão cheias de ratos”. PARE, basta, chega, vá para o inferno com o seu falso amor, com as suas mentiras, enganações e manipulações, e leve consigo as suas coirmãs, tão ditadoras, mentirosas e opressoras quanto vc, em especial a famigerada ditadura militar, a sua coirmã armada, a sindical, a midiática, a econômica, a criminal, a miliciana e afin$, desapareçam das nossas vidas, pelos amos de Deus, não aguentamos mais vocês nos impondo as vossas safadezas, que se afeiçoam a uma quadrilha gigantesca cheia de tentáculo$ em permanente estado de guerra, tribal, primitiva, permanente e insana por poder, dinheiro, vantagens e privilégios, sem limite$, que só convém a vocês que ficam com todos os bônus e nos legam apenas os ônus, só confundem as nossas cabeças e nos fazem brigar entre irmãos, e só nos faz sofrer. PARE, basta, saiam das nossas abas, se mandem para bem longe das nossas vidas, vão para a tonga da mironga do kabuletê, com passagem só de ida, que é o lugar que você$ fazem por merecer, a menos que mudem de vida e passem a servir ao povo brasileiro e à democracia de verdade, direta, e não apenas se servir dele e dela. https://www.youtube.com/watch?v=TnKS-nd6wng

  2. Os Mega-Empresários adoram “dar” esmolas para o povo.
    Bolsa-Míséria faz parte do jogo, ela sabe disso.
    Quanto mais pobrinho melhor.
    Melhor Bolsa-Míseria do que investir para dar empregos.
    O povo quer dignidade para ter seu proprio sustento e não ficar mendigando esmolas atrávés dos Bolsas-Miséria da vida….

  3. Essa senhora é a cara da elite brasileira: elite mestiça que se acha branca, norteamericanizada, não entende nada da importância das nossas estatais para o nosso desenvolvimento, etc.

    Não entende nada de nada!

    É uma elite burra mesmo!

    • Mas que fique bem claro, esses abutres querem botar a mão no filé dos correios. A carniça da entrega de correspondência nos rincões mais afastados vamos deixar com o governo.

  4. A verdade é que a sanha de empresários das grandes empresas do país é colocar a não nos Correios.

    O Mercado Livre, a B2W (América, Submarino, Shoptime), Via Varejo (Ponto Frio, Casas Bahia), e tal como a Magazine Luiza, e ainda a estrangeira Amazon estão de olho e querem fatiar os Correios.

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