Lula antes de Dilma liderar pesquisas: “Vou me afastar completamente de tudo”. Lula, agora, com Dilma liderando pesquisas: “Vou correr o país todo, vendo o que realizei”.

O ANTES e o DEPOIS na vida de Lula, uma realidade impressionante, incessante, exasperante. Mas verdade seja dita: ele tem uma capacidade enorme de acreditar no futuro. E tem razão, pois muda de plumagem inesperadamente, apesar de não ser tucano, embora tenha ligação assombrosa com o partido.

Disputou 6 eleições majoritárias, (uma que nem consta da biografia, a tentativa de ser governador de São Paulo) e 5 presidenciais. 4 delas perdendo ou ganhando de paulistas inúteis. Uma que perdeu, a primeira, foi para Collor, um alagoano, nada demais. Afinal, na República, os dois primeiros presidentes foram das Alagoas.

(Tudo isso é constatação, fatos e mais fatos, vão surgir logo os que dirão ENRAIVECIDOS, “o senhor não para de elogiar o Lula”. Ha!Ha!Ha! Duvido que encontrem alguém que tenha criticado mais o presidente Lula do que este repórter).

Poucas pessoas e raros políticos resistiriam a tantas desilusões eleitorais quanto Lula. Já citei os que no mundo ocidental perderam duas vezes e ganharam na terceira (não seguida). Mas o que aconteceu com Lula é realmente inédito. Sem contar a tentativa em São Paulo, perdeu três vezes SEGUIDAS para presidente, mas não perdeu o ânimo, a disposição, a convicção de que chegaria ao Planalto-Alvorada, como realmente chegou.

E ressalte-se, registre-se, ressalve-se: na última derrota, 1998, perdeu no primeiro turno. Como nas outras perdera no segundo turno, a análise perfeita: estava perdendo eleitores, admiradores, cidadãos-eleitores. E em 1998, teve que enfrentar rebelião interna. Suplicy, (sempre ele, sempre ele) queria ser o candidato do PT, substituindo o derrotadíssimo Lula, Não conseguiu a legenda. Lula foi novamente para as urnas.

Os 30, 37, 40 por cento que Dona Dilma tem na pesquisa, (com “erro de dois pontos para mais ou para menos”) pertencem a Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisa não representa vitória (isso é um dos maiores lugares comuns repetidos), mas mostra, pelo menos NAQUELE MOMENTO, quem estava na lista dos privilegiados, levava nítida vantagem.

Além de todos os prognósticos favoráveis, das expectativas positivas, das análises mais do que satisfatórias, Dilma tem um ponto radiante, entusiasmante, exuberante: o adversário se chama José Serra, é repetente e inconsciente na impossibilidade de ser presidente.

Afinal, desde 2002, digo, afirmo e reafirmo: “José Serra jamais será presidente, não tem o perfil de presidente”. Se fosse militar e chegado a general de 4 estrelas (em 2002 estava na idade) poderia ser “presidente” com todas as aspas dos outros.

Duas grandes incógnitas, mas que se fundem, embora provoquem todas as dúvidas: dos 80 por cento que seria o índice de Lula ao deixar o governo, quanto desses 40 por cento de Dilma, teriam sido transferidos dele? Nesse caso ela estacionaria nesses 40 por cento?  Esse total seria o necessário para vencer. Não importa nem interessa se no primeiro ou no segundo turno?

Os 80 por cento, vá lá, a realidade deste MOMENTO, o que identificam como a POPULARIDADE de Lula ao deixar o governo, representa um fato excepcional? Único na História do Brasil, depois da primeira e da segunda ditadura?

De qualquer maneira, aceitando esse total que o seguiria no pós domínio de 8 anos, é relevante contestá-lo ou confirmá-lo como um grande resultado? De maneira alguma. (Ronald Reagan, canastrão como ator, insignificante como presidente, delator na Era do “anti-comunismo” torpe e profissional, saiu da Casa Branca com 83 por cento de popularidade, o que “significa que nada significa”. Mas “vendem” como se valesse).

Deixando de lado pesquisas e resultados verdadeiros, faltando 40 dias para a eleição, o grande personagem continua sendo Lula. Só que ele mesmo exibe uma reviravolta, que não tem nenhum porta-voz, vem diretamente dele mesmo. Só que era uma, até os últimos dias da campanha. Agora, também diretamente dele, outra realidade insofismável.

Quando lançou definitivamente Dona Dilma, e nos tempos de dúvida (pelo menos pública e política) a respeito da vitória, o ainda presidente só falava no seu futuro, “distante do Planalto-Alvorada”. Insistia que iria morar em São Bernardo, no belo apartamento que comprou. Não falava em assessorar Dona Dilma, pela razão muito simples de que não comentava a “vitória dela”. Não se sabe se o silêncio sobre o assunto, representava ORDEM, DÚVIDA, ou a ideai de que o “JÁ GANHOU”, poderia prejudicar a vitória tão trabalhada.

Nos bastidores da campanha, Lula era muito exaltado pela simplicidade e até humildade (não exageremos) com que recebia os cumprimentos pela transferência dos votos. Todos acompanhavam a ascensão da candidata, praticamente a única a demonstrar todo entusiasmo pelo que ia acontecendo. Era natural e compreensível, uma espécie de casamento eleitoral, em que a candidata não tinha espólio ou herança, todo o patrimônio (de votos) era dele.

Sabendo tudo o que acontecia e a importância dele no processo, Lula não ficava arrogante, viajava para o exterior, voltava, ia novamente, era sua rotina dos últimos anos, não se engalanava, não festejava a dupla vitória pessoal.

A primeira, impondo o nome de Dona Dilma ao PT que não satisfazia de maneira alguma o partido. Desde que deixou o PDT, levando uma porção de gente, (royalties para Antonio Santos Aquino) não era considerada petista.

Diga-se a bem da verdade: nenhuma liderança do PT acreditava que Lula tivesse a coragem (muitos falavam em audácia) de empurrar a iniciante adepta do partido, ultrapassando os de sempre ou de antes. Só que Lula fez, sem se arrogar ou se orgulhar.

A segunda vitória de Lula foi obter (?) o silêncio geral, total e até natural, dos que se julgavam os legítimos sucessores do próprio Lula. Não falavam abertamente, mas confidenciavam, “até apoiamos o presidente quando ele tentou o terceiro mandato”, uma espécie de Ponte sobre o Rio Kwai, mais do que um filme, um obstáculo que Lula acreditava que ultrapassaria.

Logo percebeu que o obstáculo era intransponível, abandonou tudo, marginalizou outros interesses, ficou com a fórmula chamada de PLEBISCITÁRIA. Apesar do que falam e das restrições que fazem a Lula, ele foi o primeiro e único a compreender que sem a reforma partidária, toda eleição será PLEBISCITÁRIA.

E com a utilização do Poder, não haverá derrota para quem se aproveitar de todos os benefícios e das vantagens fabulosas que se oferecem a quem quiser se aproveitar.

E Lula sempre quis. Antes, para ele. Como não pôde, para ela. Mas com ele longe, não escondeu: “Não vou me intrometer em nada, preciso descansar, e ela, governar”.

Mostrando que é mesmo um personagem fora de série, Lula apareceu em público, não mais como diletante ex-presidente, ávido de descanso, e sim como um voluptuoso participante, deixando claro que “participará, mas longe do Planalto-Alvorada”.

Mudaria o Natal ou mudou o Lula? Decifrem, os que gostam ou não gostam do Lula, seus adoradores ou detratores. Antes de deixar o Poder e depois de anunciar o afastamento desse Poder e da candidata que está elegendo, Lula ressuscita, e deixa toda a impressão que inicia a campanha 2014-70, ou seja, a sucessão de Dilma aos 70 anos.

***

PS – Lula fez tantas afirmações no Norte/Nordeste, que o próprio PT não entendeu, não se satisfez e nem sabe o que fazer.

PS2 – Pelo que se depreendeu, Lula vai “aconselhar” Dilma, não tão longe como afirmou. E bem distante do trajeto que traçara para ele mesmo.

PS3 – para os que custam a perceber, uma ajuda e uma análise: Lula está assumindo desde agora, o ESPAÇO que deveria ser do PSDB, a OPOSIÇÃO. Mais claro? Impossível.

PS4 – Que não fiquem dúvidas: isto é análise pura, constatação e não louvação. Se não louvei o presidente que pensa (?) que fez tudo e não fez nada, por que iria louvá-lo no momento em que deixa a fantasia do Poder para se cobrir com o manto da oposição?

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