Lula aproveita o embalo e acelera a campanha de Dilma

Pedro do Coutto

Na próxima semana, em companhia de Lula, a ministra Dilma Roussef vistoria as obras de transposição do Rio São Francisco e visita três estados no Nordeste, revela matéria de Letícia Sander, Folha de São Paulo de 7 de outubro. O presidente da república, sem dúvida, aproveita o embalo com o êxito das Olimpíadas no Rio e acelera a campanha da chefe da Casa Civil.Ganha ritmo. As próximas pesquisas –eis aí8 uma questão interessante- deverão esclarecer se houve mudanças na segunda colocação, já que os últimos levantamentos apresentavam um equilíbrio entre ela e Ciro Gomes. Dilma Roussef deve ter avançado. Primeiro pelo novo impulso que soprou no país a favor do governo. Segundo porque, ao transferir o domicílio eleitoral para São Paulo, Ciro Gomes pelo menos deu margem à interpretação de que poderá tentar o executivo paulista num esquema de aliança com o Planalto. Ainda que não seja esta a intenção verdadeira iniciativa, vai refletir nesse sentido junto a correntes do eleitorado. E isso contribui para retirar do foco central uma candidatura sua a suceder o presidente Lula. José Serra deve continuar liderando com a margem de intenções de voto que lhe é constante, porém –penso eu- Dilma Roussef deve consolidar-se em segundo. Ciro em terceiro, Marina Silva em quarto. Não haverá assim alterações de porte, a não ser a presença de uma atmosfera mais afirmativa em torno de Dilma. Ela e Lula passaram à ofensiva, sem dúvida num momento certo, embora ainda distante das urnas. Ciro Gomes deslocou-se para a defensiva, envolvido por uma nuvem de dúvidas. Isso aconteceu muito em política.

As candidaturas fortes têm que ser afirmativas, não podem dar margem  incertezas.Não haverá muito a mudar no quadro.Por seu turno, Serra também deverá escolher uma rota mais clara ao lado de Aécio neves, mudar o tom, para tentar manter o percentual em que tem sido colocado.

Liderando, porém não incorporando novas forças além das que tradicionalmente envolvem o voo dos tucanos. Trinta e oito pontos foi o patamar que o governador de São Paulo alcançou em 2002 quando perdeu para Lula. Quatro anos depois, Geraldo Alckmim avançou um degrau. Enquanto isso, Lula obteve 62% dos votos na primeira vitória, 61 pontos na segunda quando se reelegeu. Existe assim uma faixa a ser conquistada pelos principais candidatos, não sendo provável que Marina Si8lva cresça além da faixa de dez degraus. Ela garante o segundo turno, sem dúvida, mas não para ela. Ciro Gomes, se concorrer à presidência, também assegura   o segundo turno. Mas se o seu rumo for o Palácio dos Bandeirantes, difícil é calcular hoje qual será ou poderá ser sua contribuição para a campanha de Dilma Roussef.

Claro, hoje não se pode imaginar qual será o amanhã, mas por isso mesmo avaliar tendências básicas, impressões, incertezas, perspectivas, imprecisões quanto ao percurso. Política é assim mesmo. A qualquer momento podem surgir fatos que alterem o panorama geral. Não são prováveis, mas são possíveis. A política é uma arte do possível. Flexível, tocada pela emoção que somente se faz sentir quando as campanhas esquentam e ganham intensidade. A vitória de Barack Obama nos EUA é um exemplo concreto de quanto pesa decisivamente a personalidade de um candidato, seu desempenho, sua capacidade de arrebatamento. Esquemas rígidos muitas vezes não alcançam êxito porque neles falta a presença da emoção. Afinal de contas, estamos falando de candidaturas e de seres humanos. Determinada atitude de um pode lhe acrescentar  votos e apoios. O mesmo comportamento de outro é capaz de gerar efeitos contrários. E isso mesmo. Daí a importância dos momentos e das pesquisas.

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