Lula assume articulação da base política de Dilma?

Pedro do Coutto

O ex-ministro Paulo Vanucchi, diretor do Instituto Lula, afirmou que o ex-presidente vai se empenhar a fundo, jogando toda sua energia, para manter a coalizão partidária sobre a qual repousa o governo Dilma Rousseff. Sinal enigmático, pois se ele acha necessário empenhar-se para manter a coalizão, fica a pergunta: por que tal tarefa não é realizada por sua sucessora?

Para Lula, de acordo com a reportagem de Diógenes Campanha, Folha de São Paulo de terça-feira 22, Dilma precisa destravar sua administração para sustentar sua alta popularidade num ano desafiador como o de 2013. Se precisa destravar, logicamente é porque se encontra travada. Logo o ex-presidente deixou no ar uma crítica à atuação política da atual presidente. Ele, então, se oferece para atuar.

A articulação não estava boa no início da jornada. Basta ver o grande número de substituições na equipe. Inclusive na chefia da Casa Civil com a saída de Palocci e a entrada da senadora Gleisi Hoffmann. Um cargo chave em qualquer administração. E cujo exercício é muito difícil, já que se trata de um posto de extrema e absoluta confiança. E de muitos limites e limitações. O titular não pode ir além das fronteiras que a sensibilidade impõe. Não pode se omitir e também não pode ofuscar quem ocupa a presidência da República. Não é este, evidentemente, o caso da ministra Gleisi. Sua saída, inclusive, está prevista para abril de 2014, uma vez que pretende disputar o governo do Paraná.

A política é como a nuvem, bela e eterna frase legada pelo governador e senador Magalhães Pinto, que não se encontra há muitos anos mais entre nós. A nuvem muda de forma e direção a todo o instante. Agora, por exemplo, primeiro Dilma Rousseff anuncia sua candidatura à reeleição. Surgem notícias de que Lula estaria examinando a hipótese de disputar novamente a presidência. Ele nega. Mas subitamente anuncia sua atuação como articulador. Principal objetivo o de manter o governador Eduardo Campos, e também o seu partido, o PSB, na base aliada. Lula, a exemplo de Dilma, atribuiu grande importância política ao jovem governador e também à legenda socialista.

Reunido com intelectuais no Instituto Lula, o ex-presidente tratou também de política externa e agendou, segundo a reportagem da Folha de São Paulo, uma reunião com sua sucessora ainda neste mês de Janeiro. Algo de inesperado portanto ocorreu como informou Élio Gáspari em sua coluna domingo passado no Globo e na própria FSP. O que teria sido?

Não se pode saber, porém que houve algo, houve. Caso contrário, Luis Inácio não tornaria público, através de Paulo Vanucchi, sua iniciativa de praticamente assumir a coordenação política da administração federal. Onde hpa fumaça há fogo, diz o velho ditado. Há, assim, uma seta na estrada apontando para uma mudança de estilo, ou de rumo.

Com isso, sem dúvida, Lula fortaleceu-se ainda mais no quadro político do país. Se Dilma iluminou um caminho anunciando ser candidata à reeleição, Lula acendeu outra luz assumindo a articulação.

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