Lula conseguiu acentuar o início da campanha

Pedro do Coutto

Claro, sob a luz da lei, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, tem razão quanto  antecipação da campanha eleitoral com a visita do presidente Lula, da ministra Dilma Roussef, do governador Aécio neves e do deputado Ciro Gomes às obras de transposição e redirecionamento do rio São Francisco. Mas, concretamente, é muito difícil geralmente separar-se as ações administrativas dos impulsos políticos.Afinal, como será possível a Justiça,no caso Eleitoral, impedir a desenvoltura com a que atua o presidente em todas as frentes que inclusive lhe têm sido abertas no plano do sucesso.Questionar-se a presença da ministra chefe da Casa Civil, teoricamente é procedente.Mas como bloquear sua presença? Impossível. Teria que haver uma decisão requerida por algum partido político adversário. Mas neste caso,ela teria sua imagem realçada,vítima do temor de seus adversários. Cresceria junto à opinião pública. Aliás, detonando a campanha eleitoral e recebendo a censura do presidente do STF, o episódio não poderia ser melhor para o governo. Muitos, é claro, identificaram o caráter eleitoral da visita de três dias às obras. Outros tantos, não. Porém agora como fato sublinhado pelo presidente da Suprema Corte, a investida tornou-se facilmente acessível a todos. Mais uma vez, Lula atingiu plenamente seu objetivo. Some-se a isso os êxitos que tem alcançado simultaneamente nos planos interno e externo, mas sempre repercutindo com intensidade no país, e teremos a visão de um panorama altamente positivo para o Palácio do Planalto.Na realidade, a campanha será longa, na exata medida da estrada a percorrer a disputa efetivamente começou com antecedência de pelo menos  oito meses.Lula encostou a oposição no corner.E deste ângulo ela não está conseguindo sair, livrar-se da pressão.

Estão faltando fatos e, sobretudo argumentos. PSDB e DEM ainda não encontraram um ponto certo de resposta, não localizaram argumentos para contestar os êxitos do governo e também não tentou incorporar-se a eles, sobretudo em termos politicamente válidos. Negar por negar não vai funcionar junto ao eleitorado. Aliás não está funcionando, como certamente as próximas pesquisas vão assinalar.José Serra estacionou na sua faixa tradicional, o que proporcionou a Aécio neves procurar apresentar-se como uma alternativa para amanhã,já que as campanhas tucanas de ontem não revelaram avanços em 2002, tampouco em 2006. E agora as condições são mais adversas ainda. Está faltando espaço para uma ação oposicionista coordenada. Inclusive já surgiram divergências entre o PSDB e o DEM. Numa campanha presidencial, evidentemente a presença de Aécio Neves, inclusive pela juventude que o marca, é mais motivadora que a de José Serra. Mas o governador de São Paulo possui uma posição cristalizada. O impasse para as oposições ainda está, em síntese: praticamente impossível substituir Serra, sob o risco de um desmoronamento. A menos que se retirasse da disputa. Mas não se pode desenvolver qualquer análise lógica a partir de tal perspectiva, demasiadamente rêmora.

O panorama continua estacionado. E neles as oposições também. Talvez aguardando um momento oportuno. Mas enquanto tal instante não surgir, Lula continua seguindo em frente e subindo. Importante assinalar que ele está conseguindo, não apenas transferir uma parcela sua de votos, mas a sua própria imagem para Dilma Roussef. A meta é fazer passar ao inconsciente coletivo que votar em Dilma é a mesma coisa que votar nele. Interessante este tema. Em termos de marketing.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *