Lula, coordenador da reforma política, equivoco total. Não tinha nem tem nada que se meter num assunto que é altamente polemico. Seu desgaste será visivelmente previsível, defenda o que defender.

Helio Fernandes

Há anos se fala na modificação eleitoral. Essa mudança é chamada de reforma “partidária”, embora os partidos não existam no Brasil. Registrados são 27, mas efetivamente não chegam nem a 10.

Esses 27, muitos participando do “Fundo Partidário” e o ano inteiro se exibindo no que gostam de chamar de “horário eleitoral gratuito”. No capitalismo nada é de graça, (rotina e lugar comum) o que dizer então de radios e televisões? São pagos e muito bem pagos. O que não é surpreendente, são empresas privadas e particulares. Embora os canais e as concessões, sejam distribuídas generosamente pelo Poder público.

Agora, no senado, efetivamente  o projeto de reforma, finalmente saiu do papel. Mas era melhor que não tivesse saído. Atacaram dois pontos. 1 – Voto em candidatos, como agora, foi trocado pelo voto no partido, ou “lista fechada”.

2 – Financiamento de campanha, EXCLUSIVAMENTE com o que apelidaram (nada mais do que um apelido) de FUNDO PÚBLICO DE CAMPANHA. Quer dizer, dinheiro do cidadão-contribuinte-eleitor.

O voto de lista, é o maior escândalo, uma vergonha inacreditável, descaradamente para favorecer as cúpulas. Funcionará (funcionaria, acho que não será aprovado) desta forma. Como nome está dizendo, o eleitor vota num partido. Esse partido organiza (?) a tal lista fechada, que o eleitor nem conhece.

Os senadores não precisam de lista, da mesma forma que presidentes e governadores. Então a lista é preenchida pelos que dominam os partidos. No PMDB da Bahia, aparecerá em primeiro lugar Geddel Vieira Lima, que foi derrotado para governador, e como derrotado teve direito a 1 cargo.

A seguir virão os amigos dele, na ordem seguida, Digamos que o PMDB faça 6 deputados federais, estaduais e vereadores a mesma falta de representatividade. No Rio, Picciani, que não se elege senador, se elegerá, seus amigos e os amigos de cabralzinho estarão na “cabeça” da lista.

No Rio Grande do Norte, o primeiro de todos será o LIDER (Deus e a Justiça me perdoem a calunia) Henrique Eduardo Alves. Depois dele, os amigos e companheiros de liderança. E isso não servirá apenas para o PMDB e sim para todos os outros.

O projeto que obteve apenas um terço dos senadores (27), depois de aprovado, irá para a Camara. Além dessas modificações arbitrarias, mais uma, pelo menos estranha. A tal lista tem que ter, alternadamente, o nome de 1 homem e de uma mulher. (Não diz qual sexo encabeça da lista).

Como é que chegaram à conclusão de que a representaçao partidária tem que ter, o-b-r-i-g-a-t-o-r-i-a-m-e-n-t-e, metade de homens e metade de mulheres? Ha!Ha!Ha! Por que não concluíram que as mulheres deveriam ter dois terços ou um terço da representatividade?

Esse projeto pode até ser aprovado no senado (não tenho muita certeza) mas na Camara será vetado e por grande diferença. A maioria absoluta da Camara, é composta por deputados que não têm direito a coisa alguma, são conhecidos e identificados como “baixo clero”.

Esses deputados que são maioria, se votarem pelo tal VOTO DE LISTA, devem ser internados no Pinel mais próximo. Jamais elegeram o Presidente da Camara (ou do senado), recebem o nome no qual devem votar, sem qualquer hesitação. Às vezes, “ganham” uma suplência nas duas “casas”, não podem nem protestar.

Agora, deliberadamente, para criar a maior confusão, passaram a chamar esse “voto de lista”, de “distritão”. Por que DISTRITÃO? Para confundir com DISTRITAL, este existente na maioria dos países do mundo ocidental, principalmente EUA, França, Inglaterra (Grã-Bretanha).

Obama, antes de ser senador nacional, foi senador estadual. (Distrital). Os deputados, (congressistas) também são eleitos por esse voto altamente representativo, que é o distrital. Nesse tipo de escolha, o eleitor conhece o candidato, e este sabe que também é conhecido. Ninguém é enganado, nem o eleitor nem o candidato.

Na Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte, Irlanda do Sul, País de Gales), o Primeiro Ministro é escolhido por votação na Camara dos Comuns. Para pertencer a essa Camara, o cidadão é eleito pelo VOTO DISTRITAL. Churchill, herói da Segunda Guerra Mundial, não se elegeu para a Câmara dos Comuns, não pôde ser Primeiro Ministro.

Na Constituição de 1891, (anteprojeto de Rui Barbosa, relatado por ele na Constituinte de 1890/91), existia o senador nacional e o senador distrital. Em 1930, ditatorialmente, acabaram com esse senador, que existe até hoje nos EUA.

Como a questão é visivelmente polemica e tumultuada, chamaram o ex-presidente Lula para COORDENAR a tramitação. Dizem que os partidos serão beneficiados, e com ele comandando a reforma, o PT fará bancada maior. Quanta besteira, Manuel Bandeira.

Nenhum partido será beneficiado, crescerá por causa do voto de lista. A proporção ficará praticamente a mesma. Como já se sabe e proclama, beneficiados apenas os integrantes das cúpulas dessas siglas que fingem de partidos. Roubarão do cidadão o direito de escolher, mesmo errado. O voto deixará de ser direto, passará a ser indireto.

 ***

PS – Muitos nomes não precisarão fazer campanha, já estarão eleitos assim que marcarem a data da “eleição”. Como iremos aceitar essa usurpação?

PS2 – O voto com a campanha financiada com dinheiro público, é outra mudança vergonhosa. Não existe o habito, costume ou tradição dessa forma de custeio. O que existe no Brasil é a disseminada pratica da corrupção.

PS3 – Lula, se confirmar a aceitação, sofrerá o maior desgaste de sua vida. Mesmo que esteja fazendo campanha presidencial, será prejudicado.

PS4 – Acorda Lula, você irá jogar fora, tudo o que ganhou ou conquistou, apesar dos escândalos, o maior deles o MENSALÃO.

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