Lula deixa a Presidência e a residência oficial, mas continua roteirista e diretor do seu próprio espetáculo. Só não consegue saber quando começa o grande show que imagina.

Helio Fernandes

Já não mais presidente, Lula que não conhece bem quem foi o general MacArthur, repete (por enquanto para ele mesmo), o que o comandante disse nas Filipinas: “Eu voltarei”. O general não queria sair, cumpriu uma ordem do comandante em chefe, o presidente Franklin Roosevelt.

Lula estabeleceu seu próprio desígnio, não vai para o triplex de São Bernardo, nem pretende andar nas ruas, “eu sou povo”, não é mais. O Lula que sai do Poder agora, só tem um objetivo, que é voltar, não sabe como, quando ou em que prazo. Mas seu futuro é no Poder, sobre isso nenhuma dúvida.

O Lula sindicalista pode ter sido o início de tudo, mas está muito longe dos seus planos e projetos. Só lembra e afirma o passado, quando pode tirar efeito positivo dessa lembrança. No mais, nenhum interesse de Lula no trabalho pelo qual se lançou.

E toda a trajetória de Lula, fracasso em cima de fracasso, desde que se candidatou a governador de São Paulo e tirou quarto lugar com 4 candidatos, já completamente esquecida. Depois, a tentativa de ser presidente em 1989, 1994 e 1998, não está mais entre as suas recordações.

Na primeira candidatura, quase se elege presidente, foi para o segundo turno, não ganhou mas mudou (sem querer ou perceber) a História do Brasil. Ganhou de Brizola por meio por cento, nunca vi ninguém tão decepcionado quanto Brizola nessa oportunidade. Se fosse para o segundo turno, não perderia nem para Collor nem para ninguém.

Perdeu mais facilmente no segundo turno, passou a trabalhar intensamente para 1994, e na verdade era o favorito. De tal maneira, que reduziram “o mandato dele” (era assim que chamavam) de 5 para 4 anos. Só que não ganhou; Como não ganharia em 1998, passando a ser o único cidadão do mundo ocidental a disputar e perder uma eleição presidencial, três vezes seguidas.

(Mitterrand e Salvador Allende disputaram três vezes, mas não seguidas. O francês em 1958, 1974, ganharia em 1981. No Chile, Allende perderia em 1958 e 1962, ganharia em 1970).

Lula ganharia em 2002, foi a insistência de um homem que pretendia ser presidente, nada mais do que isso. Não cumpriu nenhum compromisso, se isolou completamente, a grande necessidade que não poderia deixar de concretizar, mas deixou: manteve as DOAÇÕES criminosas de FHC, nem DESPRIVATIZOU, nem mesmo criou uma CPI para CONDENAR toda a COMISSÃO DE DESESTATIZAÇÃO.

De 2003 a 2007, nenhuma obra de vulto, nada de envergadura, cumpriu os 4 anos burocraticamente. Era um presidente eleito, seria reeeleito, mas não dera o grande salto da própria imaginação. Só se deu conta do que PODERIA ALMEJAR, contraditoriamente, quando esteve pertíssimo de ser o segundo presidente a sofrer o impeachment.

Assustado mesmo, a repercussão do mensalão deixou-o completamente perdido, angustiado, desesperado. Se a oposição não fosse composta de Serras e Alckmins, teria ido para o espaço. Assistiu apavorado, as 7 horas do discurso de Roberto Jefferson;

Viu tudo pela televisão. Quando o deputado do PTB, eloquente, suicida mas empolgante, afirmou “contei tudo ao presidente Lula, não tomou providências porque não quis”, ele faria como Nixon: renunciaria para não sofrer o impeachment.

O tempo passou, nada lhe aconteceu, houve o processo de “Ali Babá e os 40 do mensalão”, e nem chegaram perto dele. Lula se convenceu de que era poderoso mesmo, que tinha dimensão maior do que a de um simples presidente. Passou a dominar de maneira inteiramente nova, agiu de forma divina e acima de qualquer julgamento dos homens. Vejam o final de 2007 e início de 2008, o comportamento de Lula é inacreditável.

Tentou de todas as maneiras o terceiro MANDATO, com a PRORROGAÇÃO GERAL até 2012, quando se iniciaria a verdadeira ERA LULA. Não mais um mandato, a D-I-V-I-N-I-Z-A-Ç-Ã-O. Não conseguiu, eram muitos os obstáculos, mas começou a trabalhar a  candidatura Dilma para 2010, ao mesmo tempo em que se projetava, não mais como um sucessor, e sim um precursor.

 ***

PS – O capitão Amilcar Dutra de Menezes, primeiro diretor do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) do Estado Novo, gostava muito de repetir: “O futuro a Deus pertence”.

PS2 – Lula sabe disso, só que ele é o próprio Deus. Falta ser ungido, sagrado e sacramentado. O que acontecerá no momento que escolherá. Dona Dilma terá percebido?

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