Lula está conseguindo colar sua imagem à de Dilma

Pedro do Coutto

Ótimas reportagens de Welligton Bahneman, O Estado de São Paulo, Flávio Ferreira, Folha de São Paulo, e de Leila Su Wan e Sérgio Roxo, O Globo, todas três publicadas domingo passado, destacando a presença de Lula ao lado de Dilma Roussef nas comemorações de Primeiro de Maio, em São Paulo, apesar das críticas feitas ao uso do governo em favor de sua candidata, contribuíram exatamente para fortalecer o objetivo principal do próprio Lula: colar a sua imagem à imagem da ex-chefe da Casa Civil. Quanto mais se falar no assunto, melhor para Lula. Estará conquistando espaço fundamental para transformar as eleições presidenciais de outubro num verdadeiro plebiscito.

Das três matérias, a meu ver a melhor edição foi a do Estado de São Paulo. Sobretudo pelo aspecto visual. A Folha de São Paulo ouviu a direção do PSDB e obteve a informação de que o partido vai representar à Justiça Eleitoral contra o Planalto por usar um ato público oficial como se fosse um comício político e também por propaganda eleitoral antecipada. Se de fato agir assim, estará fazendo exatamente o que Luis Inácio da Silva deseja: ampliar o máximo a repercussão do episódio no sentido de que cada vez maior número de pessoas tenha conhecimento da continuidade administrativa que colocou e que esta continuidade tem o rosto e o nome de Dilma Roussef.

É claro que o presidente da República ultrapassou a lei. Mas quem poderá enquadrá-lo? A Justiça? Não. Falta autoridade. Pois não devemos esquecer que o Judiciário é o Poder que demora de 20 a 30 anos para julgar ações de pleno direito e executá-las, caso da indenização à Tribuna da Imprensa, e paralelamente em no máximo 48 horas concede habeas corpus seguidos ao banqueiro Daniel Dantas. Sabendo que a Justiça não possui firmeza ante o governo e é vista com desconfiança pela sociedade, o presidente Lula vai em frente. Não vai lhe acontecer nada, absolutamente nada. E quanto mais se falar no tema, melhor para ele e sua candidata.

Pois Dilma Roussef é agora personagem central das páginas políticas que está escrevendo. Falando francamente, o pior que o PSDB pode fazer é recorrer ao TSE contra o comportamento presidencial. Fará plenamente o que Lula deseja. Ocupar o maior espaço possível na mídia para sublinhar o apoio à sua candidata. O assunto preferido de Lula, como sua aparição na TV na véspera do Dia do Trabalho e sua presença, com Dilma, nas comemorações assinalou, é a continuidade administrativa.

Isso de um lado. De outro, sob o prisma político, Lula deixou claro que vai se empenhar a fundo na campanha para elegê-la. Seu comparecimento no Primeiro de Maio, transformando um ato oficial em claro comício, deixou nítido o seu empenho e a intensidade de sua participação direta na campanha. Ele revelou, desde a submersão da candidatura de Ciro Gomes, que está disposto até a dispensar aliados em potencial para o segundo turno. Ele tem uma popularidade superior a 70 por cento, como revelam o Datafolha e o Ibope, e o peso da máquina federal a seu lado. Não é pouco. José Serra e o PSDB têm razões para se preocupar. Serra está na frente das pesquisas. Tanto assim que a campanha de Dilma passa por mudanças. Isso hoje, manterá a dianteira ao longo do caminho das urnas? Eis aí um pergunta de difícil resposta.

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