Lula está convencido, com sua popularidade (nas pesquisas), que elege até mesmo o Papa. E ainda inovando, não escolhendo um cardeal

Pode ser dito que, desde a República, esta é a mais atípica e inédita sucessão presidencial. A partir de 1889 e até 1894, ficaram se revezando os dois marechais das Alagoas, que vieram brigados da estranha Guerra do Paraguai. Reconciliados na madrugada de 15 de novembro, superaram os “abolicionistas” e os “Propagandistas da República”, que foram afastados apenas com um golpe.

Em 1894, prudente de Moraes consolidou a República, livrou-se dos marechais, mas não conseguiu impor uma República de verdade, comandada por eleições. Surgiu a famosa “ratificação dos Poderes”. Os presidentes eram os únicos livres de “ratificação”, mas indicados e sucedidos pelos que estavam no Poder.

Prudente indicou Campos Sales, que indicou Rodrigues Alves, que indicou Afonso Pena, e tudo continuaria assim (como um poema de Drummond), se Afonso Pena não morresse no cargo, inaugurando a era dos vices que assumiram.

Com a morte de Afonso Pena mudou a rotina sucessória, mas sem mudar nada na sucessão. Rui Barbosa, que já queria ser presidente desde 1906, formalizou sua candidatura. E como Nilo Peçanha (o vice que assumiu) era inimigo mortal de Rui, tivemos que “engolir” outro general.

Era Hermes da Fonseca (sobrinho do Marechal Deodoro), Ministro da Guerra de Afonso Pena e de Nilo. Completamente desconhecido, lançado e apoiado pelo vice que assumira, tinha a força do Poder armado e mobilizado. E ganhou de Rui por diferença pequena, apesar da formidável “Campanha Civilista”, sem  jornal, rádio ou televisão, e que resiste na imagem, na mente e no coração até hoje.

Que República, já podia ser dito. E hoje, repetido com lamento, tristeza, mágoa, ressentimento, constrangimento e um sentimento total de perda.

Continuou assim. Logo depois, eleito em 1918, Rodrigues Alves (então com 70 anos) não pode assumir, Delfim Moreira também não, vieram os 11 meses de “regência” Mello Branco, até “escolherem” Epitácio que nem estava no Brasil.

Epitácio indicou Artur Bernardes (que quase não toma posse, mas grande figura, ficou os 4 anos), apoiou Washington Luiz, que tomou posse, mas não terminou o mandato. Foi superado, em 1930, pelo que se chamou de revolução, com muito mais aspas que convicções.

Vou cortar até 1930 (não encerro recordações, apenas deixo trechos para depois) até agora, 1989, quando Luiz Inácio Lula da Silva, 5 vezes candidato, três derrotado e duas vitorioso, quer esquecer as primeiras, ou então lembrá-las para ganhar novamente. E como finge que gosta muito de futebol, dizer: “O presidente quer igualar o placar, três vitórias e três derrotas”.

Só que o presidente, não enganando a si mesmo, engana o país, pretendendo se manter indefinidamente não pelo TERCEIRO MANDATO, pura e simplesmente comanda a IMORALIDADE MAIOR COM A PRORROGAÇÃO GERAL. Todos (governadores, senadores, deputados federais e estaduais) ficariam até 2012. Eles mesmos se PRORROGARIAM, como não têm representatividade popular, usariam a “representatividade” ultrajante.

O presidente não correria o risco ou o suspense de ser derrotado na emenda constitucional que precisaria (e não obteria) dois terços, na Câmara e no Senado.

Para fortalecer essa idéia de “todos ficarem até 2012”, Lula não lançou candidato para a própria sucessão, fica fazendo malabarismo sobre um tema vago. E para reforçar a ausência de candidato, repete seguidamente: “Não disputarei o TERCEIRO MANDATO”. Está sendo sincero, não disputa mesmo.

Mas não diz jamais, não garante sem interpretação: “NÃO ADMITO FICAR NO PODER, POR PRORROGAÇÃO, PLEBISCITO OU QUALQUER OUTRA FORMA DE PERMANÊNCIA”.

Lula só acredita em pesquisas. E como elas dizem (ou sussurram?) que tem 80 por cento de popularidade, defende e garante Sarney, “adivinha” que essa é uma forma de continuar no Planalto-Alvorada, depois das obras.

*  *  *

PS- Com a PRORROGAÇÃO geral, Lula GANHA, no mínimo, no mínimo, 54 senadores e de 200 a 250 deputados que seriam beneficiados.

PS2- Lula é tão arrogante, prepotente e imprudente com essa pesquisa sem credibilidade, que não é convidado para o Vaticano: se fosse lá iria querer substituir o Papa por um candidato que não fosse cardeal

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