Lula fez bem em desistir de viajar à Itália. Iria ser alvo de uma série de protestos, desde o aeroporto.

Carlos Newton

O ex-presidente Lula escapou por pouco. Se tivesse mantido a visita à Itália, iria se aborrecer demais e teria sérios danos à sua imagem. O próprio governo italiano já tinha se encarregado de organizar uma série de manifestações contra Lula, a partir de sua chegada ao país.

O ministro das Relações Exteriores do país, Franco Frattini faz questão de culpar o ex-chefe do governo brasileiro pela libertação do ex-ativista italiano Cesare Battisti. “Quem errou foi única e exclusivamente o então presidente Lula, que cometeu uma falha gravíssima”, disse Frattini à TV estatal italiana, acrescentando que o governo italiano vai apresentar argumentos jurídicos claros à Corte Internacional de Haia, onde pretende recorrer da sentença do Supremo Tribunal Federal.

O chanceler adiantou que, antes de levar o caso a Haia, o governo italiano pretende recorrer ao Comitê de Reconciliação até o dia 25 de junho. Este
comitê foi criado com base no tratado entre a Itália e o Brasil assinado em 1954 e tem um prazo de quatro meses para emitir parecer sobre o caso. Se o recurso não for aceito, o governo italiano deverá então recorrer à Corte Internacional.

“Levaremos argumentos claros, a partir da evidente violação do tratado bilateral”, disse o chanceler italiano Franco Frattini, negando que a decisão brasileira possa ter tido relação com uma fraca influência da Itália no atual cenário político internacional.

O ministro defendeu o governo italiano, acusado de não ter feito pressão sobre as autoridades brasileiras. “Este caso não devia ser resolvido com pressões políticas mas sim no respeito pelo direito internacional e do Tratado Itália-Brasil”, disse. “Talvez outros países estejam acostumados a fazer frequentes pressões políticas. Nós não”, ironizou.

Como se sabe, a liberação de Battisti no dia 8 de junho provocou duras reações das autoridades e de parentes de vítimas de extremismo na Itália. O ex-ativista político foi condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana, acusado de participação em quatro assassinatos entre 1977 e 1979, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Ele nega as acusações.

Battisti chegou ao Brasil em 2004, após viver por mais de dez anos na França. Em 2007, foi preso no Rio de Janeiro e ficou detido em um presídio de Brasília até a semana passada, quando foi solto após decisão do Supremo Tribunal Federal

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