Lula perplexo sem o terceiro mandato. Serra divagando: “Aécio não tem futuro se não me apoiar”, Michel Temer, se não conseguir a vice, ficará como “jurista”. Mas Lula, satisfeitíssimo, pensando em 2014.

É o que se diz abertamente, em São Paulo e nos círculos e cúpula do PSDB.  O presidente do partido, Sergio Guerra, tem mais certeza disso do que da própria reeleição. E foi Serra quem lhe disse.

Mas não é o que se afirma no estado-chave, Minas Gerais. A pressão sobre Aécio é total e absoluta. É bem verdade que Aécio não nega com a veemência de antes, parece acreditar na previsão (ou profecia) de Serra a respeito do seu futuro. Mas em algumas conversas não abertas ou não autorizadas, começam a falar em outro Neves de Minas para fortalecer a chapa de Serra.

Depois da desincompatibilização, parece ter surgido um Lula inteiramente diferente. Terá sido a certeza de que a sorte está lançada? Mais de dois anos tentando de todas as formas o terceiro mandato, o 3 de abril, desalento e entendimento de que irá mesmo para São Bernardo?  Muita gente não acredita, mas o presidente fez tudo para continuar usando o título e não simbolicamente.

Foi um esforçado, e em algum momento, chegou a admitir que teria mais sucesso do que FHC, que lutou intensamente para continuar no Planalto-Alvorada. O mesmo que fizeram o presidente do Peru e da Argentina. Todos eles, infelizes. Ao contrário de Lula, que não conseguiu, mas não perdeu todas as esperanças e possibilidades futuras.

O primeiro a tentar esse tão desejado terceiro mandato, foi o incompetente e enriquecido Menem, lógico, da Argentina. Não conseguiu e ainda foi preso, mas solto rapidamente, tinha um dossiê estupendo e bem municiado.

O outro, logo a seguir, foi o bi-fronte Fujimori, do Peru. Conseguiu repercussão grande, achou que ficaria não só mais um tempo, mas muito tempo. Não conseguiu, a Suprema Corte não admitiu sua permanência, viajou para o Japão, tinha dupla nacionalidade.

Ao mesmo tempo ambicioso e estouvado, não demorou muito no Japão, acreditou que o povo do Peru ansiava pela sua volta, “achou que atendia exigências”. Mas foi preso, extraditado antes de chegar ao Peru, já condenado a 34 anos de prisão, e os processos e julgamentos ainda não acabaram.

Lula começou a admitir o terceiro mandato quando exercia o segundo. O único cidadão do mundo que perdeu três vezes e conseguiu vencer a quarta, assumiu timidamente, foi deixando de fazer o que era obrigatório, principalmente recuperar o patrimônio fabuloso que FHC DOOU A BANQUEIROS, SEGURADORAS, GLOBALIZADOS DE VÁRIOS PAÍSES.

É que Lula estava no Poder a partir de 2003, era o inacreditável primeiro mandato, ainda nem acreditava no segundo. Vitorioso na quinta eleição, empossado e já popularizado em 2007, aí realmente despontou para a glória geral e pessoal. Começou a trabalhar não apenas o terceiro mandato, mas “a salvação do país pela eternidade do Poder”.

(Foi a época em que, voltando do Gabão, mostrou todo o deslumbramento e as “convicções” em relação ao Poder, ao afirmar publicamente sobre o ditador desse país: “Ele está há 37 anos no Poder”. Era o primeiro grito de Lula, “quero o terceiro mandato”).

Começou a dizimar e destruir seus próprios quadros do PT, não admitiu ninguém que pudesse resistir a ordens suas, ou que fosse capaz de crescer acima e além da sua própria imagem. Como os “companheiros” não eram muito brilhantes, custaram a perceber os objetivos de Lula. (Custaram a perceber ou não chegaram a perceber?)

Lula foi “caminhando sobre as águas”, em determinado momento acreditou mesmo que conseguiria. A base, claustrófoba, comprometida e praticamente indiciada, concordava com tudo.

A oposição não se opunha, metade por incompetência, a outra metade por subserviência. Quando Lula começou a chamar parceiros para conversar (Quércia, Geddel, Jader, e outros iguais), ficaram deslumbrados, começaram a monologar: “Os próximos podem ser do PSDB”. E ficaram paralisados, enquanto Lula avançava.

Só que a estrada do Poder é suculenta e altaneira na imaginação, mas cheia de obstáculos na realidade. E esses foram chegando, atravancando o trajeto e ameaçando o projeto, fazendo ou obrigando o presidente a refazer o percurso. Mudou várias vezes, mas não abandonou o delírio.

Chegou a admitir o “referendo”, o “plebiscito”, baseado nos “80 por cento das pesquisas imaginárias”, a aprovação da “emenda constitucional”, até chegar à PRORROGAÇÃO DE TODOS OS MANDATOS, do Executivo, Legislativo e Judiciário. Foi se perdendo por todas as estradas, só enfrentou e encarou a realidade agora, não há mais salvação.

***

PS – Surpreendentemente, Lula perdeu as chances, mas não perdeu o humor. Para seu futuro, tanto faz que o sucessor seja Serra ou Dilma, não precisa de nenhum dos dois.

PS2 – Os analistas, geralmente primários e inconseqüentes, espalham que “Lula joga tudo na vitória de Dilma”. Ha!Ha!Ha! Lula receberá a vitória apenas pelo prazer de ganhar. Mas em termos de futuro, ou seja, 2014, apostaria muito mais em Serra no Planalto-Alvorada do que em Dona Dilma.

PS3 – Lula não irá derramar uma lágrima, se o vencedor de 3 de outubro for José Serra. Dará até boas gargalhadas se tiver que passar o cargo para o paulista em 1º de janeiro de 2011.

PS4 – Serra não entenderá a satisfação de Lula ao empossá-lo. É que este já estará mergulhado na alegria que já imagina desde agora, de receber o cargo dele mesmo.

PS5 – Perdendo agora, Lula não será derrotado. Vencendo em 2014, será um vencedor legítimo e sem previsão de tempo. No mínimo, no mínimo, ficará até 2022.

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