Lula pode deixar o governo e ser vice de Dilma? Seria possível se sair até 3 de maio? Alencar e Meirelles participam desse Plano B?

Guilherme Almeida:
“Hélio, circula na rede que existe a possibilidade de Lula, descontente com o desempenho da pupila Dilma Rousseff na campanha, partir para um surpreendente Plano B – e com a devida permissão da Constituição (Artigo 14, parágrafos 5º e 6º, que trata dos direitos políticos). Poderia renunciar à Presidência para se lançar candidato à vice de Dilma, o que garantiria sua eleição. Analistas de plantão até acreditam que a desistência de José Alencar de concorrer a qualquer cargo e a permanência de Henrique Meirelles no Banco Central, poderiam ser encaradas como peças previamente encaixadas. Só que, supostamente, Lula teria de renunciar em maio, a seis meses das eleições, como a legislação determina. Depois, se eleita, Dilma renunciaria, abrindo a perspectiva do terceiro e quarto mandatos para Lula. Existe esta possibilidade ou é apenas uma das loucuras da Internet?”

Comentário de Helio Fernandes:
Não é só você, Guilherme, ou a internet que se preocupam com o fato. Tenho que responder várias vezes a perguntas como essa, pois a violentação da Constituição, feita por FHC (paga à vista e não pelo mensalão) permite toda e qualquer especulação. Por tudo isso, vou tentar encerrar de vez qualquer dúvida sobre o assunto, baseado em fatos, e reconhecendo a força da internet em divulgar o que existe mesmo e o que gostariam que existisse.

Inicialmente, vou dar respostas às perguntas colocadas por você, e depois, então, apresentar as justificativas.

1 – Lula não tem a menor chance de se candidatar, agora a qualquer cargo. Mesmo que tivesse saído a 3 de abril, a desincompatibilização geral. A hipótese de sair a 3 de maio então, nem existe e ele sabe disso.

2 – Se houvesse possibilidade em 1 milhão de Lula ser vice de Dona Dilma, lógico, já teria aproveitado, seria não o Plano B, mas o Plano A.

3 – Lula vice, (se pudesse, claro) fortaleceria Dona Dilma? Evidente que não, a repulsa, muito grande do ponto de vista eleitoral, acarretaria desgaste visível.

4 – Portanto, e usando tuas próprias palavras, “isso que circula na internet”, pode continuar circulando, sem que jamais se transforme em realidade.

Agora, o que pode e o que não pode, a partir do estupro da Constituição. Foi permitida, (“a tanto por cabeça”) a REEELEIÇÃO do presidente, governadores e prefeitos, apenas UMA VEZ. E criada a REELEIÇÃO DE QUEM NÃO FOI ELEITO, ou seja, o vice que assumiu (caso de Minas e Paraná), que era para ficar 9 meses, tem o “direito” de disputar duas eleições.

Já aconteceu tudo no Brasil, mas isso jamais. FHC quis o terceiro mandato, não conseguiu, no entanto percebeu que isso que chamam de Plano B, não daria certo de maneira alguma. Convencido disso, cumpriu o segundo mandato comprado, resignou-se à própria insignificância.

Sobrou muito dinheiro para comprar pesquisas favorecendo-o num terceiro mandato. Mas sabia que não tinha popularidade para isso. E seu cacife financeiro teria que cobrir a devastação que as PRIVATIZAÇÕES DE 5 TRILHÕES (na época, hoje é muito mais) provocariam na biografia e ambição.

Lula tem popularidade e muita esperteza. Quis o terceiro mandato, lutou por ele, mas sabia que precisava desbastar o caminho. “Referendo, prorrogação geral dos mandatos, plebiscito”, tudo foi imaginado. Constatando que nenhum era transitável, desistiu de transformar o EU QUERO em EU POSSO, se conformou e até exibe um bom humor inesperado mas saudável.

A reforma da Constituição foi tão execrável, que criou para FHC e transferiu para o sucessor (Lula ou qualquer outro) a seguinte realidade. FHC foi eleito em 1994 até 1998. Com a reforma, poderia se REEELEGER no cargo. Mas se quisesse (sabe-se lá por que motivo) ser governador, prefeito, deputado, senador, teria que se DESINCOMPATIBILIZAR 9 meses antes do fim do mandato.

E o princípio de que “quem pode o mais pode o menos”, onde ficou? Foi para o espaço. Isso passou a valer também para Lula a partir de janeiro de 2007, a segunda posse ou o início do segundo mandato.

***

PS – Vejam que não foi aberta uma brecha que seja para Lula, como não houve para FHC. Tudo o que foi dito aqui, transforma sua posição em irrefutável e insustentável.

PS2 – Ao contrário de FHC (e este só é citável porque tudo começou com ele), Lula tem ainda um largo e esperançoso futuro.

PS3 – Principalmente por causa de sua certidão de nascimento: tem 64 anos, completa 65 em outubro. Portanto, depois da espera de 4 anos e cumprindo mais 8, sairá antes dos 78. menos do que FHC tem hoje. Lula pode sonhar, imaginar, pretender. FHC, no máximo, no máximo, pode rasgar e invalidar o documento que o coloca em total desvantagem.

PS4 – Como você vê, Guilherme, tudo pode circular pela internet, mas Lula está tão longe da divagação, que se satisfaz com o passado que não demora, mas não chora o futuro, que em matéria de tempo, promete que poderá ser (ou será?) mais satisfatório.

PS5 – Só para desligar a internet: José Alencar e Meirelles, nada a ver com o tal Plano B. (Ha!Ha!Ha!) O vice hoje é um nome nacional por causa da emoção da resistência ao câncer. A resistência e a grandeza como se comportou. Podia se eleger. Para quê? E livrou Michel Temer de sair do Brasil toda vez que Lula viajasse, ou ficaria inelegível.

PS6 – Quanto a Meirelles, tanto faz, ser ou não ser Meirelles não é opção, é condenação. Mas sempre se sairá bem.

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