Lula retumbou, jornalões repercutiram, televisões enriquecidas e abastadas avalizaram: “Temos a menor taxa de desemprego, 5,7%”. Mas 5,7% de quê mesmo?

Helio Fernandes

Um cunhado meu, ex-ministro e Embaixador no Equador, morou aqui muito tempo, se formou em Direito, casou com uma das minhas irmãs, tem grandes amigos, dizia sempre: “No Brasil tudo é transformado em sigla, é preciso um esforço grande para compreender ou entender as coisas”.

Há mais ou menos três meses, escrevi: “Os EUA estão com quase 16 milhões de desempregados”. Comparei esse número com  os 16 milhões do primeiro mandato de Franklin Roosevelt, em novembro de 1932, posse em março de 1933. Ressaltei um fato importantíssimo: como a população americana era muito menor, as dificuldades, maiores.

Há dez dias, Obama veio a público, confirmou meus números, mas não escondeu nem tentou esconder coisa alguma. Afirmação; “Estamos com 9,8 por cento de DESEMPREGADOS”. E logo explicou, informou, decodificou o número proporcional, poucos poderiam saber o significado.

Serena e tranquilamente para uma multidão de jornalistas, no auditório da Casa Branca; “São 15 milhões e 400 mil DESEMPREGADOS”. Como chegou a esse resultado? Os EUA têm 300 milhões de habitantes, essa “força de trabalho” é de 160 milhões, geralmente é calculada sobre metade da população, a que trabalha. Excluídos: crianças, aposentados, donas de casa. Que trabalham, lógico, mas não para a estatística.

Agora vejamos os números do Brasil, seqüestrados pela desinformação e escondidos pela vontade de aparecer como grandes realizadores. Com apoio da chamada “mídia”, que elevou esses 5,7 por cento a uma conquista jamais obtida.

Lula falou nos 5,7% de DESEMPREGADOS, correu para os abraços, ele que dizia “não leio jornal”, foi ler todos, sabia que ia ser vastamente elogiado. O que deveria acontecer mesmo, se fosse verdade ou estivesse pelo menos perto da realidade. Como nenhum amestrado se interessou em informar, vou colocar as coisas publicamente.

O censo feito pelo IBGE (um dos órgãos mais respeitados do Brasil em qualquer época) constatou: “O Brasil tem 190 milhões de habitantes”. Respeito, por causa do IBGE, acreditava que já tivéssemos ultrapassado os 195 milhões.

Dessa forma, a “mão de obra, ou força de trabalho”, deve ser de 95 milhões de pessoas, metade da população. Mas para não estragar a festa de Lula e o relacionamento dele com a mídia amestrada, vou colocar esse índice em 70 milhões. Não há possibilidade disso, mas estou com espírito “natalino”, ajudemos um personagem que DEIXA o Poder querendo FICAR.

 ***

PS – Assim, 5,7 por cento de 70 milhões (desculpem), dá exatamente 3 milhões e 990 mil DESEMPREGADOS. Duvido que consigam um número menor. Já fiz todos os descontos, concessões ou abstrações.

PS2 – Já li editoriais louvadores garantindo que “estamos caminhando para o PLENO EMPREGO”. É muita audácia, falta de caráter, de constrangimento, o apogeu da bajulação.

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