Lula rompe com Dilma, ataca o PT, mas não cita ladrões da Petrobrás

Pedro do Coutto

O novo pronunciamento do ex-presidente Lula, publicado pela reportagem de Juliana Granjeiam Tatiana Farah e Fernanda Kraconiks, na edição de hoje de O Globo, significa seu rompimento quase definitivo com Dilma Rousseff e o PT, partido do qual foi fundador em 1980 e que se transformou num bloco fisiológico. Luiz Inácio da Silva, surpreendentemente, não se referiu ao maior desastre do atual governo que sem dúvida foi o gigantesco assalto à economia da Petrobrás e que tantos problemas causou e causa, tanto no plano interno quanto na área internacional.

O ataque que desfechou pode ser visto e analisado sob vários ângulos. Primeiro, seu afastamento do Palácio do Planalto, cuja equipe principal já tinha sido objeto de suas restrições fortes. Segundo, com suas palavras, ele isolou ainda mais sua sucessora, que, além da perda da popularidade acentuada, ficou praticamente sozinha no palco político. Em terceiro lugar, o fato de não ter se referido aos roubos em massa na área do petróleo, que incluiu sobrepreços astronômicos, principalmente nos casos da Refinaria Abreu Lima e no Complexo Petroquímico do Rio de janeiro, pode ser apontado como um lance para desviar atenção de sobre o envolvimento evidente de integrantes do PT nos assaltos praticados.

Neste ponto, vale lembrar, que João Vacari ex-tesoureiro do partido e que se encontra preso no Paraná, foi aplaudido de pé no encontro nacional da legenda um mês atrás na cidade de Salvador. Lula estava presente, Dilma também. Ambos não fizeram qualquer ressalva àquela atitude extemporânea.

ENDOSSANDO MARTA?

Um outro ângulo de análise conduz à perspectiva de que Lula endossou o posicionamento assumido pela Senadora Marta Suplicy, que se desligou do Partido dos Trabalhadores basicamente em função dos pontos a que agora se refere o ex-presidente da República. O rompimento de Marta Suplicy constitui um fato eleitoralmente importante porque abre uma cisão no maior colégio eleitoral do país, cisão esta que vai se refletir nas urnas de 2016 para a Prefeitura da capital e, por extensão, nas eleições residenciais de 2018.

Mas esta é outra questão. O essencial, agora depois da nova fala de Lula, é sem dúvida o isolamento a que ele conduziu Dilma Rousseff. Que poderá ela fazer? Aprofundar o rompimento com Lula, ou demitir as figuras que Lula detesta e que estão junto a ela no Palácio do Planalto? Uma tempestade. No meio dela, a hipótese de Lula vir a deixar o partido, seguindo outro caminho. Mas esta é uma perspectiva remota. Tanto assim que Lula, em suas declarações, fala em renovação dos quadros partidários. Portanto, o desligamento é apenas uma ameaça. Por ser ameaça, entretanto, não deixa de ser importante, até porque só se pode renovar o que envelheceu e o que ficou para trás na memória do tempo.

SEM PREVISÕES

Seja como for, em política concretamente não se pode fazer previsões antecipadas, todas elas fracassaram. Agora mesmo, pergunto eu quem poderia prever a ruptura entre o grande eleitor de Dilma e sua sucessora no poder? A política é algo em movimento permanente, um processo criativo que muda de rumo com facilidade e frequência. Por isso temos que esperar novos fatos que vão se desencadear em consequência do distanciamento inevitável entre Lula e Dilma.

Uma dessas consequências vai atingir provavelmente a política econômica do atual governo. Num maremoto fica a dúvida se Joaquim Levy permanece no convés comandando as rotas da política econômico financeira. O mar está revolto, não há porto a vista para o governo. Pode surgir, mas não será um caminho fácil.

14 thoughts on “Lula rompe com Dilma, ataca o PT, mas não cita ladrões da Petrobrás

  1. “…surpreendentemente, não se referiu ao Petrolão… Surpreendente seria se ele se tocasse no assunto. O apocalipse seria se admitisse culpa.

  2. A Polícia Federal identificou um pagamento de 93 850 reais pela Camargo Corrêa à empresa AGH Consultoria Empresarial Ltda – EPP, em outubro de 2009.

    Trata-se da consultoria de Luiz Gushiken, que morreu em 2013.

    Por Lauro Jardim

  3. O que o lula faz neste momento, é tentar se desvencilhar do tal “abraço de afogado”. Não quer ir para o
    fundo da água, junto com a criatura que ele mesmo criou e que a exemplo do próprio demonstrou ser uma
    grande enganação.
    Ele não vai sair do PT, por um simples motivo, ambos estão acabados para a política brasileira. Agora é
    esperar que os políticos, tirem o pais desta lambança que nos meteram.
    Acho que os vaticínios do Delubio, erraram o alvo. Quem ainda vai virar piada de salão, é o lula e o PT.

  4. O Tribunal de Contas da União (TCU) cobrará do governo federal explicações sobre mais duas irregularidades apontadas nas contas da presidente Dilma Rousseff. A corte questionará a Advocacia-Geral da União (AGU) sobre a “prática de sonegar” de seus auditores informações de financiamentos concedidos pelo BNDES a grandes empresas, como a Odebrecht e o Grupo JBS Friboi. Além disso, quer justificativas para a autorização de créditos adicionais ao orçamento, no ano de 2014, sem previsão legal.

    O pedido de informações foi sugerido pelo ministro substituto André Luís de Carvalho, com base em falhas apontadas pela área técnica do TCU no Balanço Geral da União. O relator do processo, Augusto Nardes, disse que a solicitação será enviada nos próximos dias ao ministro-chefe da AGU, Luís Inácio Adams.

    Na quarta-feira, 17, o TCU abriu prazo de 30 dias para a presidente Dilma se pronunciar sobre 13 irregularidades apontadas. Os dois novos pontos são uma espécie de “aditivo” ao documento, embora não sejam endereçados diretamente à presidente, mas à AGU.

    No despacho em que justifica o pedido, André Luís afirma que, ao remeter documentos ao TCU, o BNDES ocultou com tarjas informações sobre os empréstimos a grandes empresas. Na ocasião, o banco justificou que as operações eram protegidas por sigilo bancário. Segundo o ministro, isso foi feito sem amparo legal ou judicial. Tanto que, ao avaliar a questão no mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os dados fossem fornecidos à Corte sem restrições.

    Para ele, a conduta do BNDES obstruiu a fiscalização das contas. “Pela deliberada prática de sonegar informações, o TCU ficou impedido, no exercício de 2014, de identificar a regularidade das operações de financiamento do BNDES e, por consequência, até mesmo de verificar a fidedignidade das demonstrações apresentadas nos balanços gerais da União.”

    Sem transparência

    Entre as operações que ficaram sem transparência, ele citou empréstimos de R$ 7,5 bilhões ao Grupo JBS Friboi. “Nesse caso, houve a recusa, por parte do BNDES, para a entrega de parte da documentação solicitada pelo TCU com o intuito de efetuar os trabalhos de fiscalização solicitados pelo Poder Legislativo federal”, afirmou. Ele citou ainda a operação com a Odebrecht para modernizar o Porto de Mariel, em Cuba: “Qual é o impacto fiscal disso? Ninguém sabe exatamente, porque não foram prestadas as informações.”

    Para André Luís, a omissão dos dados pode configurar irregularidade que leve a Corte a dar parecer pela rejeição das contas ou se abster de uma opinião a respeito. Daí a necessidade de incluir a questão entre os pontos a serem questionados na defesa do governo.

    Ele também disse ser necessário ouvir o governo sobre irregularidades na aprovação de créditos adicionais ao orçamento. A questão foi levantada pelo Ministério Público de Contas. No ano passado, diante da necessidade de contingenciar recursos para cumprir a meta, Dilma aumentou os limites de despesa em R$ 10 bilhões por meio de decreto, o que, para o MP, teria “agravado o resultado fiscal”. (AE)

  5. Não foi por mero acaso que o Paulo Okamoto disse que a internet é ruim para a democracia. O PT fez um enorme acordo com toda a ‘imprensona’ principalmente a Globo, para ocultar o que está ocorrendo no âmbito da ‘ Pátria educadora’ .

    Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES-SN

    Data: 22/06/2015

    Em meio a cortes na educação federal, Kroton lucra R$ 455 mi em três meses

    Enquanto a educação pública, tanto federal quanto estadual, sofre com a falta de verbas – que impossibilita a manutenção das atividades de ensino, pesquisa e extensão – os grandes grupos econômicos do setor de educação, conhecidos como “tubarões do ensino”, mantêm lucros exorbitantes. Apenas no primeiro trimestre de 2015, o Grupo Kroton, que tem quase 60% dos seus alunos presenciais matriculados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) mantido pelo governo federal, apresentou lucro líquido de R$ 455 milhões, de acordo com informações divulgadas recentemente por diversos veículos de comunicação.

    O Kroton foi fundado em 1966, em Belo Horizonte, a partir do Colégio Pitágoras. Em seguida, começou a incorporar outras empresas do setor – entre as mais conhecidas estão a Anhanguera e a Unopar – tornando-se a maior empresa de ensino superior do mundo por capitalização de mercado no ano passado.

    Desde o início desta década, o Kroton foi impulsionado pela política educacional do governo federal, que prioriza o investimento de dinheiro público em educação privada. Entre 2010 e 2014, o governo repassou mais de R$ 30 bilhões para os tubarões do ensino por meio do Fies, e o Kroton é o maior beneficiário. Para simples comparação, o orçamento anual de investimentos em todas as Instituições Federais de Ensino (Ife) somadas não ultrapassou os R$ 2,59 bilhões em 2014. E, em 2015, sofreu corte de 47%, segundo informação divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo. “Os cortes no orçamento e o ajuste fiscal promovido pelo governo só tiveram impacto para as políticas sociais, o que demonstra que a suposta falta de dinheiro é, na verdade, uma opção política do governo”, ressalta Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN.

    O presidente do Sindicato Nacional reforça ainda que o governo vem ampliando e financiando cada vez mais a participação das empresas do setor de educação na oferta do ensino superior, com expressivo aumento no repasse de verbas públicas nos últimos anos para as instituições privadas, sem a preocupação da qualidade do ensino ofertado. “Isso demonstra qual o sentido do lema “Pátria Educadora”: a desconstrução do ensino público de qualidade em detrimento da educação cada vez mais privatizada, voltada aos interesses do capital”, destaca.

    Portas abertas apenas para os empresários
    Enquanto o Ministério da Educação (MEC) não se dispõe a negociar efetivamente com docentes e técnico-administrativos da educação federal em greve, abre suas portas aos grandes empresários do setor da educação. Segundo informações divulgadas pela imprensa, apenas entre janeiro e fevereiro, durante a gestão de Cid Gomes, o Big 6 (como é conhecido o grupo de empresários da educação que congrega Kroton, Estácio, Anima, Ser Educacional, Laureate e DeVry) foi recebido sete vezes no MEC. Já Renato Janine Ribeiro, atual ministro, consultou o Big 6 antes de anunciar novas mudanças no Fies, em 8 de junho, que representaram a valorização de 9% dos papeis do Kroton na bolsa de valores.

    *Com informações de Istoé Dinheiro e Valor Econômico.

    OS.: Um dos donos do Grupo Kroton é o Walfrido Mares Guia, que coordenou a campanha da Dilma em Minas.

  6. “Só os incompetentes e os amadores não sabem que, em política, até a raiva é combinada”. Nelson Jobim, ex-ministro,

    Em política, até raiva é combinada.
    Ulysses Guimarães

  7. Só trouxa dar crédito a esta corja.
    Esta corja parece os alienados do BBB.
    Sou a favor de uma intervenção militar para por a casa em ordem.
    Tirar todo o lixo que está debaixo do tapete e jogar fora sem direito a anistia .

  8. Pingback: Lula rompe com Dilma e ataca o PT | Debates Culturais

  9. O Lula está perdido mais que bêbado no meio de tiroteio, é lógico que ele vai fazer o diabo como a afilhada Dilma fez para ser reeleita, inclusive quem não se lembra do “NEM QUE A FACA TUSSA”, que ela prometeu mundo e fundos e quando eleita fez tudo ao contrário. A mesma coisa o Lula ira fazer para ser eleito em 2018. Só que ele não aceita que a política para ele acabou, simplesmente, porque o povo brasileiro agora sabe realmente quem é ele, a Dilma, o PT e o seu bando. Depois desse escândalo da Petrobras onde está envolvida toda a cúpula do PT, veio encerrar de vez a vida política dele. Pode ser até que receba alguns votos do Bolsa Miséria, mais não serão suficientes para elegê-lo.

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