Madame ainda não sabe se volta ou se fica

Carlos Chagas

A viagem da presidente Dilma a Bruxelas estava prevista e confirmada há pelo menos um mês e meio, evidência da importância dada pelo Brasil à Comunidade Européia. Madame chegaria à capital belga na madrugada de ontem, quarta-feira, dia 10, como chegou, horas depois começando a cumprir agenda carregada, exigindo-lhe no mínimo dois dias, ou seja, decolaria para o Brasil na tarde de sexta-feira, 12. Haveria choque com o calendário político-partidário interno, já que o PT tinha marcado com muita antecedência seu V Congresso Nacional para Salvador, a instalar-se quinta-feira, dia 11.

Num país organizado, ou numa empresa privada de respeito, não seria difícil definir prioridades ou até encolher um compromisso e esticar outro, permitindo à autoridade comparecer a ambos.

O diabo é que falta ao governo Dilma pelo menos um funcionário capaz de organizar o calendário sem fazer concessões ao dom da ubiqüidade. Mas tem coisa pior. Há esperteza demais.

A presidente mandou confirmar que estaria na capital baiana, presumindo-se que reduzisse sua permanência em Bruxelas. Só que jogava com as especulações a respeito de fortes protestos de parte de companheiros diante do ajuste fiscal, especialmente a redução de direitos trabalhistas. Previam-se vaias não apenas ao nome de Joaquim Levy, mas contra a presidente Dilma, ao vivo.

Assim, no auge das especulações, ela decidiu não retornar a tempo de participar da reunião do PT, como mandou anunciar. Uma desconsideração para seu próprio partido, mascarada por compromissos internacionais. Ficou claro que estava fugindo das vaias.

SEM ROUPA SUJA?

O problema é que graças aos esforços do Lula, de Rui Falcão e outros líderes petistas, as reações adversas foram quase neutralizadas. A maioria dos companheiros não lavará roupa suja em Salvador. Até manifestos de grupos conflitantes foram revistos e pouparão o governo e a política econômica.   Dilma não seria mais hostilizada, mas já havia informado da impossibilidade de estar presente.

Agora, parece que virá. Não para a abertura dos trabalhos, hoje, quinta-feira, mas para sua sequência, amanhã. Isso, é claro, se permanecer a garantia de não ser vaiada. A pergunta que se faz é e se forem dados para a Europa aflitos telefonemas falando no recrudescimento da indignação dos companheiros? Pode ser, por exemplo, causado pelo anúncio de mirabolantes 198 bilhões de reais que o BNDES vai produzir para emprestar a grupos privados dispostos a “comprar” ferrovias, rodovias, aeroportos e portos. Um negócio para lá de lucrativo, agora chamado de concessões, com o dinheiro do Estado.

E AGORA?

A Camargo Correia depositou três milhões de reais no Instituto Lula, a título das palestras que o ex-presidente realizou em países da África e América Latina. Mais um milhão e meio foi para a conta da “Lils Palestras e Eventos”, dos mesmos proprietários. A coisa ficará ruim se o Ministério Público provar que a empreiteira conseguiu obras nos países onde o Lula palestrou, em especial financiadas pelo BNDES…

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