Maia defende a terceira via e diz que João Doria e Ciro Gomes precisam se entender

Rodrigo maia

Sem terceira via, Maia votará em Lula no segundo turno

Mariana Schreiber
BBC News Brasil

A oposição ao governo Jair Bolsonaro tem aproximado adversários históricos na política. Na última sexta-feira, foi a vez do deputado federal Rodrigo Maia (sem partido), um dos líderes da oposição aos governo petistas, se reunir com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve novamente concorrer à Presidência da República em 2022.

Em entrevista à BBC News Brasil, Maia defendeu que o processo de diálogo político contra Bolsonaro “inclui o presidente Lula” e contou que se colocou à disposição dele para conversar com a equipe que organizará o plano de governo de sua candidatura. Ressaltou, porém, que isso não significa um apoio ao ex-presidente já no primeiro turno.

Seu foco, afirma, é trabalhar para que seu campo, que chama de “centro liberal”, tenha um candidato próprio capaz de chegar ao segundo turno no lugar do atual presidente para enfrentar Lula.

O plano, difícil de ser executado, é que todos os candidatos hoje atrás de Lula e Bolsonaro nas pesquisas se unam em uma única candidatura. Isso inclui a inglória missão de unir adversários como Ciro Gomes (PDT) e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB). “Nenhum dos nossos nomes tem musculatura sozinho para enfrentar o Lula ou o Bolsonaro”, reconhece Maia.

Outra dificuldade que o próprio deputado vê na construção dessa candidatura do “centro liberal” é que parte relevante dos partidos do seu campo político, como PSDB, MDB e DEM, tem se alinhado ao governo Bolsonaro no Congresso, atraídos pelo repasse de recursos da União para suas bases eleitorais.

“Eu acho que o centro liberal hoje está muito amarrado na pauta bolsonarista. (…) Eu vejo hoje no Parlamento nosso campo muito acanhado, muito refém dessa máquina federal”, ressalta.

Se um candidato do “centro liberal” não passar do primeiro turno, Maia diz que votará em Lula contra Bolsonaro – em 2018, fez exatamente o inverso, escolheu no segundo turno o atual presidente para derrotar o PT.

Sua passagem à oposição a Bolsonaro acabou alimentando seu desgaste no DEM, partido que integrava desde os anos 90 e do qual acaba de ser expulso. A saída se deu por divergências públicas com o presidente do partido, ACM Neto, relacionadas ao alinhamento da legenda ao governo federal.

Agora, Maia tende a ingressar no PSD, seguindo o mesmo trajeto do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Apesar das especulações de que ambos possam apoiar a candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do Rio de Janeiro, Maia diz que o mais provável é ele e Paes trabalharem para que o PSD lance seu próprio candidato ao Palácio da Guanabara.

O sr. tem dito que seu voto em Bolsonaro foi por esses dois fatores: sua oposição ao PT e o apoio à agenda econômica de Guedes. Agora, o sr. está disposto a fazer o contrário: votar no PT para tirar o Bolsonaro?
Não, eu estou disposto a construir uma candidatura no meu campo, no campo que eu chamo de centro liberal. Acho que o nosso campo deveria construir uma candidatura, mas que o encaminhamento não está do tamanho correto. Acho que essa tentativa permanente de uma certa exclusão do governador João Dória, de um certo conflito interno no PSDB, acho isso muito ruim e sinaliza de forma muito negativa, porque nenhum dos nossos nomes tem musculatura sozinho para enfrentar o Lula ou o Bolsonaro. Até a hipótese, que eu acho é importante, de trazer o PDT para esse diálogo, com a candidatura de Ciro Gomes, também (deve ocorrer) com a certeza que pode ser ele o candidato ou pode não ser. Então, nosso campo é que precisa organizar melhor as suas ideias, organizar melhor o seu espaço político.

Sobre seu encontro com Lula, o jornal O Globo diz que o sr. teria se oferecido para ajudar o petista na eleição de 2022. Existe essa possibilidade?
O que eu conversei com o presidente Lula é que o que me interessa poder colaborar com o processo de diálogo, que inclui o presidente Lula, não exclui o presidente Lula. O que disse a ele é que estava à disposição pra sentar com o pessoal dele, falar um pouquinho do que penso, do que o meu campo pensa. Acho que talvez pra ele seja importante. É óbvio que isso não é uma sinalização de que vou apoiar o presidente Lula, mas quero dialogar com a equipe dele. Acho que a gente tem divergências, mas a gente pode construir consensos em todo campo democrático pra que, no processo eleitoral, a gente deixe claro que as nossas maiores divergências estão no campo nosso contra a candidatura do Bolsonaro. Então, vou dialogar com o presidente Lula. O presidente do PDT, o (Carlos) Lupi, tem conversado comigo. Tenho uma ótima relação com o Ciro Gomes, já quis apoiá-lo em 2018, (mas) fui derrotado dentro do Democratas. Então, vou dialogar com todos e quero discutir o Brasil com todos.

Se essa candidatura que o sr. defende, do centro liberal, não chegar ao segundo turno e a disputa for entre Bolsonaro e Lula, o sr. escolherá um desses lados?
É óbvio que, se tiver um segundo turno entre os dois, que acho que não terá, acho que o segundo turno será o Lula com um candidato do centro liberal, mas tendo essa opção, vou ficar sempre com aquele que entendo que olha a democracia com mais convergências comigo do que em relação ao outro candidato, tal Bolsonaro. De fato, em relação a essa questão básica, as nossas divergências (com Bolsonaro) são muito grandes.

Na sua leitura, considerando o cenário hoje, o ex-presidente Lula vai estar no segundo turno?
A minha opinião é que, dos 46% mais ou menos que Bolsonaro teve no primeiro turno, ele tem metade disso (de apoio). A outra metade são eleitores do campo do centro liberal somado a um campo antipetista que procurou uma alternativa (para derrotar o PT em 2018). E esse campo está aberto, você tem 25%, 30% para tentar construir uma candidatura para disputar com o Bolsonaro. Uma pequena parte já decidiu por Lula após votar em Bolsonaro, a gente está vendo pelas pesquisas, mas uma grande maioria ainda não.

O Ciro Gomes, embora já tenha feito parte de partidos mais à direita no passado, agora está em um partido mais à esquerda e defende um modelo econômico desenvolvimentista, é crítico ao Teto de Gastos e sempre se colocou em oposição ao governador João Dória. Como seria possível gerar algum tipo de convergência entre Ciro Gomes, João Dória, o ex-ministro Mandetta, por exemplo?
Olha, se em 2001 eu dissesse pra você que o Marcos Lisboa e o Joaquim Levy fariam parte da equipe econômica do Lula (em seu primeiro governo), você diria que eu estava sonhando. Então, na política, principalmente numa eleição de dois turnos, ganha quem agrega. O Ciro tem as suas ideias, suas convicções, isso é muito importante, isso gera apoio, mas por outro lado ele precisa compreender que para chegar ao segundo turno ou até pra ganhar a eleição, vai precisar agregar políticos de outros campos, principalmente do nosso campo. Para isso, vai ter que fazer um movimento político da centro-esquerda pro centro, como o presidente Lula fez na eleição (de 2002), com a carta aos brasileiros, saindo da esquerda e caminhando para outro eleitor.

Há uma expectativa de retomada econômica. Se a economia engatar, o governo ampliar o Bolsa Família, a vacinação avançar e o país voltar a uma certa normalidade em 2022, não podemos ter um cenário que fortaleça o plano de reeleição?
Olha, a minha impressão é que a vacina não vai ter tanto impacto na economia. Pelo o que estou vendo nas ruas, um cansaço em relação ao isolamento, as pessoas já estão trabalhando. No fim de semana, andei no Rio, passei pelo Leblon para ir almoçar na casa dos meus pais, e restaurantes e bares estão cheios. Então, não acho que a aceleração da vacina agora vai gerar esse impacto todo. E o crescimento econômico, se você olhar os números por dentro, ainda está muito longe de uma questão sustentável. O resultado do PIB (de crescimento no primeiro trimestre) tem muito ingrediente da inflação. A inflação ajuda as contas públicas (ao aumentar o limite do Teto de Gastos), mas ao mesmo tempo ela tira dinheiro da sociedade.Os resultados que saíram, acho que foram do IBGE, nos últimos dias, mostram que a desigualdade nunca esteve tão alta no Brasil e a renda per capita (caiu) abaixo de mil reais. Então, na maioria da sociedade brasileira, esse resultado do PIB não chegou e não vai chegar.

8 thoughts on “Maia defende a terceira via e diz que João Doria e Ciro Gomes precisam se entender

  1. Sem terceira via, Maia votará em Lula no segundo turno

    Quer dizer
    Toda aquela Corrupção do Quadrilhão do Luladrão para o Botafogo não é nada.
    E ainda me chamam de covarde por não votar nessa cambada de corruptos ladrões, facínoras, calhordas, canalhas, vermes sanguessugas , malditos, sanguinolentos, desgraçados e grandissimos filhos de umas pulgas..
    Demais

  2. Felipe Quintas (via Facebook)

    A conta de luz não vai subir por causa do que a mídia chama de “jabutis”, e sim porque o objetivo central da Eletrobrás, como de qualquer outra empresa sob controle privado, passará a ser a remuneração dos principais acionistas.

    Eles são os chamados gestores de ativos (BlackRock*, Vanguard, State Street etc.), lavanderias de dinheiro do crime organizado em nível mundial, que produzem bolhas especulativas para legalizar o dinheiro ganho com atrocidades mil. Eles também estouram as bolhas quando querem reestruturar o mundo corporativo, quebrando algumas empresas e inflando outras, além de tirar dinheiro da sociedade e transferir para eles, arruinando famílias e países.

    Imagina entregar a energia, que literalmente move o país, para bandidos comuns, mas ricos o bastante para se fazerem parecer empresários e investidores. É isso o que está acontecendo.

    *BlackRock e Itaú significam a mesma coisa (Pedra Preta), um em inglês e outro em tupi-guarani. Qualquer semelhança…

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1608223106041604

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