Maia diz que Bolsonaro “desorganiza e gera insegurança” ao optar pela política de enfrentamento

Maia afirma que posição de Bolsonaro exige outra atitude

Marcelo Corrêa
O Globo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou neste sábado, dia 30, que o presidente Jair Bolsonaro “desorganiza e gera insegurança” ao adotar uma postura de enfrentamento aos demais Poderes da República.

Em transmissão ao vivo pelo Instagram, Maia falou sobre o assunto com o chefe do Departamento de Ciência Jurídicas da Uniara, Fernando Passos. Ao ser perguntado sobre a relação entre Legislativo e Executivo, Maia disse que Bolsonaro sempre teve o mesmo perfil. Mas, de acordo com sua avaliação, o cargo de presidente da República exige outro tipo de atitude.

ENFRENTAMENTO – “Quando você chega à Presidência da República, o seu papel é considerar. Você não é o presidente apenas dos que o elegeram. Você é o presidente de todos os brasileiros. Como o presidente foi eleito com muita força, foram muito ideológicos, o pessoal de extrema-direita nas redes sociais, ele tende a ser mais comprometido com eles. E quando tem um conflito, ele acaba atacando mais na linha do que ele fazia antes. Só que, como presidente do Brasil, cada vez que ele vai para o enfrentamento, ele desorganiza e gera insegurança”, disse Maia.

O presidente da Câmara disse ainda que as conversas privadas com o presidente são boas, o “diálogo é muito positivo”. “Mas, quando ele vai para uma entrevista, acaba gerando essa insegurança. O ideal, neste momento de pandemia, é que a gente conseguisse ter mais harmonia e menos conflito”, acrescentou Maia.

DIÁLOGO – Ainda na conversa transmitida pela rede social, Maia afirmou que dialoga com ministros do governo federal e do Supremo Tribunal Federal (STF). “O diálogo é o que resolve. O presidente tem que entender que ele é o chefe do Poder que comanda, que executa. Então, a gente precisa que ele comande de forma mais harmoniosa, respeitando os outros Poderes. Porque um Poder não deve servir apenas para dizer sim ao governo. O Parlamento serve para representar toda a sociedade, não apenas a parte que governa, e o Judiciário serve para garantir os limites dos outros dois Poderes. A gente não pode aplaudir uma decisão do Supremo com que concordamos e radicalizar contra uma decisão com que nós discordamos. Nós temos os instrumentos legais para recorrer”, afirmou.

6 thoughts on “Maia diz que Bolsonaro “desorganiza e gera insegurança” ao optar pela política de enfrentamento

  1. Para felicidade geral da nação … casse-se a chapa vitoriosa na eleição presidencial … e entregue-se a presidência e as chaves do cofre ao Botafogo ou ao hadade, o que dá no mesmo.

  2. Eu não gosto do Bolsonaro
    Entre um neonazista/neofascista é um professor universitário preferi o segundo.

    Mas quanto à forma de governo na democracia acho mesmo que tem de voltar a discussão.

    O nosso Presidencialismo é mau conduzido.

    O espaço dado aos presidentes da Câmara e do Senado, pela Imprensa e demais órgãos, é indevido.

    Não vemos nos EUA, na França, etc. os Chefes de Estado serem confrontados pelos presidentes das casas legislativas, como ocorre aqui.

    Para tudo que o Presidente faz no Brasil, abre-se o microfone ou uma página de revista ou jornal, impresso ou da Internet, para falarem de assuntos que compete ao Executivo…

    Se por um lado cabe ao Legislativo fiscalizar atos do Executivo, isso tem que ser feito dentro dos limites constitucionais, dentro do rito, oficiosamente, com resoluções sustando atos daquele poder, ou aprovando leis.

    Se tem crítica à livre forma de indicação do PGR, que então não sabatine o indicado. Ou que se crie lei indicando uma nova forma de indicação (p.ex. por lista)

    Já o Judiciário, sem dúvida, tem que tomar cuidado de se preservar. Discussões e bate boca entre ministros não são salutares quando tornam pessoais, portanto, fora da técnica segundo a argumentação jurídica.

    A nossa Corte Constitucional é a única no mundo que transmite sessões, como forma de se aproximar do cidadão, e em homenagem ao princípio da transparência.
    Devemos aplaudir isso.
    Mas sem dúvida um ativismo judicial não é desejável.

    Nesse sentido, decisões sobre nomeações devem ser evitadas, sendo, porém, sindicáveis as vontades das autoridades que tenham manifestações claras de interesse que não o público, que não conformados com o artigo 37 da Constituição (legalidade, impessoalidade, moralidade, pessoalidade e transparência).

    Dessa forma, a intervenção do Alexandre de Moraes por mais que criticável, por ser monocrática, liminarmente, e constituir ativismo judicial, não deve ignorar que o moderno Direito Administrativo já vinha mostrando desde autores de duas décadas atrás que mesmo ato discricionário guarda limites dentro da lei – do livrinho – que dirá livros dos livros(?)

  3. Na verdade, a maioria do eleitorado queria o enfrentamento. Queria isso desde 2002, quando elegeu o Lula, contra os representantes do “consenso” da era que foi de Sarney a FHC, onde todo mundo concordava com todo mundo, e nada de bom vinha para a população, e o país só afundava. Em 2002 o PT representava o contraponto à toda à política “respeitável” dos tucanos que tinham o apoio de toda a mídia, e que àquela altura tinha perdido literalmente todo crédito, depois da quebradeira promovida para reeleger FHC. Foi a combatividade de Lula que o levou à vitória em 2002, não aquela história de “Lulinha paz e amor” que só impressionou analistas políticos. Duvido muito que os eleitores petistas típicos levassem a sério aquela conversa.
    Quando o petismo infelizmente se desgastou no poder e passou a parecer mais do mesmo, muitos eleitores se voltaram para Bolsonaro como o candidato antissistema, só que ele é incapaz de governar. O pior é que a “zelite” política não quer entender que foram seus próprios erros que levaram à eleição de Bolsonaro. Pensa que é só se livrar dele, para as pessoas voltarem a eleger figuras do tipo Rodrigo Maia, representantes daquela “boa política de consenso” que foi ótima para os políticos e péssima para o povão. A “zelite” está tão iludida como quando pensou que, depois de tirar a Dilma do poder, faria as pessoas votarem em Geraldo Alckmin ou Henrique Meireles.

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