Maior decepção no governo Bolsonaro é a atuação desastrada do general Augusto Heleno

De quarentena por Covid-19, Heleno diz que não sai de casa e que foi ao Planalto por 3 horas - Jornal O Globo

General Augusto Heleno está emporcalhando sua biografia

Carlos Newton 

Como se sabe, em 2018 considerável parcela do eleitorado pretendia tirar o PT do governo e não interessava quem fosse o adversário. Ou seja, também sairia vitorioso qualquer outro candidato que passasse para o segundo turno e enfrentasse Fernando Haddad, do PT.

No caso de Jair Bolsonaro, o candidato do PSL teve uma ajuda extra que facilitou sua passagem para o segundo turno – o apoio declarado do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e de muitos outros oficiais superiores, notadamente o então presidente do Clube Militar, general Hamilton Mourão, que se tornou vice-presidente, e o general Augusto Heleno, um dos mais respeitados chefes  militares do país.

CABOS EEITORAIS – Esses três generais podem ser considerados os maiores cabos-eleitorais do candidato verde-oliva Jair Bolsonaro, pois atraíram muitos votos, notadamente dos mais idosos, que reconhecem os avanços econômicos e sociais ocorridos no regime militar de 64, quando o Brasil se tornou um dos países de maior desenvolvimento.

Passados dois anos de gestão, o presidente Bolsonaro se tornou uma decepção para muitos de seus eleitores.

Embora se soubesse que se trata de um completo idiota, acreditava-se que os militares que o cercavam, especialmente os generais Augusto Heleno e Hamilton Mourão, pudessem contribuir para o êxito do governo, mas não foi bem isso que aconteceu.

DUAS DECEPÇÕES – Logo no início,  Mourão estava funcionando como tradução simultânea do presidente, atenuando as boçalidade que ele dizia. Mas Bolsonaro se sentiu diminuído e imobilizou seu vice, proibindo-o de dar entrevistas e receber diplomatas estrangeiros. 

Em seguida, em várias situações, ficou constatou que o general Heleno também não tinha grande influência no governo.

Além disso, ao invés de contribuir para melhorar o governo, o ministro  do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) dava força às decisões erradas do presidente.

HELENO DECEPCIONOU – Neste balanço do segundo ano, é certo que Mourão foi escanteado e merece o benefício da dúvida, até porque em 2021 pode ser chamado a assumir a Presidência, mas o general Augusto Heleno não merece perdão. 

Agora, no imbroglio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o general teve atuação ilegal e intolerável, por vários motivos:

* Mesmo sabendo tratar-se de conluio ilegal, aceitou participar da reunião no Planalto com o presidente da República e as advogadas de Flávio Bolsonaro, ao lado de seu subordinado, o diretor-geral da Abin, delegado Alexandre Ramagem.  

* Na reunião, aceitou que ficasse acertada a indicação de medidas a serem tomadas para anular as investigações contra Flávio Bolsonaro, já denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

FESTIVAL DE MENTIRAS – Agora que a bomba explodiu, Heleno se justificou ao Supremo, admitindo que participou da reunião. Porém, com a maior desfaçatez, afirmou também que, ao perceber que o caso não tinha relação com Segurança Institucional, se afastou. E disse que, desde o início, desconsiderou “inteiramente, a possibilidade de envolver as instituições GSI e Abin no assunto”.

É um festival de mentiras. Está absolutamente claro que Heleno concordou com a manobra para blindar Flávio Bolsonaro e permitiu a atuação da Abin. Se não tivesse autorizado a Abin, Heleno já teria demitido o diretor Ramagem por descumprir suas ordens de ministro-general.

FORMAÇÃO DE QUADRILHA – O fato concreto é que naquela tarde, na reunião no gabinete presidencial, formou-se uma quadrilha de três elementos, para agir à margem da Lei, chamados Jair Bolsonaro, Augusto Heleno e Alexandre Ramagem.

As provas são abundantes. A principal delas (os relatórios informais e ilegais da Abin) está no computador do escritório de advocacia Pires & Bierrenbach, aqui no Rio de Janeiro.

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P.S. – Heleno deveria se demitir, para juntar os cacos do que resta de sua biografia. (C,N.)

11 thoughts on “Maior decepção no governo Bolsonaro é a atuação desastrada do general Augusto Heleno

      • Prezado CN,

        P o Heleno se demitir, significaria cara’ter, n e’ o caso.

        E isto comprometeria definitivamente o pequeno e perverso Jair.

        Conclusao, vao morrer abrac,ados.

        Cleber

  1. Exemplo como este do general Heleno foi o do marechal Pétain, de herói na Primeira Guerra Mundial a traidor na Segunda, morreu enforcado. Não desejo a morte do general mas ele mesmo está “assassinando” a sua biografia. Seria bom que saísse de fininho para não entrar na História como mais um Pétain.

  2. Carlos Newton, penso que os três generais não podem ser considerados os maiores cabos-eleitorais do Bolsonaro e um antigo filiado do Psol, um religiosos de berço, o Bispo, aquele que deu a facada no Messias,

    A facada do Bispo no Messias decidiu a eleição.

  3. Verdade, Newton. Desolado, admito. quer fazer tudo, cuidar de tudo, tentar limpar as burradas do “mito” e filhos, acaba indo de encontro das pedras dos equívocos, dos erros, da impaciência, do estresse e do tudo perdido. Torço e rezo pela saúde do Heleno.

  4. Parece que o senhor mesmo não aprendeu a lição, Senhor Newton. Continua adulando Sérgio Moro, o juiz inqualificável e colaborador mor de toda esta tragédia politico-social que nos encontramos.

    Eu acessava este blog por que enxerguei nele um porto seguro depois da morte de Fausto Wolff. Ledo engano. Veio a era Bolsonaro, o anti-petismo e as canalhices do Moro para jogar luz em minha desilusão. Que assim seja, mesmo porque, sei que não vais publicar meu comentário. No seu lugar, também não o publicaria. Todos não suportamos a verdade.

    Só lembrando: não sou petista.
    Não sou de esquerda, menos ainda de direita: eu sigo adiante!

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