Maior drama dos assalariados é que estão sempre perdendo a corrida com a inflação

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Manoel Ventura, O Globo de sexta-feira, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior, anunciou que o governo Bolsonaro vai propor ao Congresso Nacional nova política para o reajuste do salário mínimo, não incorporando mais às reposições anuais o índice de crescimento do Produto Interno Bruto. O reajuste seria limitado com base apenas no índice inflacionário divulgado pelo IBGE.

Pela legislação atual o movimento do salário mínimo decorre da soma da inflação mais a taxa de crescimento do PIB. Assim se a inflação for 4 e o PIB 1 o reajuste seria de 5%. Sem considerar o PIB o reajuste será de apenas 4%.

UM OUTRO ASPECTO – O problema, entretanto, não se refere apenas aos 30% de trabalhadores e trabalhadoras que ganham apenas o primeiro degrau da escala de salários. Deve se considerar um outro aspecto, que diz respeito a todos os 100 milhões de trabalhadores e trabalhadoras do país.

Trata-se do fato de os reajustes salariais sucederem sempre ao índice inflacionário anual. Isso significa que ao fim de 12 meses a reposição pode levar a um empate na corrida. Porém, a partir do mês seguinte o custo de vida estará subindo e os salários estacionados.

Este problema não tem solução, mas significa que ao longo de 11 meses os assalariados estarão perdendo poder de consumo, o que agrava qualquer tentativa de redistribuição de renda. Waldenyr Rodrigues Júnior acredita que o projeto estará concluído até o mês de agosto.

DISTRIBUIR RENDA – O desafio de iniciar um processo efetivo de redistribuição de renda só pode ser viabilizado de alguma forma através da politica salarial. Não existe outro caminho efetivo e sólido, porque os programas de Bolsa Família e Seguro Desemprego não podem refletir uma intervenção, por menor que seja a redistribuição da renda.

O Seguro Desemprego por exemplo, é limitado a quatro meses e só ocorre quando houver desemprego, logo não pode influir em nenhum estágio voltado a equilibrar a questão de remuneração do capital e a remuneração da força de trabalho.

A questão da corrida entre os salários e a inflação possivelmente não tem solução, mas isso não quer dizer que o problema não resida nesse contexto e nesse confronto.

SALÁRIOS BAIXOS – É muito baixa a renda do trabalho no Brasil e devemos considerar também que existem problemas sociais de extraordinária importância que não se encontram atacados como deveriam.

Um deles, por exemplo, é o fato de metade da população brasileira não ser atendida pelo sistema de saneamento básico. O salário médio brasileiro situa-se em torno de 2.000 reais. Metade da força de trabalho ganha de um a pouco menos de 3 salários mínimos.

Para realmente aumentar o consumo e a economia crescer sustentavelmente, é preciso elevar os salários. O resto é paisagem.

7 thoughts on “Maior drama dos assalariados é que estão sempre perdendo a corrida com a inflação

  1. Não caro jornalista, primeiro é preciso ter salario, com salario sustento com o sustento dignidade, dignidade raciocínio, raciocínio crescimento pessoal que obrigatoriamente passa por crescimento financeiro, ou vc como profissional tem apenas uma unica fonte de renda?

  2. Prezado Pedro do Coutto,

    Dados recentes informam que 120 milhões de brasileiros ganham até 1.500 reais por mês.

    Nesta estatística, poderemos acrescentar quase 60 milhões de pessoas pobres (que obtém até 400,00 mensais) e miseráveis ou consideradas “abaixo da linha de pobreza” (pessoas que CONSEGUEM VIVER obtendo até 140,00 por mês), eufemisticamente.

    A disparidade salarial no Brasil nunca esteve tão acentuada como nos últimos 20 anos, algo simplesmente brutal.
    Enquanto um parlamentar ganha 200 mil mensais, um magistrado quase o mesmo, a ponto que se tornaram castas no país, os vencimentos de professores, policiais civis e militares, agentes de saúde e penitenciários, recebem proventos que chegam a 50 vezes menos que os privilegiados senhores.

    Não há como sobreviver com um mínimo de dignidade através do atual salário mínimo, 1.039,00.
    O anunciado pelo Bolsonaro, 1.045, será pago somente em fevereiro.
    Mesmo assim, 6 reais a menos ou a mais, em comparação com os salários milionários, regalias, penduricalhos e mordomias que as castas citadas recebem, e se deram o direito de suplementar seus proventos, trata-se de uma infâmia contra o povo, uma forma de empobrecer nefasta, nociva e hedionda, o cidadão brasileiro.

    A ideia do cruel Paulinho, que ainda quer congelar o salário do funcionalismo, esquecendo que o pessoal dos Executivos estaduais estão sem qualquer reajuste há seis anos, recebem atrasado e parcelado seus vencimentos, demonstra o quanto o governo considera a população, ou seja, o quanto a despreza, negligencia, e a deixa abandonada.

    Nessas alturas não vejo e tampouco posso imaginar, como que a condição do povo possa mudar com as políticas de governos que entram e saem concedendo uma série de concessões a mais daquelas que as castas já recebiam, enquanto o trabalhador, o aposentado, percebem cada vez menos tanto em salários quanto em saúde pública, educação, segurança e saneamento.

    Jamais o Brasil ascenderá à condição de sequer estar em desenvolvimento, quanto mais atingir este patamar, enquanto o povo continuar sendo tratado dessa forma, um país composto de indigentes.

    Aplaudo e apoio integralmente o teu artigo, Pedro do Coutto, pois retrata a realidade nacional de maneira absoluta, contundente e indiscutível.

  3. O Brasil(falido) paga para sua Nomeklatura, salários entre 10 a 15 vezes o salário de mercado de um Operário. Isto se repete há dezenas de anos.
    Este gasto provocou uma super inflação, que depois do plano real, se transformou em super dívida.
    Com este passivo de erros, o resultado final só poderia ser ruim.

  4. “Maior drama dos assalariados é que estão sempre perdendo a corrida com a inflação”

    O maior drama é ganhar pouco e pagar muitos impostos para sustentar a Nomenklatura comunista, instalada no pais.

    • E a tendência é piorar. Hoje estou a trabalho em São Paulo, descobri 3 coisas: 1 – hoje é feriado, não tem trabalho. 2 – A prefeitura vai ter que cobrar mais impostos dos pobres para pagar a festa de aniversario da cidade, pois a festa contará com: Elba rabalho, karol com K, Rachid, e mais 300 (trezentos) artistas mamadores. 3 – Dizem que agora os professores universitários estaduais, vão ter equiparação salarial com os professores federais, vão de 19.000 para R$ 29.000,00 mensais (por ano isso vai dar … com 2 férias, 13o. 14o. mais os auxílios, professor substituto para eventuais afastamentos, reposição de greve).

    • E de mau gosto. Eles não tem nenhum tipo de constrangimento; logo depois de te convidar para o show “di graça” da karol com k; o jornalista, já te avisa que na volta (do show para casa), você pagara um aumento de R$ 0,30 de aumento na passagem do onibus, pra pagar os karol com k do serviço publico.

  5. E aonde está a novidade nisto? O melhor para qualquer pessoa é não ter inflação. Uma política salarial consciente e coerente deve prever a manutenção do poder de compra dos salários, aposentadorias e pensões.

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