Maior erro da política brasileira foi abandonar o trabalhismo de Pasqualini, Getúlio, Jango e Brizola

Duarte Bertolini

A safra de grandes brasileiros – ou, pelo menos, de brasileiros com preocupação e empenho por grandes causas – está minguante e quase sem colheita. Resta-nos, pelo menos, saudar aqueles que lutaram por um Brasil melhor e também os que seguem nessa batalha e ainda estão entre nós. 

Aqui no Sul temos Omar Ferri, advogado e político de vida dedicada aos desfavorecidos e aos direitos humanos, sempre demonstrando grande preocupação com nosso futuro. Um exemplo: Ferri teve destacada atuação no caso dos uruguaios sequestrados pelas ditaduras binacionais em Porto Alegre, na década de 70. 

No jornal Zero Hora desta terça-feira, dia 23, com objetivo de divulgar o lançamento do mais recente livro de Omar Ferri, o jornalista Ricardo Chaves faz um pequeno libelo, que é um chamamento a todos os brasileiros. Vale a pena transcrevê-lo.

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LIBELO ACUSATÓRIO EM DEFESA DA LUZ
Ricardo Chaves
    /   Zero Hora

O advogado Omar Ferri recebeu alguns amigos em sua casa na Vila Assunção, Porto Alegre, para autografar o recente livro, “A Verdade Revelada (Editora RJR, 284 páginas). A iniciativa, pouco convencional, diz muito da personalidade transparente desse homem, nascido em Encantado, no Vale do Taquari, em 1933.

Ferri possui uma longa trajetória em defesa dos direitos humanos – o que já lhe rendeu reconhecimento nacional e inúmeros prêmios. Ele é, acima de tudo, um destemido.

Nessa sua quarta obra, o autor faz um retrospecto histórico desde as razões que levaram a Revolução de 1930, até os nossos dias, focando nas mazelas que nos trouxeram a esse patamar de “caos socioeconômico”, segundo ele.

PERDEMOS A CORAGEM – Embora diga, em suas palavras finais que “o pior de tudo é que perdemos a coragem. Somos incapazes de dizer o que sentimos. Nossa covardia é proporcional ao nosso silêncio“, isso, certamente, não se adapta a ele.

Seu ensaio é uma defesa da doutrina trabalhista, cujo expoente máximo no Brasil, é Alberto Pasqualini, e seus seguidores, Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola.

Ferri discorre sobre o sistemático boicote sofrido por essas lideranças populares, vindo tanto da direita (com seus interesses na manutenção dos privilégios e ligações ao capitalismo imperialista internacional) quanto da esquerda radical (que apostava – ainda aposta? – na revolução comunista e solapava as tentativas de reformas que pudessem diminuir as desigualdades e levar nosso país a uma convivência mais justa e harmoniosa).

TRAIÇÕES AOS TRABALHADORES – As mais abjetas traições aos interesses da massa trabalhadora são esmiuçadas em detalhes, sem omitir os nomes dos protagonistas. Por outro lado, alguns fatos que marcaram posturas éticas também são ressaltados e, sem nenhum preconceito, são atribuídos (com a devida identificação) a empresários ou militares.

Ferri também é implacável ao apontar contradições, embustes e outras artimanhas, ferramentas usadas para que nossa nação se mantenha submissa e incapaz de evoluir e oferecer uma vida melhor e mais justa aos brasileiros.

O eleitorado votou em Getúlio pela esperança de melhorias e pela continuação do progresso industrial e do planejamento econômico assentado pelo Estado Novo. O eleitorado votou em Juscelino entendendo que ele era o melhor candidato para dar prosseguimento ao plano desenvolvimentista. O eleitorado votou em Jango por causa das suas metas de desenvolvimento social e da defesa das diretrizes econômicas, com o objetivo de manter o Brasil fora do alcance da rapinagem internacional“, o autor destaca.

TODOS SÃO CONIVENTES – Em sua avaliação, sobra para quase todo mundo: para um congresso que está mais preocupado com os interesses dos seus membros do que com o destino da nação; para os militares e seus privilégios intocáveis, protegidos por uma legislação inacreditavelmente injusta em relação a outras categorias de funcionários públicos, e mais ainda em comparação aos trabalhadores da iniciativa privada; para a casta da Justiça, quase sempre gentil com os poderosos; para os “velhacos exploradores” da credulidade pública, sempre embolsando polpudas quantias do vil metal, pois eles sabem que acima de tudo “templo é dinheiro”.

O PT e Lula também são severamente criticados pela corrupção e conivência com o que sempre houve de pior na política nacional.

Para Ferri, o presidente atual é “um indivíduo instável, alucinado, portador de desequilíbrio emocional, pois trata-se de um homem sem princípios que está levando o país para o brejo“.

A FORÇA DO TRABALHISMO – “Ninguém foi mais visionário que Getúlio. Ninguém superava a fé no desenvolvimento social como Jango. Ninguém desejou fazer o Brasil progredir como Juscelino e ninguém poderia se comparar a Brizola, que fazia o possível e o impossível para pôr em prática suas ideias de salvação nacional, progresso econômico, social e educacional“, diz o autor.

Para finalizar, ele afirma: “Não me importo com críticas. Não tenho medo de não ter razão. Quero ter o direito de expor o que penso. Quero dizer verdades, sem me importar com contrariedades. Quero lutar em favor da justiça social“.

12 thoughts on “Maior erro da política brasileira foi abandonar o trabalhismo de Pasqualini, Getúlio, Jango e Brizola

  1. “progresso industrial para o progresso social”; “não ficar na mão do imperialismo internacional”.
    Será que este é o motivo da desindustrialização do Brasil?!!!
    E para a esquerda entreguista; quanto mais miséria melhor.

  2. A melhor análise sobre a política partidária que já li.
    A extinção dos antigos partidos foi o mais perverso golpe de 64.
    O artigo fala em “trabalhismo” o que chamo de Maragatos.
    Getúlio, Jango, Jucelino, Brizola e atualmente Lula.

    • Qual a razão de enfiar o apedeuta ex presidiário luiz Inácio na relação com personagens históricos como Jango, Getúlio e Brizola.

      O Luiz Inácio não tem nada parecido com homens que honraram o Brasil.

      Faça -me o favor de não escrever mais isso, ou escreva o contrário.

      Assim, é demais!
      Ninguém aguenta .

  3. O que vemos dos candidatos das próximas eleições, com exceção de Ciro Gomes é a febre do liberalismo, em que governar é privatizar.
    O que gera riqueza para um país são os lucros das empresas nacionais, enquanto as multinacionais enviam o lucro para as suas matrizes. São em torno de R$ 40 bilhões ao ano que saem sem volta.

    • Exato!

      Fosse o Ciro mais inteligente e menos emotivo em 2018 teria sido o ano dele.
      E a Marina, se tivesse apoio da mídia, em 2014, o ano dela. Mas, infelizmente, o apoio desta foi no Aécio… aquele Neto do Tancredo do heli-coca e daqueles obscuros interesses que sabemos, mas não resultou em sua cassação.

      • Se principalmente a Marina tivesse sido eleita ao invés da Dilma, em 2010, pelo seu estilo comparado ao da outra, mas também por haver uma ruptura ali do governo do PT, talvez não estivéssemos passado por tudo o que passamos e ainda estamos vivendo: esse pesadelo que coloca em risco o país.

  4. O maior de todos os erros é atribuível aos eleitores.
    Os eleitores brasileiros conseguem a façanha de votar em um ou outro candidato de esferas federal, estadual e municipal sem a menor logica racional, vai tudo no sentimento. Falta consciência política!!! Que nenhum dos governos quer ver nos eleitores. E estes não se esforçam em nada para adquirir…

    Veja eleições que misturam tudo e acreditam em promessas impraticáveis. Francamente! Prefeito prometendo acabar com a violência (?) Governador prometendo mudar a Constituição (?)

    Nas eleições presidenciais o maior de todos os erros foi não ter elegido Brizola, ao invés de Collor, FHC, Lula, enquanto foi possível. Mas nada adiantaria um Brizola diante de um Congresso nos dias de hoje, como naqueles tempos, se os eleitores escolhem os representantes sem o crivo da razão ou está esteja sob desvio, com pensamentos tortos à direita.

    • É verdade.

      Ter o Brizola.como presidente com esse congresso, é o mesmo que querer que o Luiz.inacio seja honesto. Não dá.

      Brizola sempre esteve à frente desses miseráveis homens públicos que pensam ser politicos, mas não passam de matutos metidos a malandros.

      Se fossem só matutos, seria ótimo porque o povo da roça tem valor, mas não os metidos a malandros, e pior, nem conhecem o Estacio.

      Bando de curibocas que pensam que roubando vão ser felizes, embora sabem que terminarão todos como sempre acabaram: loucos como Luiz Inácio, FHC, Collor, Dilma, Bolsonaro, Sarney e outros tantos.

  5. Parabéns ao advogado Omar Ferri, apesar de não concordar com ele tem a coragem de dizer o que pensa, sem se importar com contrariedades. Também sou assim, digo o que penso e estou nem aí sobre o que pensam ou digam sobre mim. Tenho consciência de que não sou dono da verdade, mas não me deixo tratorar pelas opiniões alheias.

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