Maior erro de Bolsonaro foi deixar de demitir Paulo Guedes, que fracassou e atrapalha a reeleição

Offshore de Guedes

Charge do Duke (domtotal.com)

Roberto Nascimento        

Na opinião do ministro Paulo Guedes, quem critica o teto do aumento do ICMS no valor de 17% é “despreparado, ingrato ou militante”. Como se vê, o ministro da Economia fala o que lhe vem à cabeça, sem refletir. Suas reações são típicas de pessoas autoritárias, que não suportam críticas.

Os três adjetivos destinados aos governadores cabem como uma luva no figurino do próprio ministro. Além de “despreparado, ingrato ou militante”, Guedes é também mentiroso, porque comporta-se como se a redução do ICMS tivesse o condão de reduzir o preço dos combustíveis lá na bomba, seja no posto Ipiranga ou de outra bandeira, mas isso não acontecerá.

PESSOA NEFASTA – Trata-se de uma “autoridade” insensível e insensata, que chamou o funcionalismo público de parasita, disse que empregadas domésticas não deveriam viajar para a Disney e filho de porteiro não podia frequentar universidade com financiamento público. Assim, demonstra ser uma pessoa nefasta.

Quanto ao ”despreparo”, esta é a imagem dele. Comanda a economia desde 2019 e não consegue segurar a inflação, manter os juros abaixo dos dois dígitos e reduzir os índices de desemprego. Exatamente como o presidente Bolsonaro, Guedes coloca a culpa sempre nos outros, pode ser a pandemia, a guerra da Ucrânia ou a crise global.

Como operador financeiro, tinha dado elevado  prejuízo a fundos de pensão, em gestão temerária. Foi denunciado oficialmente pela Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), houve abertura de inquérito, mesmo assim Bolsonaro o nomeou.  

PARAÍSO FISCAL – No entanto, o ministro da Economia mostra que sabe cuidar muito bem dos seus investimentos pessoais, que aplica nos paraísos fiscais das Ilhas Britânicas Virgens, para fugir dos impostos aqui no Brasil, pois não confia no sucesso da economia brasileira.

No escândalo internacional dos Pandora Papers, Paulo Guedes aparece como dono de uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um conhecido paraíso fiscal. Em janeiro de 2019, quando ele assumiu o cargo de ministro da Economia, sua empresa tinha um saldo de US$ 9,5 milhões.

Guedes também é um mestre na arte de permanecer como ministro, mesmo sem entregar nada ao presidente em termos de melhora dos índices econômicos. Tenho um palpite: Guedes nunca contraria as ordens de Bolsonaro e até consegue ir além da confissão do general Eduardo Pazzuelo, que disse, com o presidente ao lado: “Um manda e o outro obedece, simples assim”.

FORTE INTUIÇÃO – Guedes se adianta e obedece antes de o presidente mandar, pois intui maravilhosamente os desejos de Bolsonaro. Está aí o segredo da longevidade no cargo.

Por muito menos, o chefe do governo já demitiu quatro presidentes da Petrobrás e quatro ministros da Educação. No entanto, por esses mistérios insondáveis da natureza humana, vem mantendo esse parasita dos cofres públicos, cuja preocupação maior se resume em favorecer o grande capital, facilitando a venda dos ativos nacionais por preços irrisórios.

A nomeação de Guedes foi o maior erro de Bolsonaro, que vai pagar caro por isso, porque a permanência do ministro da Economia é tão negativa que está destruindo o projeto de reeleição do presidente.

16 thoughts on “Maior erro de Bolsonaro foi deixar de demitir Paulo Guedes, que fracassou e atrapalha a reeleição

  1. Excelente texto. Com relação a insistência de bolsonaro em manter esse sujeito vil e asqueroso, exatamente como bem falou no penúltimo parágrafo, por favorecer o grande capital, facilitando a venda dos ativos nacionais por preços irrisórios, é que garante o seu posto, pois ele é a ponte do sistema financeiro com esse governo.

    • Obrigado Rafael.

      O sistema financeiro, garante o cargo de Guedes. Ele é oriundo dessa classe laboriosa e muito rica.
      Guedes, sabe, que sem o apoio da classe empresarial, nenhum governo se elegeu no Brasil. Caso ocorra um milagre, depois eles dão um jeito de derrubar.
      Olhem o exemplo do Chile e do Peru. Dois candidatos eleitos, do campo Progressista, nos respectivos países, que já estão sofrendo desgaste e ameaças de Impeachment, principalmente no Peru.
      Se o candidato da Esquerda vencer na Colômbia, também não terá vida fácil.
      Aqui no Brasil, a eleição será em outubro, então, o pleito está há cinco meses da abertura das Urnas e já se fala abertamente em golpe e a indicação de que o resultado não será aceito, se Bolsonaro for o perdedor.

  2. A decisão de seguir pelos caminhos contrários a sensatez e atacar o ministro Guedes, sim, é o maior erro da imprensa militante política e esquerda abjeta.

    Bolsonaro acertou, desde sempre, na indicação de Paulo Guedes, que competentemente enfrentou a PANDEMIA e mesmo com governos estaduais apoiados pelo Supremo Tribunal Federal trabalhando na base do “quanto pior, melhor” conseguiu manter a economia em níveis aceitáveis e agora a recuperação está à vista de todos quantos não forem injustos.

    Todos viram o que aconteceu e as portas de comércio e indústria fechadas por governos estaduais covardes no famoso “fique em casa”.

    • Gilberto não é lógico colocar a culpa do fracasso econômico na esquerda, se desde 2018, quem comanda o país é a extrema direita.

      O discurso do fique em casa, a Economia a gente vê depois, está sendo usada como habeas corpus, para demonstrar, que o governo estava certo em sua política de imunidade de rebanho e deixar todo mundo ir para às ruas se infectar a vontade. Queriam, que apenas os velhos ficassem em casa. E ainda apostaram na Cloroquina, remédio ineficaz contra a Covid
      Ora, o mundo todo, implantou a política de restrição, logo na deflagração da Pandemia, por que só aqui, seria diferente?
      Perderam tempo precioso, em discussões inúteis, se vacina, se não vacina, se fique em casa, se vai para a rua. Mais de 600 mil brasileiros perderam a vida, metade de pessoas poderiam ter sobrevivido.
      A Economia, não pode vir na frente da Vida, pelo menos, tinham que caminhar juntas.

  3. 1. Ni un âne ni un imbécile!

    2. Neither a donkey nor an asshole!

    3. Weder ein Esel noch ein Arschloch!

    Ou, em nosso Português emprestado:

    4. Nem um jumento nem um idiota!

    Vote num candidato que seja ao menos poliglota!

  4. Os estatólatras detestam toda e qualquer iniciativa que vise diminuir o tamanho do monstro estatal, que suga a riqueza da nação, para beneficiar um punhado de privilegiados e apaniguados.

    Senta o cipó de arueira no lombo dessa gente, PG!

    • O cipó de aroeira tem que ir para quem não conhece a história da industrialização brasileira.
      As estatais foram criadas na década de 50, porque o setor privado não tinha condições de iniciar o processo industrial, composto pelo tripé: Petróleo, Eletricidade e Siderúrgia. Os militares nacionalistas ajudaram em muito nesse processo.
      A partir do final da década de 80 até hoje, o processo de desastatização mantém seu curso governo após governo, até do PT, com a presidente Dilma.

      Hoje, o Estado brasileiro se aproxima do mínimo dos mínimos. As Telecomunicações, a Distribuição de Energia, o Transporte Ferroviário vê Rodoviário e parte do setor de Petróleo e Gás estão sob a administração privada.
      Se algo está errado, se o povo está sendo ignorado quanto ao serviço público prestado pelas empresas privadas, quem vai cobrar eficiência?
      Afinal, diziam que tudo seria uma maravilha, se todas as empresas estatais fossem vendidas ao setor privado.
      E só pegar o trem na Central até Japeri e se deparar com um ambiente de sardinha em lata, para concluir, que nada mudou.
      Fomos enganados literalmente. Houve um desmonte do setor ferroviário.
      Para onde você olha, existem anomalias, com serviços caríssimos e de qualidade duvidosa.
      No setor de Aeroportos, os passageiros são deixados a própria sorte, nos Terminais e três deles, pediram penico e estão entregando a concessão de volta para o governo, caso do Galeão, Viracopus em Campinas e São Gonçalo do Amarante em Natal.

      O Estado meu caro não pode ser mínimo nem máximo, tem que ser o ideal para que possa atuar como o algodão entre os cristais, a classe empresarial e a classe trabalhadora. Fora disso é Ditadura e Escravidão, que aumenta o fosso da desigualdade e da injustiça contra os pobres no Brasil.

      Acabar ou diminuir o Estado pode desaguar na desintegração da nação e o fim dos Estados da Federação. Alguém aí deseja o germe do Separatismo, que ocorreu na União Soviética.
      Cartas para a Redação.

      • Roberto, se me permite, com meus setenta e sete anos de brasileiro e cinquenta de carreira, assino em baixo do seu excelente artigo. Um abraço.

  5. Wilson Batista, fiquei emocionado com seu relato e meu coração bateu mais forte, com a certeza do dever cumprido. Se você, um comentarista de excelência, competente nas suas intervenções, assina embaixo o que escrevi, o que posso dizer mais?
    Está permitido e faça uso do arrazoado, como você achar melhor.
    Muito obrigado
    Estou chegando próximo dos setenta e querendo escrever cada vez mais.
    Uma boa noite para você Wilson.

  6. O autor queria que Bolsonaro acertasse.

    “Maior erro de Bolsonaro foi deixar de demitir Paulo Guedes, que fracassou e atrapalha a reeleição.”
    Conclusão: Se tivesse demitido Guedes ou demiti-lo, ainda pode ser reeleito.
    Taí uma boa dica, hehehe.
    Moral: Guedes é o coveiro da reeleição do Bolsonaro.

  7. Em contradita, digo que evidentemente, gostaria que Bolsonaro acertasse nas escolhas de seus auxiliares. Em sã consciência, os brasileiros devem torcer para o Brasil e não por pessoas, sejam elas mitos ou idéias.
    Também critiquei com contundência, as escolhas de Lula para a Fazenda, os horríveis, Palloci, Mantega e Meirelles.
    Bati em Zélia Cardoso, escolha do Collor e Mailson escolha de Sarney.
    De todos esses incompetentes citados, o Guedes é o pior de todos.
    Só o fato de dar o exemplo daquela conta secreta no Paraíso Fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, descobertas no escândalo Psndorra Papers, uma investigação dos EUA, já seria suficiente para sua demissão. Mas, agora, há quatro meses da eleição, adiantaria muito pouco. Bolsonaro perdeu o time.

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