Maior erro de Bolsonaro foi desprezar o exemplo de Trump, que mantém os três filhos sob controle

Charge – Angelo Rigon

Charge do Aroeira (Jornal O Dia/RJ)

Carlos Newton

Existem muitas semelhanças entre Donald Trump e seu discípulo Jair Bolsonaro, mas há também enormes diferenças. O dois governantes, por exemplo, se elegeram com uso radical das potencialidades das novas tecnologias, incluindo fake news e campanhas de assassinato de reputações, que são modernas ferramentas eleitorais também utilizadas por candidatos adversários, mas sem a mesma competência e intensidade. É uma similitude, não há dúvida.

Além disso, ambos têm vários casamentos e cinco filhos – Trump, com três filhos e duas filhas, e Bolsonaro, quatro filhos e uma filha. Nesse particular, parecer haver semelhanças, mas as diferenças são abissais.

FILHOS DE TRUMP – Enquanto Bolsonaro deixa os três filhos mais velhos se meterem em tudo, inclusive com atuação marcante dentro do tacitamente a Secretaria de Comunicação Social e também o chamado Gabineie do Ódio, o que é fato público e notório, embora ele negue e diga que está sempre apenas de passagem pelo palácio.

Nos Estados Unidos, Trump faz exatamente o contrário. Não permite que Donald Jr. Barron e Eric se envolvam em assuntos ligados ao governo, e essa diferença é realmente fundamental e decisiva.  

Se Bolsonaro tivesse estabelecido limites entre o governo e a família, sua situação seria muito melhor, porque não teria acumulado tantos pontos de atrito e perdido o apoio de importantes parlamentares que ajudou a eleger.

A BOA BRIGA – Nos Estados Unidos há uma série na TV em que a ficção é baseada na realidade, na qual Donald Trump é retratado impiedosamente. Chama-se “The Good Fight” (A Boa Briga), produzida pelo genial cineasta Ridley Scott.   

A série mostra os esforços dos democratas para conseguir uma justificativa sólida para pedir o impeachment do presidente americano, cujo mandato está terminando sem que se consiga afastá-lo por comportamento indevido.

Aqui no Brasil, a Polícia Federal está investigando o presidente em dois inquéritos do Supremo que podem levar ao impeachment. Um deles reúne provas contra o governo na produção e financiamento de atos antidemocráticos, com atuação marcante dos filhos de Bolsonaro, especialmente Carlos, o Zero Dois, que fez o pai contratar e posicionar no Palácio do Planalto um assessor especializado em fake news.

O CASO MORO – O outro inquérito apura a iniciativa de Bolsonaro, ao interferir na Polícia Federal, indicando até superintendentes regionais que possam ajudá-lo a proteger a família (leia-se: seus filhos) e os amigos, conforme o próprio presidente admitiu na reunião ministerial de 22 de abril.

No início do governo, os principais analistas políticos do país previram que os maiores inimigos do governo seriam os filhos de Bolsonaro, caso ele não os colocasse em seus devidos lugares, junto com o guru virginiano Olavo de Carvalho.

No entanto, Bolsonaro insistiu em transformar os filhos em “príncipes-regentes”, esquecido de que estamos numa democracia, que ainda é muito imperfeita, mas funciona a seu jeito.

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P.S.
Constata-se, assim, que Bolsonaro brigou com Sérgio Moro inutilmente. Não adianta tentar manter sob controle a Polícia Federal. Se o presidente tivesse mais juízo, saberia que “isso non ecziste”, como diria o saudoso Padre Quevedo. Mas sonhar ainda não é proibido…  (C.N.)

13 thoughts on “Maior erro de Bolsonaro foi desprezar o exemplo de Trump, que mantém os três filhos sob controle

  1. “Se Bolsonaro tivesse estabelecido limites entre o governo e a família, sua situação seria muito melhor, porque não teria acumulado tantos pontos de atrito e perdido o apoio de importantes parlamentares que ajudou a eleger.”

    Com a aprovação do Presidente e seu governo batendo na casa dos 70%, faz diferença não ter o apoio de certos parlamentares?

    Agora, concordo com o editor com relação ao ódio que a impren$a tem do 02. O cara desmoralizou a mídia mainstream desprezando seu apoio, sem partido de ponta, sem usar fundo partidário, sem tempo de televisão (8 segundos), só com as redes sociais. Tem que odiar o cara mesmo!

  2. Eliel, mandou bem. Tem que esfregar na cara desse povo sem noção, sejam esquerdistas, socialistas ou somente oposicionistas. O Brasil mudou, e mudou pra melhor, agora é ordem e progresso, respeito e dignidade, amor e patriotismo.

  3. É verdade que a principal diferença entre Trump e Bolsonaro, diz respeito como ambos tratam a coisa pública, e principalmente o caráter.
    Trump mostra que é americano nato, enquanto o outro é brasileiro caricato com viés de vira lata que adora cheirar rabos de quem o despreza.
    O Brasil é uma patria grande e não merece ease sujeito que não tem pudor nem para dirigir uma reuniao ministerial, mostrando ao mundo que seu caráter é baixo e que nem no meretricio do Estácio ae aceitatia tais baixarias.
    Se o país não se levantar a tempo e banir esse sujeito, logo não teremos como pagar nossa divida pública pois nossa indústria está sendo dizimada, .nossas relações com os países importantes estão se desgastando por falta de coerência de um sujeito fútil e ignorante, e nao teremos como renegociar em bases sustentáveis se não tivermos moral suficiente.
    Portanto a economia que vai mal desde os tempo de luiz inacio se agrava, restando apenas a pujança do agronegócio e as exportações de matérias primas que juntos não sao suficientes para sustentar homens públicos perdularios e um estado corrupto e ineficiente.
    Esse quadro catastrófico é inegável, e se não dermos a volta por cima rapidamente tudo vai piorar, a violência aumentará e certamente esses proxenetas da nação se evadirão.

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