Maior erro de Bolsonaro foi nomear Mourão para evitar a devastação da Amazônia

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Enquanto Bolsonaro se arrebenta, Mourão demonstra  ter capacidade

Carlos Newton

Qualquer estudante de Ciência Política percebe que a Amazônia é hoje o mais importante fator de desenvolvimento nacional. Qualquer iniciativa para preservar a chamada floresta úmida (rainforest) não pode ser contabilizada como despesa, porque na verdade trata-se de precioso investimento, com retorno garantido. Mas o problema é que, desde o início, o governo Jair Bolsonaro agiu em sentido contrário, anunciando que é hora de “desenvolver” a Amazônia, o que para ele significa devastar a mata.

A reação no exterior é devastadora, porque todos sabem a importância de preservar a ecologia da região, a mais extensa e rica do mundo, em termos de biodiversidade.

SUSTENTABILIDADE – É claro que não se pode manter intocada a floresta, seria uma ilusão, sobretudo porque na Amazônia existem riquezas minerais incomensuráveis, que precisam ser exploradas com critério, de forma a se compensar em reflorestamento a área a ser degradada pela mineração. Assim, à medida que o minério seja extraído, o reflorestamento vai avançando, sem deixar aquelas crateras lunares que ainda caracterizam a exploração mineral no Brasil e na maior parte do mundo.

Nesse terreno delicado do meio ambiente, Bolsonaro trafega dirigindo uma patrol que vai derrubando a floresta sem raciocinar sobre consequências.

Enquanto age com tamanha irresponsabilidade no atacado, Bolsonaro executa no varejo a desmobilização dos órgãos de fiscalização, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Ibama e o Instituto Chico Mendes. Mas nem tudo dá certo nessas tragédias bolsonarianas.

UM TIRO NO PÉ –Para se livrar da acusação de incentivar o desmatamento, no ano passado o presidente criou o Conselho da Amazônia, por saber que seria a melhor maneira de não fazer nada, pois sempre que um governante quer se livrar de um problema sem resolvê-lo, inventa um grupo de trabalho, uma comissão ou um conselho.

Para completar a obra e queimar o importuno vice Hamilton Mourão, o presidente o nomeou presidente do Conselho. Foi um tiro no pé. Apesar das limitações de sua função, que o impedem de tomar decisões executivas, o general é sagaz e criou importantes iniciativas,

O primeiro ato foi se unir ao então ministro da Justiça, Sérgio Moro, que colocou a Polícia Federal e a Guarda Nacional para coibirem desmatamento, com apoio das Forças Armadas. Ao mesmo tempo, Mourão entendeu-se com todos os governadores da região, a união faz a força e a situação enfim começa a ser revertida, porque os desmatadores já sentiram que a repressão e as multas são para valer.

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P.S. 1
 – Não existe vácuo de poder. Quando um governante se omite, alguém ocupa seu espaço. Os investidores nacionais e estrangeiros já desistiram de Bolsonaro. Sabem que a alternativa é o vice Mourão e agora vão fazer o possível e o impossível para prestigiá-lo, até porque não existe alternativa. 

P.S. 2 – Nesta quinta-feira. Mourão deu show numa videoconferência com fundos investidores ambientais da Europa. Falando um inglês impecável, relatou suas providências e impressionou os CEOs, que vão aguardar os resultados da atuação do Conselho da Amazônia. Nada mal, portanto. (C.N.)

13 thoughts on “Maior erro de Bolsonaro foi nomear Mourão para evitar a devastação da Amazônia

  1. Na próxima vez, poderiam colocá-lo para falar mentiras na ONU.
    A fim de impressionar!
    Mas mentiras tem pernas curtas.
    Que adiante ser uma coisa no discurso e outra na prática (?)
    Já tudo o que os servidores falaram apontam para intimidação e estão acoados. Não fazem operação. Não destroem equipamentos utilizados por aqueles que promovem a derrubada das florestas para extração das árvores ou na atividade de garimpagem.
    O orçamento do Exército na Amazônia é maior que o destinado ao Ibama, porém, nada, ou pouco, se faz em parceria contra a atuação dos grilheiros.

    • O importante é que Mourão é melhor que Bolsonaro que só não conseguiu ainda ser pior que luiz inacio, e isso ninguém consegue.
      Bolsonaro é fraco em tudo, e cada vez mais, vai indo para o brejo, com filhos e tudo.
      Se meteu onde ele se meteu, é coisa de idiota, quanto mais o tempo passa o cara fica pior.
      Se calar o bicho lhe pega, se falar o bicho lhe come.
      Não tem jeito, Bolsonaro é ruim em tudo e burro como ninguém, a não ser Luiz Inácio.

      • Lula saiu com mais de 70% de aprovação.
        Era procurado e todos queriam sair na foto com ele nas reuniões da ONU. Tem um Presidente norte-americano que inclusive apontou pra ele e disse: Esse é o cara.
        O Brasil de Lula teve o melhor Ministro da Educação deste período Democrático: Paulo Renato. O dólar estava um pouco supervalorizado, é verdade. Mas o setor industrial estava melhor. É só ver os projetos dos portos na época.

  2. Boçalnato é um caso patológico! Ele não faz nada porque não pode fazer. Sua mente doentia não deixa. É, realmente, caso de internação psiquiátrica. Cabe às Forças Armadas dar maior apoio a Mourão e ajudá-lo a REALMENTE, preservar o maior patrimônio natural do mundo, que pertence a nós !!!

  3. Não resta dúvida, o que abriu a porta da degradação dessa Região foram os garimpos ilegais. Numa primeira fase, a lavra dos minérios, majoritariamente, ouro, era feita de forma primitiva, à base manual e identificado no “olhômetro”, sem uso de separadores e processadores químicos ou dragas. Até aqui, a nomenclatura era: MINEIRO.
    Depois a terminologia evoluiu para GARIMPEIRO e com eles o emprego do Mercúrio (Hg) ou azougue, Borax ou Borato de Sódio e outro ingrediente ainda pior: a ganância.
    Ainda hoje, o índice de cânceres ali, sobretudo, em mulheres ribeirinhas, é elevado. Atribui-se essa insalubridade à ação do Mercúrio aplicado à depuração aurea: que migra aos rios e igarapés, e daí à água e os pescados consumidos pelos caboclos. Lagoas, clareiras, desertificações formadas por máquinas escavadoras, como nas derrubadas florestais (este já é um capítulo à parte).
    Serra Pelada, considerado o maior garimpo a céu aberto do mundo, no seu auge, abrigou cerca de 100.000 trabalhadores. Uma verdadeira bardena organizada. Como não podia deixar de ser, deu vida a muitos fenômenos supervenientes, socialmente, degradantes. Bilhões evadidos mediante o contrabando de ouro, prostituição, criminalidades desenfreadas; serviu.de porto seguro para homiziar criminosos perigosos, oriundos, especialmente, do Nordeste.
    O governo militar desperdiçou uma oportunidade singular para moralizar e normatizar a exploração das riquezas amazônicas. Inclusive, poderia usar do seu poder marcial para abortar, em sua nascença, o processo de internacionalização, sob quaisquer pretextos. Mas ajoelhou-se diante dos lobbies políticos e empresarias, os quais nutriam ambição por tudo que o nosso El Dorado podia oferecer-lhes. Ao contrário, os militares, em nome de não gerar “problemas sociais,” permitiram que germinassem lideranças politicas, predatórias, a exemplo.do major Curió; digno até de um topônimo municipal, no estado do Pará, Curionópolis. Pronto, aí ficava garantida e escudada a hecatombe socioambiental.
    A propósito, a malparada Região Amazônica teve a desdita de ver enfraquecidas as suas defesas naturais mais fulminantes e patriotas: refiro-me à febre amarela, leishmaniose, malária, índios canibais (mesmo os lendários), boitatá……..
    Sei muitas coisas pertinentes ao tema, pois tenho muitos parentes por lá, onde frequentemente costumo circular. Colhi também muitas informações dos MINEIROS e GARIMPEIROS com longas experiências: dois irmãos, um continua no trampo próximo à Serra Pelada; o outro virou pastor, para usurpar otários.
    Conheci o Sr. Chico Dengoso, que viveu até os 108 anos: ex-mineiro amazonense, filho de um casal maranhense. Eu passava horas isso a fio ouvindo-o. O que mais me impressionava era ele contar as matanças que havia impunemente; a polícia tinha medo dos pistoleiros nordestinos. E era verdade: meu genitor, que era militar, e outros anciãos confirmavam: isso incita terrivelmente o instinto assassino de uma criança.
    Chico Dengoso foi o homem que, com outros parceiros, transladou José Sarney, aos seis dias de nascido juntamente com sua mãe Kiola, a bordo de uma rede, dos municípios de Pinheiro (o torrão do ex-presidente) a São Bento, também no Maranhão.

    • Paulo III,

      Sem eu querer rasgar seda como se diz, até porque eu e tu não precisamos disso, mas alguns comentários teus são primorosos em detalhes e informações por onde andaste.

      Esse, o de cima, abordando a Amazônia e algumas das características do local, é importante e interessante ao mesmo tempo.

      Textos com essas riquezas de detalhes qualificam a TI como verdadeiramente incomparável, pois seus comentaristas são também do mesmo nível.

      Abraço.
      Te cuida!
      A gripezinha já mandou para o céu 70 mil brasileiros, conforme dados de ontem.

      • Oh Bendl, mui grato pelo alerta!
        Eu, hereditariamente, já tenho problemas respiratórios, de fundo alérgico, herdado do meu avô baiano. Ele morreu de colapso pulmonar a bordo de um navio, quando vinha na orl; donde caiu para as profundezas do Rio Amazonas.
        Pior que o Coronavírus são as pessoas irresponsáveis, com as quais temos de nos misturar, quando a nossa integridade depende também do padrão de higiene delas e compromisso para com o coletivo!

  4. Embora digam que a esperança é a última que morre, eu não esperaria alguma atitude de bom senso por parte deste governo pelo que tem demonstrado até agora a orientação geral é sempre fazer o contrário do que seria lógico.

  5. Acreditaram na ditadura milico-servil
    Acreditaram no Sarney/plano cruzado
    Acreditaram no Collor
    Acreditaram no FHC
    Acreditaram no Lula/”conciliação” de classes
    Acreditaram no Cunha
    Acreditaram no Temer
    Acreditaram no BolsoMoro
    … agora Acreditam no neo-vaca fardada Mourão: igualmente seguidor e admirador da TORTURA, entreguista e medíocre como TODOS os integrantes desse governico
    … difícil mesmo é acreditar em si mesmos
    em deixar de ser teleguiad@s.

  6. Carlos Newton, concordo com tua posição referente ao general Hamilton Mourão que – embora ele tenha nascido em Porto Alegre/RS, gaúcho – é filho do general de divisão Antonio Hamilton Mourão, amazonense, descendente de indígenas.

    Dentre outras funções de destaque no Exército, foi comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira, município do estado do Amazonas, localizado na fronteira com a Colômbia e Venezuela, também é conhecido como “Cabeça do Cachorro”.

    Lá, em São Gabriel da Cachoeira, 90% (noventa por cento) dos habitantes são indígenas. Nossos soldados são indígenas.

    Lembro que seu último cargo no Exército foi o de Secretário de Economia e Finanças e foi afastado após afirmar que o presidente Michel Temer fazia do governo um “balcão de negócios” para se manter no poder – o que era verdade, como foi noticiado com fartura pela imprensa brasileira.

    Não faço distinção entre civil e militar. Faço, sim, entre honesto e desonesto, competente e incompetente, patriota e impatriota.

    O general Hamilton Mourão é um brasileiro culto, honesto, competente e patriota.

    E sempre procurou atuar de modo justo e perfeito.

  7. Lembro que seu último cargo no Exército foi o de Secretário de Economia e Finanças e foi afastado após afirmar que o presidente Michel Temer fazia do governo um “balcão de negócios” para se manter no poder – o que era verdade, como foi noticiado com fartura pela imprensa brasileira.
    … … …
    Até agora nenhuma denúncia de corrupção no Governo Temer, né senhor Celso???

    Sds.

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