Maior problema do jornalismo está nas “fuck news”, disse Ricardo Boechat

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Ricardo Boechat criticou o monte de merda que os jornais publicam

Deu na Folha

A baixa qualidade de boa parte da produção jornalística atual tem contribuído mais para minar a credibilidade da imprensa do que fenômenos como a proliferação de notícias falsas nas redes sociais, as chamadas “fake  news”, disse o jornalista Ricardo Boechat durante o 2º Encontro Folha de Jornalismo, um dos últimos eventos de que participou.

“Outro dia um ouvinte me disse que o problema está nas ‘fuck news’, o monte de merda que os jornais publicam todos os dias”, afirmou Boechat, que era apresentador do “Jornal da Band” e da rádio BandNews e participou de um debate sobre a cobertura das eleições presidenciais deste ano.

COISA DE MOMENTO – Boechat disse discordar dos comentaristas que apontam as notícias falsas como fator decisivo para a eleição do presidente americano Donald Trump em 2016. Para ele, a vitória de Trump foi reflexo do momento que a sociedade americana vive, e não da manipulação da informação nas redes sociais.

No debate, Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal “Valor Econômico”, disse que a atuação da imprensa americana oferece poucas lições. Mencionando estudos sobre a cobertura da última eleição presidencial, ela contou que os principais jornais dedicaram mais espaço a articulações políticas e trocas de acusações do que às propostas dos candidatos.

Para o professor Thomas Patterson, de Harvard, autor de um dos estudos que ela mencionou, a cobertura dos jornais americanos contribuiu para corroer a confiança do público no jornalismo, no processo eleitoral e no resultado das eleições, além de fortalecer teses conservadoras, ao não esclarecer as diferenças entre os candidatos e disseminar a impressão de que eram iguais.

TOMAR PARTIDO – Maria Cristina propôs que a imprensa “tome partido do eleitor”, detalhando as propostas dos candidatos e questionando-os sobre os desafios que o país enfrenta, além de diversificar a cobertura, estendendo-a a outras regiões do país para que não fique concentrada em São Paulo, Rio e Brasília.

Para o colunista Joel Pinheiro da Fonseca, da Folha, políticos e grupos partidários que fazem barulho na internet vão aproveitar o debate sobre as notícias falsas para questionar a credibilidade da imprensa na campanha eleitoral, classificando como “fake news” qualquer notícia desfavorável, ainda que verdadeira.

“Se você pratica o jornalismo com ética e honestidade, tudo bem opinar e tomar partido”, disse Joel. “O perigoso é esse discurso ser usado por blogs e pessoas que estão crescendo na internet sem nenhum compromisso com a honestidade dos fatos.”

DISSE BOECHAT – Na opinião de Boechat, o público está mais interessado na política hoje do que em outras eleições. “A sociedade tomou gosto pela discussão política e está informada sobre mazelas que antes não chegavam ao seu conhecimento”, afirmou, referindo-se às revelações feitas pela Operação Lava Jato desde 2014.

Fonseca observou que o foco em escândalos de corrupção como os que dominaram o noticiário político nos últimos anos alimenta uma “visão muito niilista e cínica” da política e pode contribuir para reduzir a confiança das pessoas nas instituições democráticas.

Mas Boechat discordou. “A esculhambação da política não é culpa das críticas dos jornalistas, mas dos políticos”, afirmou. Classificando as principais lideranças do país como “desqualificadores crônicos”, ele disse que as eleições de 2018 ofereceram uma oportunidade para corrigir o problema.

Para Maria Cristina, grupos que têm se mobilizado pela renovação da política terão pouca chance de sucesso, por causa das mudanças na legislação eleitoral, que reforçaram o poder dos caciques dos grandes partidos sobre o processo eleitoral. “O novo presidente terá que lidar com um Congresso controlado por eles, talvez pior do que o atual”, previu.

6 thoughts on “Maior problema do jornalismo está nas “fuck news”, disse Ricardo Boechat

  1. No site Antagonista foi mencionado que o helicóptero não tinha autorização para fazer serviço de táxi aéreo. Este é mais um caso da ausência de fiscalização neste País.

  2. Em Curitiba-PR, há um endocrinologista, cujo nome é: André Fuck.
    Se fosse aqui pras bandas do Norte/Nordeste, cada vez que o filho chamasse o nome do pai, tomaria um tapa na boca!

  3. O ALERTA ABAIXO NÃO É FAKE NEW…….,

    Mudança climática é maior preocupação global sobre segurança
    Pesquisa mostra que alterações no clima do planeta são fator de segurança que mais preocupa as pessoas no mundo, seguidas do terrorismo e ciberataques, e indica aumento dos temores sobre a influência dos EUA.

    Por Deutsche Welle

    11/02/2019

    Névoa de poluição cobre Paris em entorno da Torre Eiffel — Foto: Mustafa Yalcin/Anadolu Agency via AFP

    As mudanças climáticas encabeçam a lista das maiores preocupações mundiais sobre segurança, à frente do terrorismo e dos ataques cibernéticos, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Centro de Pesquisas Pew, com sede em Washington.
    As ameaças ao clima do planeta foram apontadas como a maior causa de preocupação pela maioria dos entrevistados em 13 dos 26 países onde a pesquisa foi realizada, incluindo o Brasil. O terrorismo islamista do grupo “Estado Islâmico” ocupa o topo da lista em oito países, e em outros quatro, incluindo os EUA, os ciberataques foram indicados como a principal causa de temores entre a população.
    As preocupações com as mudanças climáticas vêm crescendo acentuadamente desde 2013, com aumentos de dois dígitos em pontos percentuais registrados pela pesquisa em países como os EUA, México, França, Reino Unido e África do Sul. No Brasil, o tema foi apontado como principal fator de preocupação por 73% dos entrevistados, seguido pelos temores em relação à economia global (66%) e dos ciberataques (61%).
    O levantamento revelou ainda o aumento das preocupações em vários países em relação ao poder e influência global dos Estados Unidos. Entre os brasileiros, 53% apontaram essa questão como um de seus principais temores, o mesmo percentual das preocupações com um ataque terrorista islâmico no país.
    Em média, 45% dos entrevistados nos 26 países disseram temer a influência global americana em 2018, revelando um aumento significativo em relação aos 25% que deram a mesma resposta em 2013. No ano passado, essa preocupação foi apontada por aproximadamente a metade das pessoas em dez países, inclusive na Alemanha, no Japão e na Coreia do Sul. Em 2017 esse temor fora registrado em sete países e em 2013, em apenas três.
    Na Alemanha, as preocupações com o clima também figuram no topo da lista (71%), seguidas da ameaça terrorista (68%) e dos ciberataques (66%). A influência americana foi apontada como ameaça à segurança por 49% dos entrevistados.
    Em entrevista à DW, Jacob Poushter, diretor do Centro de Pesquisas Pew e principal autor do estudo, afirma que os temores em relação aos EUA superaram as preocupações registradas nos anos anteriores em relação à Rússia e à China. “Isso representa uma mudança em relação a 2013, quando uma leve maioria das pessoas dizia que a Rússia e a China representavam uma ameaça maior do que os EUA. Essa é uma mudança muito acentuada”, observou.
    Poushter ressaltou que, em 2018, uma quantidade significativamente maior de cidadãos americanos revelou preocupações com as mudanças climáticas, num aumento em 19 pontos percentuais desde 2013.
    “É uma ameaça crescente para os americanos, assim como para os países europeus. A diferença é que, nos EUA, a divisão partidária é muito ampla, e os democratas são bem mais propensos a apontar as mudanças climáticas como uma grande ameaça do que os republicanos. Há uma diferença de 56 pontos percentuais, o que é muito grande.”
    O Centro de pesquisas Pew entrevistou 27.612 pessoas em 26 países entre maio e agosto de 2018.

    Fonte: G1

  4. Boechat tinha razão, o nível do jornalismo da grande mídia vem caindo há muito tempo, se tornando cada vez mais superficial e tendencioso. Mas o tal Professor Patterson de Harvard. acerta na avaliação do resultado (a cobertura jornalística contribuiu para abalar a confiança do público americano na imprensa), contudo erra no diagnóstico da causa, quando diz que a imprensa americana teria tratado os candidatos a presidentes como iguais. Foi o contrário, 99% dos jornais declararam apoio a Hillary Clinton, e praticamente toda a cobertura noticiosa era anti-Trump. Até colunistas de esportes usavam seus espaços para atacar Trump. O problema da grande mídia é que as pessoas perceberam que ela defende os interesses dos poderosos e não das pessoas comuns, e não quiseram votar nunca candidata vista como mentirosa e representante dos barões de Wall Street só para se mostrarem politicamente corretos. Mas é claro que os senhores da mídia nunca admitirão ter errado alguma vez, e por isso lhes resta duplicar e triplicar as perorações anti-Trumo, e acusar Putin-Fu-Manchu pela eleição do monstro de cabelo laranja.

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