Maior transparência no processo eleitoral e na apuração é fundamental para a democracia

Apesar de "fazer barulho", movimento a favor do voto impresso não tem força

Exigir uma maior transparência é um direito de todo eleitor

José Carlos Werneck

O importante é que tenhamos eleições e apurações transparentes, fiscalizadas por todos os segmentos da sociedade, por todos os partidos e principalmente pelo maior interessado na lisura do pleito: o eleitor. Toda a atenção agora é pouca. Fiscalizar sempre!

Nesta hora dificílima por que passa o país, cada brasileiro deve ser um atento fiscal do pleito e da apuração, pois só eleições livres e honestas garantem a plena democracia!

SEM DOGMAS – Sempre detestei dogmas, principalmente os que dizem respeito à infalibilidade. Acho temerário afirmar que as urnas eletrônicas e a consequente apuração são perfeitas, invioláveis e infalíveis.

Numa democracia, questionar é primordial e sempre salutar. Que cada brasileiro, independentemente de sua preferência partidária, seja um fiscal dessas eleições

Sempre, em ano de eleição, são realizadas inúmeras enquetes perguntando aos eleitores se eles confiam na urna eletrônica. O fato é curioso e intrigante, Realmente a urna eletrônica foi um avanço significativo implantado pela Justiça Eleitoral e facilitou muito o andamento das eleições.

EXISTEM DÚVIDAS – Mas pairam inúmeras dúvidas quanto à confiabilidade e a segurança das chamadas urnas eletrônicas. A principal delas é que no caso de uma recontagem de votos, necessária por suspeita de fraude ou outro motivo relevante, quais seriam as provas materiais para sanar as dúvidas suscitadas?

O governador Leonel Brizola, vítima de uma vergonhosa tentativa de fraude em sua primeira eleição para governador do Estado do Rio de Janeiro, ainda no tempo do voto escrito, quando se tentou contra ele uma gigantesca armação nas apurações, tinha sérias dúvidas em relação à urna eletrônica.

Leonel Brizola insistia que o eleitor deveria ter direito ao “papelzinho”, como ele chamava o comprovante escrito do voto exercido.

DIREITO ELEMENTAR – Realmente não se compreende porque a Justiça Eleitoral insiste em negar ao eleitor brasileiro um direito tão elementar e faz disso um dogma, classificando como criminosos aqueles que questionam o atual processo eleitoral.

Será que, para as autoridades responsáveis por zelar pela lisura do pleito, a infalibilidade da urna eletrônica é um dogma inquestionável?

Parece até aquela história, contada com tanto humor por Sebastião Nery, a respeito daquele “coronel”, quando o eleitor de cabresto foi perguntar-lhe se ao menos poderia saber em quem o coronel tinha mandado que ele votasse, recebeu como resposta: ” Você está louco, meu filho? Nunca mais me pergunte uma asneira dessa. O voto é secreto.

COMPROVANTES – Até os caixas eletrônicos das instituições bancárias dão aos usuários comprovantes impressos das transações efetuadas. Por que o mesmo singelo procedimento não pode ser adotado pela Justiça Eleitoral? Seria uma segurança a mais e mostraria respeito ao eleitor.

Hoje se sabe que jovens “experts” em informática conseguem entrar em programas sofisticados como os das Forças de Segurança de países do Primeiro Mundo. Por que confiar tanto na infalibilidade da urna eletrônica adotada no Brasil.

Hoje o eleitor é induzido, pelas pesquisas eleitorais, a saber, de antemão, quem serão os vencedores, principalmente das eleições majoritárias. Daí para se maquiar os resultados é somente um pulo. E é aí é que está o único perigo de golpe contra as eleições de outubro próximo.

MUITO CUIDADO – Por tudo isso e em respeito à democracia, tão duramente conquistada e à vontade soberana do eleitor, todo cuidado é pouco.

A Justiça Eleitoral e todas as demais Instituições nacionais precisam estar muito atentas, rigorosas e vigilantes, para que de maneira alguma possam ser suscitadas dúvidas sobre a lisura das próximas  eleições!

Para quem não conhece a história do coronel, para quem o voto era tão secreto que nem o próprio eleitor não podia saber em quem havia votado, aí vai o excelente texto.

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O CORONEL JARARACA
Sebastião Nery

Chico Heráclio foi o mais famoso coronel do Nordeste. Em Limoeiro, Pernambuco, quem mandava era ele. Era o senhor da terra, do fogo e do ar. Ou obedecia ou morria.

Fazia eleição como um pastor. Punha o rebanho em frente à casa e ia tangendo, um a um, para o curral cívico. Na mão, o envelope cheinho de chapas. Que ninguém via, ninguém abria, ninguém sabia. Intocado e sagrado como uma virgem medieval.

Depois, o rebanho voltava. Um a um. Para comer. Mesa grande e fartura fartíssima. Era o preço do voto. E a festa da vitória. Um dia, um eleitor foi mais afoito que os outros:

– Coronel, já cumpri meu dever, já fiz o que o senhor mandou. Levei as chapas, pus tudo lá dentro, direitinho. Só queria perguntar uma coisa ao senhor: em quem foi que eu votei?

– Você está louco, meu filho? Nunca mais me pergunte uma asneira dessa. O voto é secreto.

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P.S. –
Por tudo isso eu fico com a opinião de Leonel Brizola, para quem “o eleitor tem direito ao papelzinho”! (J.C.W.)

17 thoughts on “Maior transparência no processo eleitoral e na apuração é fundamental para a democracia

  1. Quando o voto era por “papelzinho”, havia muito mais fraudes. O voto impresso pode ser a contrapartida a um favor.

    E se alguém quiser avacalhar é só dizer que apertou um botão, votando em determinado candidato e que no voto impresso saiu diferente.

    Bah, esses caras que procuram pelo em ovo, francamente (como dizia Brizola).

  2. Achei muito positivo a desconfiança na apuração principalmente vindo da direita.
    Sempre penso na eleição de 2014. Dilma x Aécio. Com todos os índices econômicos e sociais amplamente favoráveis à reeleição na hora da contagem no computador central, Aécio liderou só sendo derrotado qdo da contagem das urnas do norte de Brasil.
    Minha desconfiança é de que o algoritmo de “leitura – interpretação” não contava com tantos votos em Dilma e sua programação foi insuficiente para eleger Aécio.
    Mas quase que o desastre acontece!

  3. Quem tem a milícia a seu favor o “papelzinho” será sempre a melhor opção.

    Nos locais de apuração, se a eleição for por meio do “papelzinho”, os milicianos vão fazer a festa. Vão tomar conta dos fiscais.

    E quanto ao transporte dos malotes com o “papelzinho”? Vão ser trocados a mando da milícia no trajeto até o local da apuração.

  4. Como ainda impera tamanha ignorância. Nenhum eleitor ficará com ” papelzinho” após votar. O comprovante cairá numa caixa vamos dizer assim, lacrada ao lado da urna.
    Transparência é fundamental. Por que os esquerdistas têm medo da transparência.
    Deixa pra lá.

  5. Alguém dúvida que no Congresso Nascinal,existem representantes de narcotraficantes, grileiros, extratores ilegais de madeira, garimpeiros e todos demais tipos de criminosos? Segundo Alexandre Saraíva, ex Superintendente da PF no Amazonas há, inclusive no jornal PontoI da Globo, citou nomes tanto no Senado, quanto na Câmara Legislativa. Como foi dito, o Crime organizado está cooptando os Poderes constituídos do Brasil, da mesma forma que cooptou em outros países da América Latina, e emoutras partes do mundo.

  6. “Maior transparência no processo eleitoral e na apuração”.
    Quando vem com esse papo furado após várias eleições sem alarde, sei que é safadeza.
    É coisa de órfão de juiz ladrão e quer dar um jeitinho para burlar a vontade do povo.
    Não adianta, vai levar uma sova de lavada.

  7. Só espero que o Brasil, um país pobre e extremamente mal dirigido, apesar de gigante, não sofra a DESGRAÇA de manter, no palácio do Planalto, essa PODRIDÃO que, no momento, lá se encontra.

  8. Senhores Jose Vidal e Sebastião Barros. Sugiro que no próximo comentário a respeito das urnas, vocês desenhem para ficar mais claro.

  9. Diversos setores da sociedade já participam de grupos de trabalho pra aprimorar o sistema. Como engenheiro eletricista, conheço amigos que já acompanharam as preparações para os hackathons promovidos pelo TRE para tentativas de quebrar a segurança das urnas, e de todas as equipes participantes, apenas um questionou pontos técnicos. E os pontos questionados necessitariam de condições totalmente sui generis para serem aplicados e se transformarem em real ameaça. Mesmo assim foram corrigidos.
    No mais, é só disse-me-disse, supostas provas testemunhais, vídeos totalmente duvidosos, e gente sem o menor conhecimento da área alegando como defesa da falta de segurança que se “Hoje se sabe que jovens “experts” em informática conseguem entrar em programas sofisticados como os das Forças de Segurança de países do Primeiro Mundo, por que confiar tanto na infalibilidade da urna eletrônica adotada no Brasil.”
    Além disso, todo processo de auditoria de código e assinatura digital do arquivo compilado das urnas é acompanhado pelos três poderes e pelos partidos.
    E por fim, sim, a contagem eletrônica garante muito mais integridade dos dados do que a contagem manual. Acho que ninguém questiona isso quando saca dinheiro do caixa eletrônico.

  10. KKK esta de “recibo” é mesmo de matar, no dia em que for implantada pode-se dizer que a eleição é um negócio. O recebimento do comprovante é a comprovação de uma transação bancária, é isto que queremos da eleição, uma “transação bancária”?

  11. Não haveria nenhum problema que o voto na urna eletrônica tivesse também o impresso para ser colocado numa urna.
    O problema, é que Bolsonaro como candidato a reeleição quer que tenha o voto impresso.
    É na recontagem do voto impresso que há, a possibilidade de fraudes, para não bater com os números das urnas eletrônicas, bastava não bater por uma unidade, que Bolsonaro faria um carnaval. O desespero de Bolsonaro de perder à eleições, é que o leva a querer voto também no papel, para pedir a recontagem e melar ás eleições

    • Sucinto e certeiro, Nélio Jacob.
      O voto impresso é um retrocesso. Bolsonaro foi eleito com as Urnas Eletrônicas. Por que, bate nelas nessa eleição? Será o medo de perder o Poder? Está ficando patético essa perseguição contra as Urnas, depois de 30 anos da sua implantação, sem nenhuma discórdia dos políticos, que perderam as eleições.
      Temo pelo futuro do país, se não houver respeito a decisão do eleitor em outubro. Estão preparando um novo Sete de Setembro, pior do que aquele de 2021. A quem interessa colocar fogo no paiol?
      Quando a Unidade Federativa for desfeita, quem irá colar os cacos?
      Quem assumirá a função espinhosa do Zelenski brasileiro?
      Cautela e caldo de galinha nessa hora, para o bem da nação, que não pode mergulhar no germe da escuridão, por vontade das suas elites. Nesse cenário da divisão, todos perderão, ricos e pobres, como ocorre no Sudão, na Líbia e até na Ucrânia.
      O país destinado a ser grande, potência mundial, o nosso Brasil, não chegará ao seu destino, desconstruindo as bases que foram plantadas desde a década de 50, início da Industrialização brasileira. Desconstruir, regredir, equivale a uma volta a Idade Média. É isso, que desejam?

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