Maioria das lideranças do Congresso é favorável ao fim da reeleição

Charge do Andre (Arquivo do Google)

Camila Turtelli, Daniel Weterman e Emilly Behnke
Estadão

Prometido pelo presidente Jair Bolsonaro ainda na campanha de 2018, o fim da reeleição para cargos no Executivo tem o apoio de líderes em 15 dos 24 partidos representados na Câmara e no Senado, segundo levantamento do Estadão/Broadcast. O assunto, esquecido por Bolsonaro após eleito, voltou a ganhar força depois que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, em artigo no Estadão, ter errado ao dar aval à medida, que lhe permitiu ficar oito anos no poder.

Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para proibir a recondução de presidentes, governadores e prefeitos foi apresentada na semana passada pelo deputado Alessandro Molon (RJ), líder do PSB. Para ser aprovada, uma PEC precisa de 308 votos na Câmara e 49 no Senado.

DEBATE – Embora maioria, a bancada dos 15 partidos cujos líderes apoiam a medida não chegam a tanto. Ao todo, eles representam 302 deputados e 40 senadores. Alguns líderes ponderam também que, apesar de pessoalmente favoráveis ao fim da reeleição, a questão não está fechada e ainda precisaria ser discutida internamente nos partidos.

Apenas três dos líderes de bancada consultados pelo Estadão defenderam manter a atual regra – Solidariedade, PSOL e Patriota –, e outros quatro preferiram não se posicionar, incluindo o DEM, partido dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (AP). PROS, PSC e PSD não responderam.

“O Congresso está atrasado no debate sobre a reforma política. Acho que deveríamos caminhar para ter mandato de 5 anos, sem reeleição”, afirmou Arnaldo Jardim (SP), líder do Cidadania, concordando com a proposta de FHC.

CENTRÃO – Maior bloco de partidos da Câmara, com 205 deputados, o Centrão se divide sobre a tema. Enquanto no PTB, no Republicanos e no PL a opinião é favorável a acabar com a possibilidade de reeleição no País, o líder do Solidariedade, deputado Zé Silva (MG), defende manter a regra atual. Já no Progressistas, o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), ficou em cima do muro.

“Acho que isso pode até ser revisto, mas não para os atuais (governantes). Seria uma violência tirar o direito de quem já está permitido na Constituição. Se tiver de haver alguma mudança é para 2026”, afirmou o senador, que, em entrevista ao Estadão, no mês passado, antecipou seu apoio à reeleição de Bolsonaro, em 2022. O partido de Ciro se aproximou do Palácio do Planalto nos últimos meses, quando passou a ocupar cargos no governo e a integrar a base aliada no Congresso.

TOMA LÁ, DÁ CÁ – O “toma lá, da cá” para continuar no poder é justamente um dos problemas apontados pelo senador Jorginho Melo (PL-SC), líder da sigla no Senado, ao defender o fim da reeleição. “Hoje, o prefeito senta na cadeira, cria uma secretaria, dá um carguinho para o partido lá. Muitas vezes ele não queria fazer aquilo, mas faz, pensando na reeleição”, disse ele.

A exemplo do Centrão, a oposição também está dividida sobre o assunto. O PT, que tem a maior bancada da Câmara (53 deputados) e reelegeu dois presidentes nos últimos anos, não quis se posicionar. No PSOL, porém, a líder Sâmia Bomfim (SP) defendeu a regra atual.

“No geral, pode-se dizer que não consideramos a regra atual abusiva. Pois, se garantido o processo eleitoral democrático, não é um problema querer dar continuidade num projeto político de quatro anos, se a população optar assim”, disse a deputada.

8 thoughts on “Maioria das lideranças do Congresso é favorável ao fim da reeleição

  1. Quais os partidos que apoiam a não reeleição? Tentei descobrir mas ainda não achei respostas.
    Fico pensando se não aqueles que não tem chances nas próximas eleições presidenciais?
    Fallavena

  2. “No geral, pode-se dizer que não consideramos a regra atual abusiva. Pois, se garantido o processo eleitoral democrático, não é um problema querer dar continuidade num projeto político de quatro anos, se a população optar assim”, disse a deputada Samia, do PSOL. Deus do céu, como é que o PSOL que tem tido uma postura até elogiável diante da podridão sistêmica ser favorável a uma indecência dessa, que até o próprio autor, FHC, já pediu perdão por tê-la criado na calada da noite, que coisa sintomática lamentável PSOL, que dá conta de que o novo de verdade não pode contar com sigla nenhuma, não existe desprendimento em nenhuma delas, ao que parece. A DEMOCRACIA DIRETA, com Meritocracia, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o projeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, é a petrificação fundamental de fato e de direito do Estado Democrático de Direito, como bem maior inalienável da Humanidade, e do Brasil, é a varredura fática do entulho autoritário e o trancamento a sete chaves contra o retrocesso, o autoritarismo e o arbítrio, para que nunca mais tenha chance de sequer ser cogitado neste país, nas ruas, nos quartéis, na ociosidade dos clubes militares, nos veículos de comunicação e em lugar nenhum nestas plagas a hipótese ou ameaças de golpes e intervenções militares na política e na vida democrática do país cuja população tem que ter o direito de viver e conviver em paz, livre, e não sobressaltada em permanente estado de guerra tribal, primitiva e insana, por poder, dinheiro, vantagens e privilégios, sem limite$, se digladiando entre irmãos, à toa, como tem sido imposto a todos e todas, no Brasil, há 130 anos, pelo militarismo e partidarismo, polítiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, que perfazem e protagonizam o sistema podre, que funciona à moda todos os bônus para ele$ e o resto que se dane com os ônus, obrigando a todos a tomarem partido, à direita, à esquerda e ao centro, dos quai$, infelizmente, nos tornamos todos vítimas, reféns, súditos e escravos, ainda que fantasiados de cidadãos e cidadãs, embora muitos masoquistas, acometidos pela síndrome de Estocolmo, ainda não tenham percebido isso. https://www.facebook.com/watch/?v=405253022931914

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