Mais reflexões sobre os conceitos de direita e esquerda

Carlos Frederico Alverga

A classificação entre direita e esquerda surgiu na Revolução Francesa, no período entre 1789 e 1794, época do terror final de Robespierre e imediatamente antes da ascensão de Napoleão.

Vejam: na Assembléia Nacional no período citado, os jacobinos, que eram os revolucionários que pretendiam mudar a ordem social vigente, ocupavam o lado esquerdo do plenário da Assembléia Nacional, enquanto os girondinos, que queriam manter os privilégios da velha ordem do Antigo Regime, e impedir as mudanças revolucionárias dos jacobinos, ocupavam o lado direito do plenário.

Daí a divisão clássica dos ideários políticos, a esquerda querendo transformar a sociedade e a direita querendo conservá-la na mesma situação.

No caso de Marx, o resumo tosco da teoria é o seguinte: a burguesia seria destituída do poder político na sociedade capitalista por um golpe violento do proletariado, que tomaria o poder e implantaria a ditadura do proletariado, a qual corresponderia ao período do socialismo, no qual as diferenças sociais seriam abolidas pela evolução da sociedade até se atingir o estágio da sociedade sem classes, que corresponderia ao comunismo.

Ocorreria, consequentemente, o fim do Estado, e as pessoas contribuiriam de acordo com as suas capacidades e receberiam conforme as suas necessidades.

Detalhando um pouco mais o resumo bastante genérico feito sobre o marxismo, transcrevo trecho de artigo de autoria de Francisco Weffort acerca da teoria política de Marx,o qual consta das páginas 242 e 243 do livro “Clássicos da Política”, da Editora Ática, São Paulo, 2001, 10ª edição:

“Em O Manifesto, a confiança de Marx na utilização do Estado como um instrumento para a revolução do proletariado ia de par com a convicção de que, no Estado moderno, a burguesia “conquistou, finalmente, a hegemonia exclusiva do poder político no Estado representativo moderno”. Está ligada a esta idéia de uma “hegemonia exclusiva” da burguesia a frase famosa vem logo a seguir: “O governo do Estado moderno não é mais do que uma junta que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa”. Nestas circunstâncias, “o primeiro passo da revolução operária é a elevação do proletariado a classe dominante” e a este primeiro passo Marx designa como “a conquista da democracia”.

Acompanhando a substituição das classes na direção do Estado, teríamos uma mudança das finalidades do Estado. Se nas mãos da burguesia o Estado funciona para preservar a propriedade privada e para assegurar os interesses da classe burguesa, nas mãos do proletariado ele serviria “para ir arrancando gradualmente à burguesia todo o capital para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado como classe dominante”. O desaparecimento do Estado só viria depois de um período de transição mais ou menos longo, no qual o desenvolvimento das forças produtivas levaria ao “desaparecimento das diferenças de classe” concentrando a produção “nas mãos dos indivíduos associados” levando a que o Estado perdesse “seu caráter de classe”.

É neste sentido que Marx fala em 1852, ou seja, cinco anos depois de O manifesto, que “a ditadura do proletariado (…) não é, em si mesma, mais do que o trânsito para a abolição de todas as classes e para uma sociedade sem classes”.

Conforme havia sido descrito no meu resumo tosco, o período da ditadura do proletariado seria o socialismo e, após o proletariado, como classe dominante, se apoderar das forças produtivas, ocorreria o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado e, aí sim, passaria a vigorar o comunismo propriamente dito.

Na teoria, tudo bem. Mas na prática…

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